McCartney

Há algo de especial no jeito como Paul McCartney toca contrabaixo.

Para muita gente John Entwistle, do Who, é melhor baixista. Dizem isso porque Entwistle parece mais rápido e aparece mais; além disso, é autor de grande riffs. Mas eu, pelo menos, não considero que Entwistle tenha revolucionado o baixo, coisa que McCartney conseguiu.

McCartney toca seu baixo no limite. E para descobrir isso, basta tentar tocar suas linhas melódicas em tantas músicas dos Beatles. É fácil, então, perder o controle e cair no over, no excessivo. É esse, provavelmente, o maior gênio de McCartney: a contenção e a dedicação total ao que a canção exige.

Mesmo dominando seu instrumento, McCartney evita aqueles exibicionismos que fazem a ruína de tantos baixistas. Quando se solta e levanta vôo é simplesmente porque a música pede isso; um grande exemplo é Don’t Let Me Down, em que a estrutura harmônica fraca exigia maior proeminência do baixo. (E um dos poucos passos em falso é Something, que teria se beneficiado bastante com um pouco de contenção de Macca.)

Lennon dizia que o papel de McCartney na história do baixo sempre foi subestimado, e ele tinha razão. O baixista fica enterrado atrás da personalidade beatle e da genialidade como compositor pop. Mas não é menor que nenhuma delas.

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