¡Que venga Limeira!

O Luís Henrique, orgulhoso e aguerrido morador de Limeira, deixou um comentário neste blog sobre um texto antiquíssimo em que eu falava sobre a demissão do Bia pelo Jornal de Limeira:

Concordo plenamente que o jornal errou, e perdeu a grande chance de se mostrar imparcial.
Só porque um burro fez o que fez, isso não te dá o direito de diminuir nossa cidade e muito menos nossa população generalizando como foi generalizado em seu têxto. Voce não deveria expandir suas críticas a cidade de Limeira atacando indiretamente sua população. Antes de ir a India, dê uma passada por aqui, te garanto que você vai se supreender. Não sou limeirense, mas tenho orgulho dessa cidade que provê o sustento e o conforto de minha família.Com relação ao tamnho de nossa cidade, é bom que o senhor saiba que ela está de braços abertos para te receber. Espero que você seja ético o suficiente para publicar esse manifesto em seu blog. Quem não estiver contente, mude-se!

O “manifesto” foi publicado porque não li a parte do “ético”. Desafios como esse são a maneira mais fácil de garantir o bloqueio de um comentário. Mas foi bom que eu tenha publicado, porque descobri uma coisa importante.

Limeira é a Neópolis do sudeste.

Logo que voltei a Aracaju, escrevi um post sobre Neópolis. É um dos que mais gosto no blog, porque afeta uma doçura que normalmente não tenho. Mas o post, que aparece em sétimo lugar quando alguém procura pela cidade no Google, inadvertidamente gerou em vários neopolitanos neopolitanos uma revolta e uma indignação inacreditáveis.

De maneira bem parecida, o comentário sobre Limeira também desagradou o Luís Henrique.

A mesma reação provinciana, a mesma pressa em defender o lugar onde nasceu ou que lhe acolheu. Eu já vi isso antes, e confesso que gosto de ver: cidades que podem ou não ser agradáveis, mas que certamente têm em seus habitantes pequenas misturas de orgulho do torrão natal e complexo de inferioridade.

O comentário do Luís Henrique é bem vindo porque brigar com os ribeirinhos neopolitanos e os michês goianenses já estava me deixando cansado.

Eu não conheço Limeira. Eu não quero conhecer Limeira. Não entendo porque alguém quereria conhecer Limeira. Quando penso em Limeira imagino que, como qualquer cidade do interior, ela provavelmente tem algo que seus cidadãos alardeiam ser o maior do Brasil, ou o melhor: o maior pé de laranja lima do Brasil, o melhor pastel de vento do país, algo assim.

Graças à minha total ignorância sobre a cidade, fiz algumas perguntas ontem ao Bia e ele confirmou minhas suspeitas: Limeira já foi a auto-nomeada “capital nacional da laranja”, e hoje se diz “capital nacional da semi-jóia e folheados”.

Limeira, portanto, não pode se dizer “jóia do planalto”, essas coisas que finzinhos de mundo dizem; no máximo é a bijuteria do sudoeste. Um brinco Rommanel encrustado na orelha de São Paulo. Apenas para efeito de referência aos leitores sergipanos que porventura ainda leiam este blog, Limeira poderia ser comparada à cidade de Itabaiana, que também se diz capital do ouro vagabundo.

O comentário do Luiz Henrique apenas comprova o que eu intuía: que a cidade, pelo visto, é pequena demais para qualquer pessoa.

Eu já estava de saco cheio de brigar com neopolitanos, mesmo.

20 thoughts on “¡Que venga Limeira!

  1. Caeiro. O rio que passa na nossa aldeia é sempre mais livre e maior que o Tejo. E quem nascia ali em geral nunca se perguntava o que haveria para além do rio que passa na aldeia.

    Mas aí os americanos inventam que precisam de uma rede à prova de ataque nuclear, a gente vai, cabeia o mundo, liga o mosteiro ao pé do Himalaia com a vila à beira do Nilo com Limeira e agora todo mundo tem certeza absoluta que o rio que passa na sua aldeia é maior e mais livre que o Tejo.

  2. Eu moro em Santana de Parnaiba – SP a uns mais ou menos 70 KM de Limeira , e .. tambem não conheço a cidade…mas ja roubei laranjas nos laranjais quando por ali passava quando viajava ao interior…rs

  3. Diz o Galvão: “Eu não conheço Limeira. Eu não quero conhecer Limeira. Não entendo porque alguém quereria conhecer Limeira.”
    Eu me lembro de uma declaração quase igual, só que dita pelo Diogo Mainardi a respeito de Goiânia, na sua coluna na Veja, no ano passado, acho. Como eu disse em um comentário dias atrás, o Galvão o Minardi e o João Pereira Coutinho, são almas gêmeas. O Galvão não vai gostar, mas a comparação com esses dois é um elogio.

  4. hahahaha… o texto está muito bom, como sempre!!! Mas tive que rir com o comentário te comparando ao Mainardi…
    eles não desistem!

  5. Texto perfeito Rafael. Pessoas de cidades pequenas vivem se vangloriando de coisas pequenas dando títulos inócuos a elas mesmas. É o maior retrato da pobreza cultural de uma cidade. Peço o mesmo que Bruno Ribeiro: fale mal de Uberaba, “a capital mundial do gado zebu” pra vc ver o que acontece.

  6. Fala mal de Recife (mas eu vou ficar com raiva… hehehehe).
    Recife tem, entre outras coisas, a maior avenida em linha reta do mundo!!!!
    Kkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!

  7. E Limeira tem também o Bia, o único cidadão limeirense que nunca morou em Limeira! Mais um motivo para nunca conhecer a cidade… 😀

  8. Eu pensei que vc ia ficar sempre sacaneando os goianos.
    ****
    Bruno,não f***,falar mal de Campinas não vale…rs

    beijos.

  9. sou de arcoverde e moro em arcoverde.

    a contragosto.

    arcoverde é a capital pernambucana, ao menos, da mulher interesseira.

    só não digo que arcoverde é a coisa mais próxima do cudomundistão do norte porque inventaram os municípios sem lei do pará.

  10. Aguardo ansiosa que vc fale mal de Foz do Iguaçu e seus quatis punguistas
    “Um brinco Rommanel encrustado na orelha de São Paulo’, ahahahahahahaha…

  11. Acho bom que nenhum de vocês queira vir conhecer a minha querida cidade de Limeira, porque nós já temos as nossas próprias porcarias e não precisamos importar mais… Passe muito mal…

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