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	<title>Comments on: Ainda o golpe do film d&#8217;auteur</title>
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	<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 17:37:00 +0000</pubDate>
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		<title>By: Michelle</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11014</link>
		<dc:creator>Michelle</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Apr 2006 06:33:42 +0000</pubDate>
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		<description>"Os Sonhadores" é de uma afetação irritantes, todos os clichês do intelectualismo barato da "burguesia-consciente" francesa estão, arrastando suas correntes até o séc. XXI. Bom lembrar que é a mesma esuqerda do maio de 68 que adoça a boca dos imigrantes concedendo brindes sociais.
Que bertolucci se aposente e que o cinema autoral estja no museu com Marguerite Duras e Alain Resnais. Faço uma visita guiada qualquer dia.
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		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Os Sonhadores&#8221; é de uma afetação irritantes, todos os clichês do intelectualismo barato da &#8220;burguesia-consciente&#8221; francesa estão, arrastando suas correntes até o séc. XXI. Bom lembrar que é a mesma esuqerda do maio de 68 que adoça a boca dos imigrantes concedendo brindes sociais.<br />
Que bertolucci se aposente e que o cinema autoral estja no museu com Marguerite Duras e Alain Resnais. Faço uma visita guiada qualquer dia.</p>
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		<title>By: Diego</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11013</link>
		<dc:creator>Diego</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 21:35:51 +0000</pubDate>
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		<description>STAR SPANGLED BANNER, errei o nome aí.
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		<content:encoded><![CDATA[<p>STAR SPANGLED BANNER, errei o nome aí.</p>
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		<title>By: Diego</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11012</link>
		<dc:creator>Diego</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 21:34:46 +0000</pubDate>
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		<description>Decupagem e ROTEIRO são feitas em função de uma idéia que não é necessariamente o roteirista quem tem!

Decisões relacionadas a decupagem, edição e direção também não são necessariamente norteadas pelo roteiro.


Jimi Hendriz é o autor  Star Spangled Star sim. Daquela Star Spangled Star.

Aliás, se o Hitchcock não pode ser considerado o autor de seus próprios filmes, o que aquele "Alfred Hitchcock's" faz em todos os títulos de filmes que ele dirigiu? Não era um mero detalhe do departamento de marketing do estúdio, porque é notório que o gordinho tinha um ego proporcional a seu peso.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Decupagem e ROTEIRO são feitas em função de uma idéia que não é necessariamente o roteirista quem tem!</p>
<p>Decisões relacionadas a decupagem, edição e direção também não são necessariamente norteadas pelo roteiro.</p>
<p>Jimi Hendriz é o autor  Star Spangled Star sim. Daquela Star Spangled Star.</p>
<p>Aliás, se o Hitchcock não pode ser considerado o autor de seus próprios filmes, o que aquele &#8220;Alfred Hitchcock&#8217;s&#8221; faz em todos os títulos de filmes que ele dirigiu? Não era um mero detalhe do departamento de marketing do estúdio, porque é notório que o gordinho tinha um ego proporcional a seu peso.</p>
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		<title>By: marcelo</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11011</link>
		<dc:creator>marcelo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 20:12:44 +0000</pubDate>
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		<description>(É como dizem: discutir na internet é que nem participar das Olimpíadas Especiais.)

Bom, se a palavra "autor" te incomoda, então não a use. O Jimi Hendrix pode não ter sido "autor" da partitura (ou roteiro, ou receita de bolo) de &lt;i&gt;"Star Spangled Banner"&lt;/i&gt;, mas por algum motivo a única versão que eu tenho dessa música é com ele tocando. Aliás, ele não é o autor da versão que fez?

Se você quiser ir mais fundo, por que o roteirista é autor da "idéia original"? Muitas, muitas vezes, o roteirista apenas desenvolve um argumento de outra pessoa (frequentemente, do diretor). E muitas, muitas, muitas vezes, não há nada de &lt;b&gt;original&lt;/b&gt; em qualquer idéia de um argumento, roteiro ou filme...

Bom, vou colar aqui um texto do Godard que é relevante:

&lt;i&gt;A perversão da noção de autor é incontestavelmente uma herança negativa da "nouvelle vague". Antes, aqueles que eram considerados autores dos filmes eram os roteiristas, uma tradição que vinha da literatura. Nos créditos, os nomes dos diretores vinham em último lugar, a não ser para pessoas como [John] Ford ou [Frank] Capra, mas unicamente porque eles também eram produtores. Mas nós dissemos: "Não, a direção é o fato fundador e verdadeiramente criador do filme. E Hitchcock é autor tanto quanto Balzac". A partir daí desenvolvemos a política dos autores, que consistia em apoiar o autor, mesmo quando ele era fraco.
Apoiávamos mais facilmente um mal filme de autor que um bom filme de alguém que não o era. E depois o conceito se inverteu, se transformou em um culto ao autor, e não a seu trabalho. Então todo mundo se tornou autor, e, hoje, quase que o cenarista pede para ser reconhecido como autor dos pregos que colocou no cenário. O termo não quer dizer mais nada, portanto. [...] Acredito que, quando lançamos a política dos autores, nos enganamos ao privilegiar a palavra "autor", enquanto na verdade é a palavra "político" que era preciso ressaltar.
Pois o verdadeiro objetivo desse conceito não era demonstrar quem faz a direção, mas, principalmente, explicar o que faz a direção.&lt;/i&gt;
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>(É como dizem: discutir na internet é que nem participar das Olimpíadas Especiais.)</p>
<p>Bom, se a palavra &#8220;autor&#8221; te incomoda, então não a use. O Jimi Hendrix pode não ter sido &#8220;autor&#8221; da partitura (ou roteiro, ou receita de bolo) de <i>&#8220;Star Spangled Banner&#8221;</i>, mas por algum motivo a única versão que eu tenho dessa música é com ele tocando. Aliás, ele não é o autor da versão que fez?</p>
<p>Se você quiser ir mais fundo, por que o roteirista é autor da &#8220;idéia original&#8221;? Muitas, muitas vezes, o roteirista apenas desenvolve um argumento de outra pessoa (frequentemente, do diretor). E muitas, muitas, muitas vezes, não há nada de <b>original</b> em qualquer idéia de um argumento, roteiro ou filme&#8230;</p>
<p>Bom, vou colar aqui um texto do Godard que é relevante:</p>
<p><i>A perversão da noção de autor é incontestavelmente uma herança negativa da &#8220;nouvelle vague&#8221;. Antes, aqueles que eram considerados autores dos filmes eram os roteiristas, uma tradição que vinha da literatura. Nos créditos, os nomes dos diretores vinham em último lugar, a não ser para pessoas como [John] Ford ou [Frank] Capra, mas unicamente porque eles também eram produtores. Mas nós dissemos: &#8220;Não, a direção é o fato fundador e verdadeiramente criador do filme. E Hitchcock é autor tanto quanto Balzac&#8221;. A partir daí desenvolvemos a política dos autores, que consistia em apoiar o autor, mesmo quando ele era fraco.<br />
Apoiávamos mais facilmente um mal filme de autor que um bom filme de alguém que não o era. E depois o conceito se inverteu, se transformou em um culto ao autor, e não a seu trabalho. Então todo mundo se tornou autor, e, hoje, quase que o cenarista pede para ser reconhecido como autor dos pregos que colocou no cenário. O termo não quer dizer mais nada, portanto. [...] Acredito que, quando lançamos a política dos autores, nos enganamos ao privilegiar a palavra &#8220;autor&#8221;, enquanto na verdade é a palavra &#8220;político&#8221; que era preciso ressaltar.<br />
Pois o verdadeiro objetivo desse conceito não era demonstrar quem faz a direção, mas, principalmente, explicar o que faz a direção.</i></p>
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		<title>By: Rafael</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11010</link>
		<dc:creator>Rafael</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 15:18:02 +0000</pubDate>
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		<description>Marcelo,

Mesmo num blog há limites de inteligência abaixo dos quais não podemos descer. Essa comparação da "invenção das letras" conseguiu isso. Não é disso que se fala e de todo os argumentos aqui, contra ou a favor, foi o mais bobo. Menos, Marcelo, menos. E Godard, por acaso, é também o roteirista de &lt;i&gt;Pierrot le Fou&lt;/i&gt;. Que, a propósito, não foi só você que assistiu, apesar de você parecer ter essa certeza.

Diego,

Não acho que essa seja uma prova definitiva. Como eu disse no primeiro post, é o diretor aturando como roteirista. Não é exatamente a função de diretor, especificamente. A questão continua em pé: decupagem, direção, tudo é feito em função de uma idéia original.

Outra coisa: a guitarra de Jimi Hendrix em &lt;i&gt;Star Spangled Banner&lt;/i&gt; o torna autor do hino?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo,</p>
<p>Mesmo num blog há limites de inteligência abaixo dos quais não podemos descer. Essa comparação da &#8220;invenção das letras&#8221; conseguiu isso. Não é disso que se fala e de todo os argumentos aqui, contra ou a favor, foi o mais bobo. Menos, Marcelo, menos. E Godard, por acaso, é também o roteirista de <i>Pierrot le Fou</i>. Que, a propósito, não foi só você que assistiu, apesar de você parecer ter essa certeza.</p>
<p>Diego,</p>
<p>Não acho que essa seja uma prova definitiva. Como eu disse no primeiro post, é o diretor aturando como roteirista. Não é exatamente a função de diretor, especificamente. A questão continua em pé: decupagem, direção, tudo é feito em função de uma idéia original.</p>
<p>Outra coisa: a guitarra de Jimi Hendrix em <i>Star Spangled Banner</i> o torna autor do hino?</p>
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		<title>By: Diego</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11009</link>
		<dc:creator>Diego</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 14:27:31 +0000</pubDate>
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		<description>Júlio, se às vezes o diretor modifica tanto o roteiro a ponto da obra ORIGINAL em que ele se inspirou perder a essência, essa é a prova definitiva que quem manda em um filme e o constrói é a direção, não o roteiro. As decisões que um diretor toma não estão todas lá, escritas em papel.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Júlio, se às vezes o diretor modifica tanto o roteiro a ponto da obra ORIGINAL em que ele se inspirou perder a essência, essa é a prova definitiva que quem manda em um filme e o constrói é a direção, não o roteiro. As decisões que um diretor toma não estão todas lá, escritas em papel.</p>
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		<title>By: Diego</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11008</link>
		<dc:creator>Diego</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 14:25:37 +0000</pubDate>
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		<description>Well, acho que o marcelo falou tudo o que eu queria falar, e com mais propriedade. Os exemplos de Godard e Lynch foram bastante adequados.


Roteiro em cinema é, potencialmente, um mero ponto de partida - alguns diretores o seguem, outros não, mas a construção do sentido via imagem/decupagem quem faz é o diretor, coordenando o trabalho de uma equipe que ele escolheu (quando falamos de um "filme de autor, claro).

Você atribui ao roteiro toda o planejamento de um filme. Como o marcelo disse, é bom pesquisar o conceito de decupagem.

Não entendo quem diz que imagem não é o mais importante num filme - imagem/movimento/montagem não é justamente o grande diferencial do cinema em relação a outras artes?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Well, acho que o marcelo falou tudo o que eu queria falar, e com mais propriedade. Os exemplos de Godard e Lynch foram bastante adequados.</p>
<p>Roteiro em cinema é, potencialmente, um mero ponto de partida - alguns diretores o seguem, outros não, mas a construção do sentido via imagem/decupagem quem faz é o diretor, coordenando o trabalho de uma equipe que ele escolheu (quando falamos de um &#8220;filme de autor, claro).</p>
<p>Você atribui ao roteiro toda o planejamento de um filme. Como o marcelo disse, é bom pesquisar o conceito de decupagem.</p>
<p>Não entendo quem diz que imagem não é o mais importante num filme - imagem/movimento/montagem não é justamente o grande diferencial do cinema em relação a outras artes?</p>
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		<title>By: marcelo</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11007</link>
		<dc:creator>marcelo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 06:51:01 +0000</pubDate>
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		<description>Só mais uma coisa, uma curiosidade:

&lt;i&gt;"Absurdo na prática, porque um filme feito assim dificilmente seria terminado pelo caos que se instalaria."&lt;/i&gt;

O Godard começou a filmar &lt;i&gt;Pierrot le fou&lt;/i&gt; -- obra-prima absoluta, assista se tiver a oportunidade -- sem roteiro nenhum, escrevendo pela manhã as cenas que ia filmar no dia. Dizem que o David Lynch fez a mesma coisa nas gravações de &lt;i&gt;Inland Empire&lt;/i&gt;, que está sendo finalizado.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Só mais uma coisa, uma curiosidade:</p>
<p><i>&#8220;Absurdo na prática, porque um filme feito assim dificilmente seria terminado pelo caos que se instalaria.&#8221;</i></p>
<p>O Godard começou a filmar <i>Pierrot le fou</i> &#8212; obra-prima absoluta, assista se tiver a oportunidade &#8212; sem roteiro nenhum, escrevendo pela manhã as cenas que ia filmar no dia. Dizem que o David Lynch fez a mesma coisa nas gravações de <i>Inland Empire</i>, que está sendo finalizado.</p>
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		<title>By: marcelo</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11006</link>
		<dc:creator>marcelo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 06:42:26 +0000</pubDate>
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		<description>&lt;i&gt;"já não é questão de interpretação, que não pressupõe autoria, e sim de criação nova."&lt;/i&gt;

Você se considera autor desses textos que escreve no blog? Pois bem, você não inventou as letras, nem as palavras, nem o modo de encadeá-las (gramática). A única coisa que você fez foi, utilizando-se da gramática, dar ao conjunto das palavras um sentido.

O diretor dá sentido às imagens, utilizando a linguagem cinematográfica. Mesmo que esse sentido seja (e muitas, muitas vezes não é) primeiramente o de desenvolver a trama e as idéias do roteirista (que muitas, muitas vezes é o próprio diretor) -- se te sugerissem e você topasse escrever sobre tal e tal coisa de tal e tal forma, você deixaria de ser autor do texto? --, as imagens carregam muito mais dentro de si.

Infelizmente, somos bastante analfabetos em leitura de imagens, importando pra nós praticamente apenas a narrativa. (Ou: prosa vs. poesia.) Mas eu tenho certeza que no nível subjetivo as pessoas gostam ou não gostam de um filme pelas imagens que ele contém -- o problema é que quando elas precisam criar um discurso a respeito do filme, elas só conseguem encontrar palavras através da informação de caráter narrativo.

&lt;i&gt;"se só imagem fosse o importante em um filme, o diretor de fotografia seria ainda mais importante que o diretor"&lt;/i&gt;

Essa frase denuncia sua ignorância. Vá primeiro se informar sobre o que um diretor (ou um diretor de fotografia, o que você também não sabe) realmente faz num filme. Procure o significado da palavra "decupagem" em algum livro de cinema, pra começar.
Opinião sem informação ou experiência é preconceito, meu chapa.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><i>&#8220;já não é questão de interpretação, que não pressupõe autoria, e sim de criação nova.&#8221;</i></p>
<p>Você se considera autor desses textos que escreve no blog? Pois bem, você não inventou as letras, nem as palavras, nem o modo de encadeá-las (gramática). A única coisa que você fez foi, utilizando-se da gramática, dar ao conjunto das palavras um sentido.</p>
<p>O diretor dá sentido às imagens, utilizando a linguagem cinematográfica. Mesmo que esse sentido seja (e muitas, muitas vezes não é) primeiramente o de desenvolver a trama e as idéias do roteirista (que muitas, muitas vezes é o próprio diretor) &#8212; se te sugerissem e você topasse escrever sobre tal e tal coisa de tal e tal forma, você deixaria de ser autor do texto? &#8211;, as imagens carregam muito mais dentro de si.</p>
<p>Infelizmente, somos bastante analfabetos em leitura de imagens, importando pra nós praticamente apenas a narrativa. (Ou: prosa vs. poesia.) Mas eu tenho certeza que no nível subjetivo as pessoas gostam ou não gostam de um filme pelas imagens que ele contém &#8212; o problema é que quando elas precisam criar um discurso a respeito do filme, elas só conseguem encontrar palavras através da informação de caráter narrativo.</p>
<p><i>&#8220;se só imagem fosse o importante em um filme, o diretor de fotografia seria ainda mais importante que o diretor&#8221;</i></p>
<p>Essa frase denuncia sua ignorância. Vá primeiro se informar sobre o que um diretor (ou um diretor de fotografia, o que você também não sabe) realmente faz num filme. Procure o significado da palavra &#8220;decupagem&#8221; em algum livro de cinema, pra começar.<br />
Opinião sem informação ou experiência é preconceito, meu chapa.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Rafael</title>
		<link>http://www.rafael.galvao.org/2006/04/ainda-o-golpe-do-film-dauteur/#comment-11005</link>
		<dc:creator>Rafael</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Apr 2006 20:07:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://rafael.galvao.org/?p=1477#comment-11005</guid>
		<description>Diego,

Eu não sei que "a partir dessa subversão você sabe que a peça foi dirigida/escrita por Gerald Thomas". O que eu sei é que nesse caso a peça seria escrita por Shakespeare e dirigida por Gerald Thomas. Só isso, como estaria nos cartazes, e nem o próprio GT, com todo o ego dele, tentaria empurrar uma sandice dessas. Se, como você diz, "manter o "plot" e personagens não é o suficiente para dizer que a peça é de Shakespeare", então o próprio conceito de autoria foi para as cucuias.

Além disso, há tanta contribuição dos realizadores em uma peça de teatro quanto num filme, apenas diferentes. Na verdade, o trabalho do diretor no teatro é ainda mais importante do que num filme.

Agora, "se o seu sentido original foi fagocitado e regurgitado por outrem", é um caso diferente. Mas aí já não se fala da peça de Shakespeare, e sim de outra coisa, realmente "criada" a partir dela. A discussão, então, perde todo o sentido. Porque já não é questão de interpretação, que não pressupõe autoria, e sim de criação nova. Mas aí o diretor está fazendo as vezes de roteirista. É isso que você não pareceu entender.

Dizer que "cinema não é historinha" é diminuir qualquer discussão, porque vai passar por sua interpretação pessoal. Hitchcock, por exemplo, discorda de você, e eu prefiro a opinião dele. Além disso, roteiro não é necessariamente "historinha". Não é disso que se fala aqui.

Finalmente, é um absurdo dizer que "roteiro é um ponto de partida que pode ser abandonado completamente até o final de uma produção, uma inspiração para que o que verdadeiramente importa em um filme - imagem - seja criado."

Absurdo em teoria, porque aí o que se tem é a criação de um novo "roteiro". E voltamos ao ponto de partida (e se só imagem fosse o importante em um filme, o diretor de fotografia seria ainda mais importante que o diretor).

Absurdo na prática, porque um filme feito assim dificilmente seria terminado pelo caos que se instalaria. Você nem queira imaginar a bagunça que isso seria. O Bia, que é diretor de TV, pode falar melhor sobre isso.

E não, Diego, você não entendeu meu ponto.


André,

Você sabe que a relação não é a mesma. A questão não é a relação de um autor com sua obra, e sim a relação de um "autor", como vocês querem, com a obra criada por outro.


Gabriel,

Eu não discordo de quase nada do que você falou. Mas discordo de algumas intepretações.

Por exemplo, no que diz respeito à autoria, quando você cita o artifício do De Sica pra fazer o menino chorar. Beleza. Mas ele só fez isso para conseguir um efeito que estava previsto justamente ali, no roteiro. É esse o ponto. O pecado original é o roteiro. :)
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Diego,</p>
<p>Eu não sei que &#8220;a partir dessa subversão você sabe que a peça foi dirigida/escrita por Gerald Thomas&#8221;. O que eu sei é que nesse caso a peça seria escrita por Shakespeare e dirigida por Gerald Thomas. Só isso, como estaria nos cartazes, e nem o próprio GT, com todo o ego dele, tentaria empurrar uma sandice dessas. Se, como você diz, &#8220;manter o &#8220;plot&#8221; e personagens não é o suficiente para dizer que a peça é de Shakespeare&#8221;, então o próprio conceito de autoria foi para as cucuias.</p>
<p>Além disso, há tanta contribuição dos realizadores em uma peça de teatro quanto num filme, apenas diferentes. Na verdade, o trabalho do diretor no teatro é ainda mais importante do que num filme.</p>
<p>Agora, &#8220;se o seu sentido original foi fagocitado e regurgitado por outrem&#8221;, é um caso diferente. Mas aí já não se fala da peça de Shakespeare, e sim de outra coisa, realmente &#8220;criada&#8221; a partir dela. A discussão, então, perde todo o sentido. Porque já não é questão de interpretação, que não pressupõe autoria, e sim de criação nova. Mas aí o diretor está fazendo as vezes de roteirista. É isso que você não pareceu entender.</p>
<p>Dizer que &#8220;cinema não é historinha&#8221; é diminuir qualquer discussão, porque vai passar por sua interpretação pessoal. Hitchcock, por exemplo, discorda de você, e eu prefiro a opinião dele. Além disso, roteiro não é necessariamente &#8220;historinha&#8221;. Não é disso que se fala aqui.</p>
<p>Finalmente, é um absurdo dizer que &#8220;roteiro é um ponto de partida que pode ser abandonado completamente até o final de uma produção, uma inspiração para que o que verdadeiramente importa em um filme - imagem - seja criado.&#8221;</p>
<p>Absurdo em teoria, porque aí o que se tem é a criação de um novo &#8220;roteiro&#8221;. E voltamos ao ponto de partida (e se só imagem fosse o importante em um filme, o diretor de fotografia seria ainda mais importante que o diretor).</p>
<p>Absurdo na prática, porque um filme feito assim dificilmente seria terminado pelo caos que se instalaria. Você nem queira imaginar a bagunça que isso seria. O Bia, que é diretor de TV, pode falar melhor sobre isso.</p>
<p>E não, Diego, você não entendeu meu ponto.</p>
<p>André,</p>
<p>Você sabe que a relação não é a mesma. A questão não é a relação de um autor com sua obra, e sim a relação de um &#8220;autor&#8221;, como vocês querem, com a obra criada por outro.</p>
<p>Gabriel,</p>
<p>Eu não discordo de quase nada do que você falou. Mas discordo de algumas intepretações.</p>
<p>Por exemplo, no que diz respeito à autoria, quando você cita o artifício do De Sica pra fazer o menino chorar. Beleza. Mas ele só fez isso para conseguir um efeito que estava previsto justamente ali, no roteiro. É esse o ponto. O pecado original é o roteiro. :)</p>
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