Primeiro mundo

O Brasil dispara no rumo do desenvolvimento.

Chega de caminhão de pau-de-arara capotando. Chega de pisoteios na fila do INPS. Chega de flagelados pela seca. Chega de desabrigados pelas enchentes. Chega de barraco soterrado ou deslizando morro abaixo.

Nossas catástrofes agora são high-tech.

Stallone

Lembrei agora de uma entrevista recente do Sylvester Stallone ao David Letterman. Posso estar enganado, mas tenho certeza de que ele contratou um redator para escrever umas cinco piadas para ele dizer ali. Certeza absoluta. A coisa está tão feia nos Estados Unidos que até para uma entrevista esses sujeitos montam uma equipe.

Como escolher uma mandioca

Só agora vi, nos comentários, o debate sobre a mandioca entre o Plataformista e a Monica.

Embora eu só goste de um derivado dela, a tapioca (em Sergipe fazem um treco chamado beiju molhado que é um absurdo de bom), escolher mandioca é simples: aperte. Ela deve ser firme, mas ceder um pouco à pressão.

De qualquer forma, nenhum método é 100% garantido. Mandiocas são traiçoeiras. A melhor garantia, mesmo, é escolher bem o seu fornecedor. Que, no Nordeste, a gente chama de “freguês”, invertendo tudo.

Deus é marciano

A edição de setembro da Atlantic Monthly traz um bom ensaio de Paul Davies, professor australiano, sobre uma questão interessante: até que ponto a descoberta de vida extra-terrestre afeta a nossa noção de Deus?

A questão levantada por Davies é simples: a existência de vida inteligente fora da Terra põe em cheque a noção cristã de que somos a raça escolhida. Afinal, rezam que Deus mandou seu filho único comer o pão que o diabo amassou só para nos salvar. Como diz o sujeito, Cristo não morreu pelos golfinhos ou pelos homenzinhos verdes, mas pelo Homem.

Portanto, vida inteligente fora deste planetinha poria em cheque toda a noção judaico-cristã de que somos o ápice da criação divina. O encontro com uma civilização espiritualmente superior seria um duro baque para a idéia de que somos os “escolhidos”. O ensaio, claro, lida com temas mais profundos e com mais hipóteses, e por isso vale a pena.

As questões levantadas são curiosas, e discutem o papel de Deus e a validade da crença humana. E ele chega à conclusão de que, embora o cristianismo tenha que se virar para explicar a base de seu sistema teológico, a humanidade teria provavelmente chegaria à conclusão de que o trabalho de Deus se revela na criação de condições propícias à vida em todo o universo.

(Curiosamente, ele chama isso de uma nova tendência; pois eu, que entendo tanto de teologia quanto de física quântica, cheguei a essa mesma conclusão há muito tempo, sem precisar discutir tanto o assunto; é a única plausível depois de Darwin.)

Para os brasileiros, claro, a coisa é ainda pior. Admitir que Deus não é brasileiro é um golpe quase insuportável. Pior só se encontrássemos uma seleção de futebol melhor que a nossa.

O problema de Deus

Acho que isso faz de mim um ignorante, mas discussões sobre Deus me interessam muito pouco. Já a idéia de fé, um problema humano, é outro departamento, e esse até que é instigante.

Há muito tempo cheguei à conclusão de que a existência ou não de Deus independe de eu acreditar ou não n’Ele. Há quatro opções possíveis, e a nenhuma das quatro há uma resposta definitiva e comprovável.

Além disso, independente de existir ou não, Deus não deixa de ser uma invenção do homem. Para a maior parte das pessoas, a perspectiva de um fim absoluto é insuportável; há que existir uma razão para a vida, ou no mínimo uma explicação. Como dizia Lennon, “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”.

Tudo isso é um prato cheio para quem gosta de discussões metafísicas. Mas ainda adolescente cheguei a uma conclusão simples — talvez covarde — e fiz um acordo com Deus. Se Ele existir, quando morrer eu descubro. Se Ele não existir, quando eu morrer já não vai mais importar.

Enquanto isso eu vou rezando.

A mulher de César

Infelizmente, como era jogo entre times cariocas e a Suzana Werner já jogou pelo Fluminense, nós fomos privados de ouvir o coro maravilhoso da torcida do Cruzeiro, que abalou as estruturas do Mineirão:

Júlio César, viadinho
Sua mulher deu o cu pro Ronaldinho!