Rafael, underground

Dia desses a Lucia Malla disse que eu sou underground. Achei engraçado.

Até onde eu sabia, estou classificado entre as pessoas bem adequadas ao sistema. Governista, chapa branca, defensor intransigente dos governos municipal, estadual e federal, preguiçoso. Meu referencial cinematográfico é a Hollywood de tempos idos, minha literatura preferida é a francesa, a música de gosto é a negra americana, e gosto de louras, morenas, ruivas, negras, índias, japonesas, gigantes e anãs, desde que tenham bunda grande e peitos bonitos. Prefiro o Batman a Robert Crumb. Minha namorada diz que o sujeito de Californication é igual a mim, mas ela só diz isso na TPM.

Não há absolutamente nada de underground em mim. Até meus pés estão acima do solo.

Underground, para mim, é adolescente com piercing na sobrancelha escrevendo um fanzine xerocado falando da última banda punk de Lancashire e saindo por aí com universitárias feias cuspindo um monte de teorias do cinema e elogiando o último filme iraniano ou afegão que ainda não viram e bebendo vinho barato ou rum com coca-cola.

Eu nunca fui punk, nunca fiz fanzine, nunca gostei de mulher feia, detesto xerox, gosto é de bourbon e tenho sérias dúvidas de que fui adolescente algum dia. Ou se deixei de ser.

12 thoughts on “Rafael, underground

  1. Você tem toda razão. Houve uma época, começo da década de 60, que gostar dos Beatles era uma coisa de gente underground, por volta de 1979 ser PT ou admirador do Lula era coisa de gente underground, hoje não tem nada mais classe média que essas duas coisas. Lucia Malla está errada.

  2. “Eu nunca fui punk, nunca fiz fanzine, nunca gostei de mulher feia, detesto xerox, gosto é de bourbon e tenho sérias dúvidas de que fui adolescente algum dia. Ou se deixei de ser.”

    Assino embaixo. O único problema é que, apesar de me sentir irresistivelmente atraído pela beleza feminina, de tanto apreciar um bom bourbon (com ou sem aditivos), por vezes exagero na dose e acabo me atracando com
    umas magrelas “desbundadas”, “despeitadas” e com piercing na língua… 🙂

  3. Mal gosto de whiskey, algumas cervejas de trigo me agradam, e sempre fui facinado pelas mais gringas das brasileiras. Minha linda ruiva parece a Miss Islândia – nunca fui tão feliz.

    Nunca fui punk, mas já fui grunge. Camisas de flanela que iam até meus joelhos. Nunca gostei de xerox nem de caneta. Lápis é ótimo porque você consegue apagar as merdas que invariavelmente faz.

    Ainda me considero adolescente. Não acho que um dia perderei isso. Ainda estou na metade dos meus vinte. Tem tempo para eu virar resmungão que nem tu, lindão.

    =)

  4. certo .. eu deixei de ser semana passada … e sempre fui besta
    e a prova maior q vc não é under é dizer que algum under toma RUM com coca .. ora
    a pinga é menos filho .. menos

  5. Estou me sentindo um pouco underground agora….se eu pegar algumas mulheres feias eu me tornarei meio undergound Rafa? kkk

    abraços !!!

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