Novamente o cinema de autor

Foi o Pinheiro quem me lembrou.

A atual greve de roteiristas nos EUA deve servir para mostrar, de maneira cabal e irrefutável, que aqueles que defendem a tese do cinema de autor estão absolutamente certos, e que este blogueiro defendia posições erradas ao insistir que a função de direção não implica a autoria de um filme.

Como o autor é o diretor, a greve não vai mudar nada no sistema de produção de filmes e seriados. Os diretores vão fazer seus filmes normalmente. Afinal, os filmes são deles. Eles são os autores.

A diferença entre índios e mendigos

Morreu hoje pela madrugada, em São Paulo, um morador de rua que teve 85% do corpo queimado.

Embora ele tenha sido incendiado na madrugada de ontem, só hoje, muitas horas depois de morto, se soube o seu nome. Até então só se sabia que ele era um mendigo, e não um índio. Seu nome era Ivanildo Raimundo.

Por ser um mendigo somente não houve manifestações de rua por sua morte. Não houve militantes pelos direitos humanos tentando chamar a atenção da mídia para a mosntruosidade do ato praticado. Não houve debates em jornais e programas vespertinos de TV sobre a violência urbana. Não houve psicólogos questionando a educação e a formação dada aos adolescentes de classe média. Não houve aquelas manifestações de revolta e nojo instintivos da classe média quando se vê ameaçada enquanto testemunha sua apregoada superioridade moral cair por terra.

O mendigo morreu só, diante do silêncio tranqüilo e desdenhoso daqueles que, há dez anos, se esgoelaram em protesto contra a morte do índio Galdino, em Brasília. Morreu só como morreram tantos outros mendigos, queimados numa calçada qualquer em Salvador, em São Paulo, no Rio. Centenas, talvez milhares ao longo da história. Nenhum deles causou repercussão, porque um mendigo que morre queimado, espancado ou enregelado não faz falta, sequer tem família.

A polícia diz já saber quem foi o responsável pela morte do mendigo. Aparentemente foi outro mendigo. E assim como o mendigo morto que só agora foi identificado no Instituto Médico Legal, o assassino também não tem nome, ainda. Mas assim que ele for descoberto e preso os juízes serão imparciais e rigorosos, como não foram com os marginais de classe média de dez anos atrás, e talvez isso possa servir de consolo a alguém. Por outro lado, o advogado dativo oferecido pelo Estado não vai se esforçar em defendê-lo.

Ao contrário do índio Galdino, o mendigo que morreu ontem não tinha nome. Não precisava ter. É um entre muitos, quase alguém que não existiu. Porque não é índio, é só um mendigo que deu o azar de ser queimado por outro mendigo.

Republicado em 17 de setembro de 2010

Uma pequena admissão

As pessoas vêem a minha camisa rosa com um alvo no meio e os dizeres “O câncer de mama no alvo da moda” e me dão os parabéns, coisa linda politicamente correta.

Elas não entendem nada.

Se uso a camisa não é porque estou engajado na luta contra o câncer de mama.

Uso porque me apavora a possibilidade de um mundo sem peitos.

Republicado em 15 de setembro de 2010

Situação crítica, porém jeitosa

O Homem-Baile saiu da pista de dança.

O Ricardo Montero resolveu dar um basta, talvez temporário, a um dos blogs mais antigos que leio. Preferiu se dedicar ao Vidas e Imagens, um dos mais interessantes blogs nacionais. E saiu explicando, também, os motivos de seu enjôo com a blogoseira atual.

Em grande parte do que diz, o Ricardo está certo. A maioria dos blogs é ruim. Indo mais além, mesmo a maioria dos posts de bons blogs é ruim. A esmagadora maioria do jornalismo que se faz na blogoseira é de segunda mão, no mais das vezes filtragem e comentários sobre o que outra pessoa apurou. A maior parte dos textos é mal escrita. A maior parte da ficção é medíocre. A maior parte da poesia envergonharia Camões. A gente sabe disso. Todo mundo sabe disso. Se não se fala muito sobre o assunto — além de generalizações como as feitas acima, que não ofendem diretamente ninguém que não seja dono de um grande complexo de inferioridade — nem se dá nomes aos bois é porque, além de uma questão de educação e de prudência, a blogoseira funciona como um sistema de trocas, em que a formação de uma rede de influência é fundamental para que se defina um lugar num ranking imaginário para cada um. Ou seja: eu comento no seu blog, você comenta no meu, passamos a achar nossos respectivos blogs maravilhosos e por aí vai. Que ninguém se iluda: qualquer blog mais ou menos respeitado é o resultado de algum nível de engenharia social.

Portanto, tudo o que o Ricardo escreveu em sua despedida está essencialmente correto. Mas mesmo correto, é parcial.

Porque há o lado bom. Mesmo reconhecendo tudo isso que foi dito acima, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer parte de qualquer panela ou esquema de engenharia social. E isso é possível graças à grande qualidade da blogoseira: a diversidade. Mesmo a mais abrangente das listas acaba encampando apenas uma parte ínfima do que é publicado diariamente na internet. Tem muito mais aí fora para se ler.

O Interney Blogs, sob esse aspecto, é importante — por mais que a auto-promoção e o que identificam como “panelinha” possam incomodar. Eu, pelo menos, acho o IB uma grande iniciativa, extremamente louvável ao buscar o que muitos blogueiros gostariam de ter mas evitam confessar para não parecerem totais fracassados: a possibilidade de ganhar a vida escrevendo o que bem entendem, só isso. Se o IB vai ter sucesso ou não, não importa tanto assim. Assim como no resto da blogoseira, tem blogs bons e ruins. Mas a tentativa é valiosa, e o fato de terem um plano de negócios só pode ser bem vindo.

O mais importante, mesmo, é a diversidade. Se de um lado você tem um empreendimento claramente comercial como o Interney, com todos os defeitos que possa ter — como por exemplo a poluição visual, a perda de independência possível em alguns casos — e as muitas qualidades do projeto, tem também projetos de caráter diverso como o Verbeat ou o Apostos, e até mesmo os lordes botocudos do Wunderblogs. Sem falar na imensidão de blogs isolados, que não passam de meios de expressão de seus autores e que podem ser muito interessantes.

Tem, por exemplo, o Hermenauta mordendo os calcanhares do Reinaldo Azevedo, o chiahuahua da direita brasileira. É o tipo de coisa que só a internet possibilita: o contraponto, a diversidade de opiniões, o confronto de idéias (e por isso o seu é um dos melhores blogs do país, com o jeito canalha do Hermê de encher o saco daqueles de quem não gosta. Como diriam em Salvador, o Adriano é muito “nigrinha”).

No fim das contas, it’s only rock and roll. E eu, que não costumo comentar em blogs, que não faço questão de ganhar dinheiro além dos caraminguás que o Google AdSense pinga na minha conta para pagar a hospedagem e garantir uns livrinhos na Amazon, que me esforço muito para ser simpático e demonstrar ao mundo toda a doçura que mamãe me deu, que sou baiano e acho tudo divino maravilhoso, quero mais é ver o oco.

As alegrias que o Google me dá (XXXI)

morte de jimi hendrix porsche
Eu lembro. Foi num dia de chuva. Hendrix tinha ido ao Chile participar do III Congresso Internacional de Praticantes de Vodu. Vinha no seu Porsche cantando Purple Haze, doidão. Quando chegou à parte do “excuse me while I kiss the sky“, resolveu tirar a mão do volante e ficar em pé no banco, mãos erguidas em direção ao céu enquanto mandava beijinhos para um cúmulo nimbo. Isso não durou muito tempo: o carro sem direção desviou para a contramão, bateu de frente com um caminhão e, segundo as notícias da época, só foram achar a cabeça de Hendrix 3 anos depois, no deserto de Atacama. Mas o pior, mesmo, foi a coincidência macabra: essa tragédia aconteceu no mesmo dia em que James Dean morreu afogado no próprio vômito.

morei em salvador
Eu também. E daí? Povo besta, esse.

as vantagens e desvantagens dos negros nos esportes terrestres
É culpa do racismo, sabe? Enquanto o projeto de cotas raciais no esporte não é aprovado, o jeito vai ser inscrever os negros nos esportes extra-terrestres. Aí a gente vai ter uma competição mais ou menos justa. A princípio, a gente sabe que vai ser fácil dar uma porrada no ET, mas contra o Predador a coisa vai ser complicada.

fotos du furico das mulheres
Obrigado. Você me fez dar a primeira gargalhada do dia. Furico é lindo.

guei dando o cu
Vixe, pegaram o Bia!

como ser um cafetao
Não vá pensando que é fácil. Ser cafetão, essa ocupação admirável e invejável, não é para todo mundo. Porque para isso é preciso não apenas espírito empreendedor e vontade de ganhar dinheiro com o trabalho dos outros, mas sero feliz possuidor do mais genuíno talento cafajeste. Porque não é fácil fazer uma mulher dar o que é dela e ainda lhe pagar uma comissão por isso. Para ser cafetão é preciso um tipo especial de gente. Um cafetão é o ídolo de qualquer cafajeste. Faço votos de que você seja um deles.

a cachaça já se apoderou de ti
Claro, mané. Ou você acha que eu escrevo estas merdas com a cara limpa?

mundo do sexo das pultas baratas
É um mundo fascinante, esse das pultas baratas. Muito mais complexo que o das pultas caras, que essas são sofisticadas demais, não tem graça. E esse mundo nos fascina ainda mais por causa dos poltrões que ficam na internet descascando uma a partir de descrições vívidas de sexo pago.

metodos de almentar o penis gratis
Alimentar? Meu filho… Eu pensava que a ordem das coisas era diferente, que as pessoas é que se alimentavam com o danado, mas vai saber dessas novidades de hoje. Eu sou só um paraíba de outros tempos.

cade a boca da hello kitt
O Bia comeu.

se alguem lhe contasse que um homem ficou excitado por sua esposa ter levado uma cantada do chefe dela vc acreditaria?
Sim, acreditaria. Não há muita coisa entre o céu e a terra em que eu não acreditaria, a essa altura da minha vida. Porque quando penso que já vi tudo, abro o Awstats e vejo pérolas como essa. Agora pode contar o seu caso, que não vai encontrar em um mim alguém preoconceituso nem desinteressado. Mas lembre de dizer também se sua mulher é bonita, se é gostosinha e se está a fim de um emprego em Aracaju.

putas baianas
Só conheço uma: eu. Pior, puta das mais baratas, daquelas que não se respeitam, sabe? Mas se você estiver atrás de putas alemãs, eu tenho cá comigo uma foto histórica do bombardeio de um bordel na Alemanha. Rapaz, você nem imagina a bagaceira que foi. Foi caco de puta para tudo quanto é lado.

www.rafael.galvao.org/2005/02/ flamengo 1987 fugiu bobagem
Vida de torcedor do Sport é terrível. Só eles pra achar que a gente ia decidir um título jogando contra um time da segundona. A gente se respeita. Os pernambucanos é que fogem do Flamengo se escondendo lá na segunda ou terceira divisão.

diferença entre marketing político e marketing eleitoral
Marketing eleitoral é o marketing político que a gente faz quando tem eleição. Marketing político é o marketing eleitoral que a gente faz quando não tem eleição.

sou maior de 18 anos quero ver fotos de dois gay fazendo boquete no chuveiro
Você é maior de idade, vacinado e tem título de eleitor. Mas posso fazer uma pergunta, dessas bem bobas que irritam aqueles que entendem do assunto? Posso? Obrigado. Seguinte: o sujeito que fica ali ajoelhado não engasga, não? Tipo assim, glup, glup, gasp! Glup, glup, gasp!

quem é o jogador mais velho da cidade de neopólis e que ainda esteja jogando?
E Neópolis tem jogador? Neópolis tem campo de futebol? Neópolis tem futebol? Nossa, a cidade cresceu, se desenvolveu e eu nem vi. De repente, Neópolis tem até luz elétrica e branco na praça para sentar.

desenhos antigos natal passavam globo
Ah, eu lembro disso também. Tinha um da Turma da Mônica que era muito legal, ai pela metade dos anos 70.

o que é a morte para epicuro?
Sinceramente eu não sei. Mas sei que é melhor do que seria a morte para mim. Epicuro morreu, antes ele do que eu.

contribuiçao que sarney ja fez
Deixa ver… Deixa ver de novo… Ah! O livro “Marimbondos de Fogo”. (E a Roseana dava um caldo legal.)

fotos do himem complacente
Hímen Complacente era um sujeito legal. Na verdade o seu nome não era esse, era Oduvaldo, mas esse apelido lhe foi dado na infância e ficou. A razão ninguém sabe direito, mas a história que o Gilvan conta deve ser verdadeira: todo mundo dizia que Oduvaldo tinha cara de boceta, e como era um sujeito pacato, complacente, o nome parecia tão adequado que acabou ficando. Mas ele não tira fotos. Tem vergonha. Porque acha que fica com cara, você sabe: de boceta.

porque os jacarés e as galinhas não tem umbigo e os homens e os macacos o têm
Galinhas têm umbigo, sim. E quando mais bonitinho, mais chances a galinha tem de se dar bem. Eu, por exemplo, adoro um umbigo bonitinho.

quero ser corno como fasso
Arranje uma galinha com umbigo bonitinho.

coroas asima de 60 anos que fazem fimes pornos
Primeiro, vamos botar ordem aí na nomenclatura: sessentona não é coroa; é velha, mesmo. Não tente justificar a sua tara gerontológica com eufemismos. Isso posto, vamos lá: você não tem vergonha, não, querendo obrigar velhinhas fofas e desprotegidas a se submeter a um vexame como esse para conseguir ganhar a vida e complementar a aposentadoria do INSS? Você é podre.

significado do nome edilene
Vem do sânscrito. Significa “o viado do meu pai bem que podia ter me arranjado um nome melhor”.

o maior penes do mundo
menor pinto do mundo

Esse mundo é tão grande, tão variado… Como dizia o velho Oscar Valois, meu bisavô, tem gente para tudo neste mundo, e ainda sobra um para comer merda.

beijar na boca se passa sifilis?
Não, mas passa herpes.

contos eroticos evangelicos
Caro editor: sempre li as cartas deste fórum, mas nunca pensei que pudesse viver algo parecido, pois sou evangélico. No entanto, quero dividir com os leitores algo sensacional que aconteceu comigo no último fim de semana.

Meu nome é Euvanildo. Conheci Gislene no Primeiro Templo Batista de São Rafael. Ela era linda, com grandes seios tementes a Deus e uma bunda enorme e pia.

No meio do culto senti o seu olhar queimando sobre o meu falo descomunal, essa bênção que Deus me deu. Em poucos segundos ele estava reto como a cruz no altar à minha frente. Quando o culto acabou, ela se aproximou e perguntou: “Vamos ali fazer o serviço do Senhor?”

Fui para o quarto do pastor, que estava ocupado pagando um boquete nuns meninos abandonados por uns padres de Boston, e mandei ver. Rapidamente, tirei a minha roupa. Quando Gislene viu o tamanho do meu turíbulo, gemeu de prazer:

“Como é grande o trabalho do Senhor! Enfia esse turíbulo no meu ostensório!”

Mas eu queria seguir o exemplo do pastor. “Abre a boca e recebe a hóstia que te dou”, eu disse.

Ela respondeu: “Eis o mistério da fé, todas as vezes que comemos desse pão…”, e caiu de boca no meu apóstolo túrgido e latejante. Quando eu estava prestes a atingir o clímax, gritei: “Tomai e bebei, esse é o meu sangue!” Ela enlouqueceu: “Derrama, senhor, derrama, senhor, derrama sobre mim o teu amor!”

Sem nenhum intervalo, abri as pernas de Gislene.

“Agora tu vai pagar tua penitência, irmã…”

“Ai, assim! Isso! Me batiza com o teu ouro, com o teu incenso, coma tua mirra, com qualquer porra que você tiver aí!”

E eu batizei, de rijo. Quando ela cansou, virei a Gislene de quatro. “Abre o teu coração para o amor divino”, sussurrei no seu ouvido. “Aleluia, irmão!”, respondeu Gislene enquanto ficava toda molhadinha. Logo ela estava gritando: “Queima! Queima, senhor!”

Ela estava rezando o catecismo direitinho. E foi ficando cada vez mais excitada.

“Me bate, seu puto! Expulsa de mim esse demônio que queima o meu ventre!”

A Gislene falava meio rebuscado, mas eu não contei conversa: desci-lhe o exorcismo.

Quando finalmente terminamos, saciados e com a paz do Senhor em nossos corações, eu a pedi em casamento — porque sexo fora do casamento, mesmo para nós, povo de Cristo, é complicado. Vamos nos casar semana que vem e pretendemos ter seis filhos, que pagarão regularmente o dízimo. Aleluia.

rafael claro
Não sei qual era a pergunta. Mas a resposta é essa mesmo. Claro.

Canções de ninar neném

Comentário recebido ao post da Branca de Neve, de uma moça muito indignada chamada Bianca:

Sr. Rafael Galvao vc é um homem sem escrupólus e sem vergonha na cara ,pois sou uma adolescente de 13anos e me assustei quando lhe essa historia ridicula acho q vc n gostaria q um filho seu de menor lêsse essas barbaridades!!!Pense bem antes de fazer outras história assim pois, a minha mente ainda e de criança!!!Tome vergonha na cara!!!

Bianca,

Vergonha na cara é algo que nunca tive. Esse é o meu problema, é o que me faz escrever as bobagens que escrevo aqui. E ter consciência dele é o que me faz ouvir calado insultos como os seus, porque eu posso ser sem-vergonha mas sou justo, e essa é uma das poucas qualidades que não me podem negar.

Por isso me perdoe. Eu sei que a história de uma Branca de Neve filha da puta, que sequer dá para os anões prestimosos e precisados, anões que não comem ninguém além do Dengoso, pode mesmo ofender mentes puras e pueris como a sua.

Para me redimir desse atentado à inocência infantil, vou escrever em sua homenagem a história de Rapunzel, pobre vítima de uma bruxa lésbica e malvada que a aprisionou no alto de uma torre para que só ela desfrutasse (no sentido mais baixo e torpe que você puder conceber aí do alto dos seus 13 anos) dos seus encantos.

A bruxa, por sua vez, gostava muito de pêlos, se emaranhava neles e os preferia úmidos, e não permitia que Rapunzel cortasse o cabelo ou fizesse depilação. Rapunzel era linda mas tinha cada sovaco cabeludo que Deus benza.

Isso durou até o dia em que a peludinha se apaixonou por um príncipe bonito e charmoso, e suas pernas tremeram de desejo. Porque embora até gostasse da língua mégica e dos dedos curvos pela artrite da bruxa, Rapunzel não era uma devota fiel da poesia de Safo, e assim como a Xuxa e a Ivete Sangalo ela gostava mesmo é daquilo que balança. E o príncipe, verdade seja dita, balançava bem. Por isso Rapunzel não conseguia mais ouvir outra voz que não a do seu desejo, e o príncipe sequer precisou gastar muita conversa para que ela começasse a jogar suas tranças para ele na calada da noite.

E o príncipe subia pelas tranças louras de Rapunzel, um sacrifício grande que valia a pena pelo que o aguardava. E assim o príncipe se recompensava e recompensava a Rapunzel fazendo com ela coisas indizíveis durante toda a noite, e fazia barbaridades capilares, e ia embora quando a manhã chegava, satisfeito, ainda arrancando pêlos dos dentes.

O resto da história eu conto depois. Mas posso adiantar que o príncipe queria mesmo era fazer um mènage com Rapunzel e com a bruxa má. E é aqui que entra a moral da história, uma moral edificante para orientar a vida os caminhos de crianças puras como você. Sabe por que o príncipe queria comer a cabeluda e a velha sapata juntas, Bianca? Porque ele não tinha 13 anos. Porque assim como eu, e ao contrário de você, ele não tinha uma mente pura e pueril, e se tinha deixado degenerar e corromper pelo infame mundo que nos cerca.

Por causa disso, por causa do respeito que ainda devo a essa inocência evanescente que pessoas como eu teimam em conspurcar, eu aceito suas críticas e seus vilipêndios.

A propósito, uma correção. Eu não sou inescrupuloso, nem mesmo em português correto. Eu sou imbecível, e por isso escrevo essas coisas sujas que ofendem mentes pueris como a sua.

Por favor, me perdoe.

A seqüência lógica dos fatos

Há umas três semanas.

Arrombam o carro da minha namorada e roubam, entre outras coisas, meu computador, minha agenda e umas besteiras mais. Duas horas depois, chego ao aeroporto e descubro que o vôo foi cancelado. A TAM paga o hotel em que fico, mas no dia seguinte, logo cedo, me acordam avisando que uma amiga morreu. Chego ao aeroporto e descubro que o avião em que vou viajar é um Fokker 100 — o único avião no mundo que me mete medo. Pouso no Rio e, não mais que de repente como num soneto de Vinícius, chove em um dia o que deveria ter chovido em um mês.

Agora eu vivo com medo de que finalmente descubram que foi por minha culpa que o Rebouças foi soterrado.

Houve um tempo

A foto acima foi descoberta há alguns dias. Data de eras ancestrais. Segundo a anotação em seu verso, ela aparentemente foi retirada do arquivo do extinto Jornal de Sergipe, e registra uma manifestação da União da Juventude Socialista contra a internacionalização da Amazônia, em 1991, em frente ao antigo Palácio do Governo de Sergipe.

A anotação está errada. Essa foto é de 1989. Essa manifestação é provavelmente de apoio à candidatura de Lula, ou algo parecido. Não sei. Eu não lembro desse dia. Mas sei que a foto é de 89 pelas camisas da UJS que eu e Alberto estamos usando e pelos meus óculos. Em 1991 eu não usei óculos.

Ali estão em pé Marcelo Lima, hoje presidente da Associação de Defesa Homossexual de Sergipe; Rafael Galvão, hoje emérito blogueiro decadente; Ronaldo Maia, hoje assessor parlamentar da Ancine; e Alberto Paixão, hoje diretor da Ética Publicidade.

Na época éramos todos coordenadores estaduais de alguma coisa na UJS. E eu e Ronaldo, em atividades paralelas à militância política, éramos diretores da clandestina UJA — União da Juventude Aloprada.

Uns 18 anos se passaram. Marcelo está mais gordo (o que foi uma grande vantagem para aquele magrelo) e com cabelos brancos que começam a rarear. Ronaldo agora corta o cabelo. Alberto está gordo e careca. E eu, além de tantos e tantos quilos a mais, hoje tenho fobia a falar em público.

Esse é um post para lembrar que a juventude já passou. E para lembrar que o passado é cada dia mais confuso, mais difuso, e que logo, logo vai se acabar.

O desiluminado

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