Rafael Galvão

Flower

Os gostos de Maomé

O meu problema, o que ainda vai me levar para a cova muito antes do meu tempo já exíguo é a facilidade com que eu aceito desafios. Me sinto o próprio Marty McFly. Ainda mais porque o Bia pede para fazerem um post sobre Maomé, mas ele mesmo não é macho o bastante para isso. O Bia é aquele moço que fica no canto da sala instigando os outros a brigarem, dando risadinhas abafadas.

A idéia de um Maomé engajado em atos sexuais heterodoxos é interessante. Mas também seria provocação demais. Sobre Jesus, que me perdoem os cristãos, a gente pode falar o que quiser — afinal, tudo o que se sabe dele é o que dizem os evangelhos e uma citaçãozinha de nada em Flávio Josefo. Sem bases concretas, é fácil fazer piadas bobas sobre um sujeito andando por aí acompanhado de doze homens.

Maomé, ao contrário, é um personagem histórico mais sólido. Provavelmente porque o seu impacto imediato foi muito maior e mais amplo que o de Jesus. Independente do seu papel histórico, Jesus foi uma criação dos seus apóstolos, principalmente de São Paulo. Com Maomé foi diferente. A começar pelo Alcorão, melhor fonte histórica do que os evangelhos. Além disso, sua atuação política foi mais clara e mais efetiva. Ou seja: o histórico heterossexual de Maomé torna qualquer elocubração acerca de suas preferências provocação pura e simples, o tipo de coisa que aquele jornal dinamarquês fez.

De qualquer forma, o preceito aplicado a Jesus se aplica igualmente a Maomé. Maomé podia ser a maior bichona deste mundo. Podia dar a bunda com a mão na cabeça para não perder o juízo. Podia ser hábil na arte de prestar favores orais aos peregrinos que vagavam entre Meca e Medina. Podia usar a pobre da Khadijah para arranjar homens (”Você pode comer a moça, mas antes tem que me comer”). Podia correr para o alto das mesquitas para viver com algum discípulo a mais bela história de amor e suor. Podia se ajoelhar em direção à Meca sabendo que atrás de si um mujahid olhava para seu traseiro com cobiça e desejo. É tão difícil assim imaginar Maomé apoiado sobre a Caaba enquanto um tuaregue daqueles bem brutos faz-lhe a festa?

Para Maomé, no mais verdadeiro espírito ecumênico, vale o mesmo que para Jesus. Maomé podia fazer qualquer coisa, e nada disso faria de sua mensagem algo menos verdadeiro, nem ele menos digno de respeito.

9 Responses to “Os gostos de Maomé”

  1. May 20th, 2008 at 1:03 am

    Alexandre Pinheiro says:

    mas q é dificil imaginar, é
    é mais ou menos como imaginar a mãe da gente … bem, deixa pra lá

  2. May 20th, 2008 at 3:45 am

    Santiago says:

    Boa Rafael:

    A última frase deste post parece aquela última frase do post sobre o livro do Jonh Lennon.

    Deixe-me aproveitar a oportunidade e te perguntar algumas coisas. (não se preocupe que não sou um evangélico fundamentalista; na verdade, nem evangélico nem crente de qualquer espécie) Apesar do Paulo ser um grande vendedor do cristianismo - o Nietchsze o chamava de outra coisa - será que ele era tão bom a ponto de fazer o cristianismo ser o que é; mesmo que ajudado por outros? Será que aquele judeu bondoso, simples, barbudo e cercado de gente desclassificada não era o filho de Deus, como ele mesmo disse várias vezes e isso tenha tornado a religião cristã o que é? Não seria a aura de Jesus, o filho de Deus, o catalisador carismático do cristianismo? Não é o cristianismo, a maior religião do planeta? Eu pergunto essas coisas por causa do nível de importância que você cita no post respectivo.

  3. May 20th, 2008 at 3:50 pm

    Rafael Galvão says:

    Na minha opinião, a religião cristã se tornou o que é graças ao trabalho de milhares de crentes ao longo dos séculos (e depois de COnstantino também na ação opressiva do Estado).

    Obviamente, Cristo é a figura fundamental no cristianismo. Ou melhor, a imagem que se faz dele. Mas ele não fundou uma nova religião, nem parece ter sido esse o seu intento.

    Além disso, a gente pode lembrar que Antônio Conselheiro mobilizou, de maneira imediata, ainda mais gente, e nem por isso ele podia ser chamado de Filho de Deus.

    De qualquer forma, é bom lembrar que em termos históricos a natureza divina de Jesus não importa.

    Mas o mais engraçado, mesmo, é que a gente faz um post falando de Maomé e é Cristo que as pessoas vêm defender.

  4. May 20th, 2008 at 4:41 pm

    Santiago says:

    Pois é Rafael; mesmo ser ser um religioso fervoroso Crito causa este efeito; personalidade impressionante. Quanto a Antonio
    Coselheiro, comparado a Crito, é um ser irrelevante: no máximo um revolucionário.

    Obrigado pela resposta.

  5. May 20th, 2008 at 6:09 pm

    Biajoni says:

    daqui a pouco vc vai dizer que não tem nada que desabone ronaldo fenômeno.
    :>)

  6. May 20th, 2008 at 6:17 pm

    Santiago says:

    Fenômeno?

  7. May 20th, 2008 at 6:40 pm

    Cris says:

    Sobre o post: Concordo com a última frase, qq coisa que tenha feito não elide o que ele representa.

    Sobre o novo visual: Puxa, tenho problemas com rotina…gostava mais do outro.
    bjos

  8. May 20th, 2008 at 9:07 pm

    Betina says:

    Pode-se aplicar seu último paragrafo a Buda, que agora imagino dando a Bu%#da! Fenomenal

  9. May 21st, 2008 at 7:39 pm

    Sales Neto says:

    Caraca Rafael,

    Se algum mulçumano ler isto vai chover bomba na sua casa, avião batendo e o caralho a quatro. Por muito muito menos aquele escritor iranianao que eu esqueci o nome agora teve que pedir proteção da Interpol e sumir por anos. Bom ao menos temos aqui a nossa briosa polícia sergipana que, acredito, poderá fazer o mesmo serviço.

    Um abraço

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