Mandarim

Em “O Pai Goriot” Balzac faz seu personagem Rastignac passar por um pequeno teste ético.

Imagine que nos confins da China há um velho mandarim. Ele é muito, muito rico. Agora imagine que, com apenas um pensamento, você pode matar o velho e herdar toda a sua fortuna.

Você pode racionalizar como quiser. Ele é muito mau. Muito velho. Muito doente. Sozinho. Ninguém jamais descobrirá que você foi o responsável pela sua morte.

A questão é: você mataria o seu mandarim?

E a quem interessar possa: eu já estou no qüinquagésimo oitavo mandarim.

6 thoughts on “Mandarim

  1. Vão me chamar de antiética, talvez, mas, muitas vezes, a melhor coisa da vida é poder matar com o pensamento. Afinal, o pensamento é um menino peralta e sai do nosso controle. Isso nos leva a matar sem ter tempo de evitar o ato. Afinal, o pensamento matador escapa sem percebermos e, assim, o mandarim se acaba.

  2. Aí, a questão ética não está em escolher matar ou não. Mas em, uma vez morto, sentir alívio ou não pela morte do mandarim. Eu confesso que meu pensamento incontrolável já matou muitos mandarins na minha vida dos quais não tenho saudade nem pena.

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