A Vivien fez uma pergunta no penúltimo post:
(levantando a mao) posso perguntar? por que um dos blogueiros mais inteligentes (vc, caso nao tenha entendido…daaaaa) dessa tal de blogosfera ainda teima em pagar de adolescente punheteiro??
Ô, Vivinha… Faz assim comigo, não. Eu gosto tanto do Mãe Joana… Mas vamos lá, deixa eu responder.
1 – Porque minha idade mental é de 2 anos, e o doutor já disse que não aumenta.
2 – Porque eu posso não ser mais adolescente, mas…
3 – Porque, como o Alexandre lembrou, algumas verdades são universais.
4 – Porque eu sou um sujeito muito complexo.
5 – Porque eu não sou um sujeito sério.
6 – Porque eu sou um caso sério.
7 – Ah, essa estranha dicotomia ibérica entre inteligência e trabalhos manuais…
8 – Porque a Jolie é realmente melhor que o Tarantino. Eu acho.
9 – Pior é o Alex, que gosta de pé.
10 – Mundo de merda. O Bia escreve um livro chamado “Sexo Anal” e é o gênio da nossa geração. Eu respondo uma pergunta, uma simples pergunta, e viro adolescente punheteiro.
11 – Porque, como publicitário, eu dei um conselho válido mesmo que isso me custe respeitabilidade.
12 – Porque propaganda é a alma do negócio. O Alex pede pés e recebe. Então…
13 – Falta dessas coisas é um horror, sobe para a cabeça e aí nego fica assim, só pensando nisso…
14 – Porque eu gosto de cachorras. Jolie é nome de cachorra.
15 – Porque eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, Rafaeeeeel…
Originalmente publicado em 2 de fevereiro de 2007 @ 10:03
Ao longo dos quase quatro anos em que este blog está no ar, muitas pessoas, de maneira consistente e regular, deixaram comentários a um post antigo sobre “Daniel Boone”, que está perdido em algum lugar (seriado sobre o qual devo falar novamente, quando a preguiça deixar).
Ninguém, no entanto, deixa comentários no único post sobre Married With Children. Ninguém procura no Google por ele. As pessoas parecem ignorar esse seriado, mesmo que ele tenha sido um dos que passaram mais tempo no ar, recorde batido depois pelos Simpsons, e que o canal Sony tenha exibido reprises até pouco tempo atrás.
Married With Children foi o melhor seriado que a TV americana produziu em toda a sua história — e isso inclui unanimidades como “Os Simpsons” ou “Seinfeld”. Contava o dia-a-dia de uma família típica americana, os Bundy: pai, mãe, filho, filha, cachorro. Poderia ser igual a tantos outros seriados — qualquer um pode citar pelo menos cinco feitos dessa matriz, o american way of life soletrado para simplórios — não fosse por um pequeno detalhe: em Marrried With Children não havia amor, felicidade, não havia redenção, não havia nada. Havia esperança, sim; mas ela nunca conseguia chegar ao final do episódio. E por isso os Bundy eram uma família tão típica quanto, por exemplo, as pessoas felizes de “Cosby”; só que era mais verdadeira.
Foi talvez o seriado mais vulgar feito pela TV americana. E também o mais selvagemente engraçado, o mais cínico, o mais insolente. Principalmente, foi o mais cruel seriado americano já feito.
O cinismo começava pela música de abertura, Love and Marriage de Frank Sinatra, talvez a maior antítese possível ao que o seriado mostrava (“Love and marriage, love and marriage / Go together like a horse and carriage“); passava pelo nome da família, Bundy, que não lembra coisas boas a nenhum americano. E terminava no prazer sádico com que humilhava todos eles. Apresentava uma visão das instituições mais sagradas americanas, o casamento, a família e o tal sonho americano, como eles realmente são para milhões de pessoas — respectivamente o fim de qualquer esperança de felicidade, uma ilusão que não passa muito do primeiro orgasmo (dele, não dela), e um grande, interminável e mesquinho pesadelo.
O modelo familiar era subvertido: Al Bundy era um fracassado na escala mais baixa da cadeia alimentar masculina (vendedor de sapatos femininos, o que o fazia ter pesadelos à noite com senhoras imensamente gordas de pernas abertas diante dele); Peggy Bundy era uma dona de casa preguiçosa e mal amada; Bud Bundy era um bobo que não comia ninguém e cuja única companhia feminina era uma boneca inflável; e Kelly Bundy era uma adolescente promíscua e indefensavelmente burra.
Com esses ingredientes Married With Children foi capaz de fornecer um dos mais acurados retratos da família típica americana. Não há concórdia, há raiva, inveja, despeito, desprezo mútuo; não existe amor, existe apenas o fracasso que os mantém juntos. De uma forma torta, eles são, sim, uma família; mas apenas porque não podem aspirar a nada melhor que isso.
Walter Mosley é, na minha opinião, o melhor autor policial da atualidade. As pessoas devem conhecer pelo menos um livro dele, porque virou filme: “O Diabo Veste Azul“, com Denzel Washington no papel de Easy Rawlins. Desgraçadamente, há apenas outro livro seu publicado em português, Little Scartlet, com o título estúpido de “Quem Matou Nola Payne?” porque editores brasileiros parecem não conseguir perceber que, na velha e boa tradição do hard boiled, quem matou quem é o que menos importa. Essas perguntas ficam para farsantes como Agatha Christie. E com apenas esses dois livros em português os leitores brasileiros perdem a chance de ler bons romances noir como Black Betty e A Red Death.
Há quatro anos, quando a Fox, canal que exibia originalmente o seriado, fez um especial de reunião do elenco de Married With Children, Mosley escreveu um artigo para o New York Times que o definia com perfeição. Ele lembra que Al Bundy era o seu herói porque era um sobrevivente, no único seriado que não sentia a necessidade adulatória de redimir a classe trabalhadora com uma visão rósea e falseada de sua realidade. Era um artigo tão bom que eu guardei, e que agora disponibilizo aqui.
Porque Al Bundy também era o meu herói. Havia algo de tremendamente familiar em sua estupidez, no jeito como chegava em casa todas as noites, enfiava a mão dentro das calças e assistia ao seu seriado preferido, Psycho Dad, que sublimava o que podiam ser suas maiores vontades.
Como eu disse, ninguém deixa comentários no post sobre Married With Children, enquanto enchem regularmente a caixa do post sobre “Daniel Boone”. Mas “Daniel Boone” é um seriado que deixou de ser exibido há pouco mais de vinte e cinco anos. Talvez daqui a umas duas décadas as pessoas consigam lembrar de Married With Children. Mas é improvável. Se “Daniel Boone” impressiona pelos sentimentos nobres e pelos bons exemplos, Married with Children só pode impressionar pelo retrato feio que faz da família e dos bons costumes. E disso ninguém gosta de lembrar.
Originalmente publicado em 31 de janeiro de 2007 @ 0:00
Não é comum ver matérias sobre os Beatles escritas por quem realmente entende do assunto. E o Marcelo O. Dantas entende. Publicou um belo artigo na Piauí de dezembro (que já tinha sido mostrado em parte no material de divulgação do primeiro número da revista, há alguns meses). Dantas cria, para começar, um trocadilho que define à perfeição o arquétipo da dupla Lennon & McCartney: apaulíneo e johnisíaco. Normalmente não gosto de trocadalhos do carilho, mas esses fazem sentido.
Como descobri agora que o artigo está disponível online, vale a pena linkar o danado.
É definitivamente um grande texto sobre os Fab Four. Por exemplo, ele lembra que os Beatles eram uma grande banda cover. Gravavam canções de outros artistas como ninguém, e muitas vezes faziam das suas as versões definitivas (é só pensar em Twist and Shout, Long Tall Sally e Words of Love, em que a mudança de acordes — C, F e G para A, D e E — muda completamente a canção). Normalmente esse fato é um pouco obscurecido pela concepção geral de que os Stones eram uma banda infinitamente superior ao vivo. Um equívoco baseado na percepção do esquema da beatlemania: shows de meia hora repetindo sempre a mesma performance, para um público histérico cujos gritos tornavam impossível ouvir qualquer coisa. Para entender o que foram os Beatles ao vivo, o melhor é ouvir as gravações semi-oficiais feitas no Star Club, em Hamburgo, 1962. A qualidade de som é deplorável, mas ali está a prova definitiva: como Lennon sempre disse, os Beatles eram uma pequena grande banda de rock and roll.
No entanto discordo da grande influência negra apontada pelo Dantas. É mais fácil encontrar a influência de Buddy Holly, que tem origens claras no country & western, embora Chuck Berry e Little Richard sejam fundamentais também. Essas influências, aliás, são as mais divulgadas. Mas há outra na qual se fala um pouco menos: os Everly Brothers. Brancos e caipiras até a medula. É impressionante como Lennon e McCartney se esforçavam para soar como Phil e Don. Até o final.
O Marcelo Dantas também analisa com muita propriedade a dialética entre a dupla e as razões de sua permanência. Aquilo que faz uma garotada que sequer viu Lennon vivo se apaixonar por uma banda que acabou há quase 40 anos. Faltou apenas lembrar que um dos principais fatores para a permanência da banda é a sua dedicação absoluta à canção.
Numa banda comum — e isso vale para qualquer uma, dos Rolling Stones ao Led Zeppelin — uma canção normalmente tem que se adaptar à banda. Ou seja: precisa deixar espaço para o vocalista, para os solos do guitarrista, para os desvarios do baterista. Nos Beatles acontecia o contrário: a banda tinha que se adaptar à canção. Se ela precisava que Paul McCartney, um dos melhores, mais melódicos e certamente o mais influente baixista em sua época, tocasse apenas tumtumtum (ou seja, ficasse apenas nas root notes), ele tocava. Se ela dispensava a bateria, Ringo esperava lá fora.
É isso que faz dos Beatles a banda com o maior número de canções eternas, que resistem ao tempo e se tornam atemporais.
O artigo só tem um erro factual:
Get Back — o melhor rocker de toda a obra dos Beatles — nasceu da (compreensível) irritação de Paul com Yoko e do seu desejo de deixar bem claro quem continuava a ser o dono do pedaço.
Na verdade, Get Back foi criada aos poucos em janeiro de 1969, durante as gravações do que seria o filme Let it Be (e quanto a ser o melhor rock, bem, isso é questão de opinião; não é a minha). Nasceu como um comentário à crescente resistência dos ingleses aos paquistaneses que chegavam à Inglaterra em busca de sub-empregos. Suas versões iniciais são conhecidas como “Commonwealth“.
Numa das primeiras versões gravadas, quando a canção não era mais que um rock and roll no estilo de Elvis, Paul, ainda improvisando a letra, ataca o refrão: “Commonwealth ” — e Lennon, em falsete, responde: “Yes?“. McCartney não segura a risada, e a brincadeira dá o tom da música dali em diante. (Isso ajuda a confundir um pouco o mito da banda que não se suportava durante as gravações do Let it Be. No mínimo mostra o quanto todos os dois ficavam felizes quando viam que agradaram ao parceiro.)
As versões seguintes — melodicamente já Get Back, mas ainda sem letra além do refrão — são conhecidas por No Pakistanis; uma das gravações começa com Paul dizendo: “Don’t dig no Pakistanis, taking all they people’s jobs“,
Finalmente, a canção se transforma em Get Back, sem nenhuma referência à questão dos imigrantes — e dela há uma infinidade de versões, como uma cantada por Lennon e outra, por McCartney, em alemão.
Claro que é bem possível que McCartney, em algum momento, tenha aproveitado a chance para dar um recado a Yoko. Lennon dizia que McCartney olhava para Yoko enquanto gravava a canção, o que é, no mínimo, discutível. Mas isso não quer dizer que ela foi concebida como uma alfinetada na senhora Lennon.
De qualquer forma, essa implicância minha é bobagem. Há um erro na minha opinião mais grave, por ser de avaliação — porque o artigo impressiona pela sua altíssima qualidade justamente nesse quesito: é quando Dantas diz que Lennon e McCartney se tornaram compositores com altos e baixos após o fim da banda.
Não, não. Eles continuaram os compositores geniais que sempre foram. Mas agora tinham que publicar também a sua produção menor, aquela que não conseguia sobreviver à concorrência com o parceiro e ao crivo do resto da banda. Se antes brigavam para emplacar 5 ou 6 canções, sozinhos tinham que encher um álbum inteiro. É mais adequado dizer que tanto Lennon quanto McCartney lançaram bons e maus discos depois do fim da banda. Ainda assim, é impressionante que álbuns como Imagine ou Band on the Run tenham qualidade comparável à da maior banda de todos os tempos.
Finalmente, há uma lacuna na interpretação da dialética da parceria Lennon/McCartney. Dantas repete a interpretação dominante: que Lennon instigava McCartney a escrever letras melhores, e que como letrista, ainda que pelo exemplo, dava um tom mais sóbrio, às vezes sombrio, às canções de McCartney.
Isso é absolutamente correto, mas não é tudo. Nessa definição falta um entendimento um pouco mais amplo da dialética, e subestima-se a capacidade de Lennon como músico.
McCartney sempre foi um compositor de criatividade melódica extrema, mas que muitas vezes encontrava dificuldade para dar coesão às suas canções. Por exemplo, é só ver as últimas três canções de seu álbum Ram, de 1971. São oito temas musicais distintos, e todos brilhantes. Na verdade, eram pequenos trechos que ele não desenvolvia e tentava costurar em um lugar só, mais ou menos na linha do lado B do Abbey Road.
Lennon atuava muitas vezes como editor das músicas, dando consistência ao trabalho de McCartney. Obrigava-o a se esforçar um pouco mais e polia as músicas do parceiro. E esse papel é muitas vezes subestimado, porque vêm Lennon prioritariamente como letrista e quando eles se referem ao “edge” dado por ele, pensam imediatamente nas letras. Não era só isso. Isso dizia respeito à música, também. Ou melhor, principalmente à música. Afinal, como lembrou brilhantemente o Dantas, é isso, a música, o que conta nos Beatles.
Originalmente publicaddo em 29 de janeiro de 2007 @ 0:00
Para a Criss, a eleição ainda não acabou.
Ela deixou um comentário interessante ao último post. Num comentário anterior, eu tinha mencionado erros de campanha do PSDB/PFL. Ela interpretou como erros de marketing político. Não era bem isso. Por erros de campanha eu me referia, basicamente, a erros de conceituação política e mesmo programática.
Por exemplo, a Criss identificou uma disputa de publicitários se sobrepondo ao conteúdo de campanha. Sobre isso já escrevi algumas coisas. Basicamente, eu dizia o seguinte: a classe média se acha esperta porque sabe que são publicitários que fazem os programas eleitorais. Enquanto isso, o velho e bom proletariado, alheio a isso, presta atenção ao programa como obra do político — como, aliás, deve ser, porque ninguém vota em publicitários. No fim das contas essa consciência, especificamente, não altera em nada a percepção dos programas. Mesmo assim, talvez por vaidade, de modo geral a classe média incorre no erro de achar que a política é definida pelos publicitários. Não é. Nunca foi. Nunca será.
Mas o mais grave é que, justamente em relação à campanha passada, esse tipo de avaliação está mais equivocado do que nunca.
Avaliar que erros de marketing político foram o que houve de mais grave na campanha do PSDB/PFL é reduzir demais as coisas, e pior: é subestimar o papel do confronto ideológico nessas eleições.
Erro de marketing político, para o PSDB, foi cair na armadilha da discussão sobre privatizações; talvez também tenha sido um erro negar o seu carinho atávico pelo escambo do aparato estatal. O problema é que a questão realmente existia; mais que isso, o PSDB reconhecia a antipatia que a privatização gerava e estava disposto a simplesmente mentir. O caso serve para ilustrar um fato simples: no final das contas, a eleição girou em torno da escolha entre um projeto historicamente privatista e o de Lula.
Quando eu soube que haveria segundo turno para presidente — ao mesmo tempo em que, em compensação, soube que o Jacques Wagner tinha vencido na Bahia –, confesso que fiquei assustado. Um jornalista amigo meu disse na hora: “Lula perdeu a eleição.” Porque muitas vezes, quando uma candidatura que tinha tudo para vencer no primeiro turno cede um segundo, indica que está caindo enquanto a outra está subindo. É por isso que viradas são relativamente comuns no segundo turno.
(Pouco antes das eleições o Marcos Coimbra fez uma análise perfeita do mecanismo eleitoral em turnos na Carta Capital. Derrubou o mito de que segundo turno é outra eleição, e deu uma aula de leitura de pesquisas.)
Mas essa eleição foi diferente. Por um lado, a ascensão momentânea de Alckmin foi um fenômeno localizado, criado por razões muito simples: a idiotice do PT paulista e a oposição cerrada e extremamente desleal da grande mídia. O resultado é que, passado o efeito do tal dossiê, conseguiu-se um feito inédito na história das eleições brasileiras: um segundo turno em que o desafiante teve ainda menos votos que no primeiro turno. Houvesse um terceiro turno e o Alckmin ficaria devendo votos.
Isso a Criss admitiria sem dificuldade. Ela erra, no entanto, é ao colocar a política em segundo plano.
É difícil lembrar de alguma eleição, na história do Brasil redemocratizado, com um caráter ideológico tão marcado como este. Nem mesmo a de Collor. Graças ao segundo turno, ficou bem claro que o que estava em jogo eram dois projetos políticos bem diferentes. E o que parecia ser uma tragédia acabou sendo a mais absoluta legitimação de Lula e do seu projeto de governo.
Se as eleições serviram para apagar alguns mitos sobre o primeiro governo Lula — como a sua “traição” ao projeto social da esquerda — o segundo turno, especificamente, derrubou de uma vez o mito de que eram apenas os pobres que sustentavam a candidatura de Lula. A virada no sudeste, o crescimento na classe média e os resultantes 1,5 milhão de votos a menos para Alckmin deram uma força que Lula dificilmente teria vencendo no primeiro turno. Uniu o projeto das esquerdas em torno do seu nome, mais uma vez. Os eleitores da Gralha das Alagoas, por exemplo, não foram para Alckmin (com exceção da mãe da moça, ainda magoada). Os de Cristovam Buarque também não. Lula podia não ser sua primeira opção, mas ainda representava um projeto mais palatável que o do PSDB/PFL. Pior: muita gente que tinha votado em Alckmin no primeiro turno pensou melhor e decidiu voltar para os braços de Lula. E a principal responsabilidade sobre isso está, justamente, no fato de que graças ao segundo turno a diferença entre os dois projetos ficou clara. Se o PSDB/PFL engoliu a isca da privatização, foi porque não podia negar, consistentemente, a sua história.
A eleição se transformou também em mais que um referendo sobre o bom ou mau desempenho de Lula presidente: se tornou uma decisão entre visões diferentes de Estado. E, paradoxalmente, levou a uma situação em que a oposição estaria hoje mais forte se não conseguisse chegar ao segundo turno. Para o governo, o segundo turno acabou sendo uma bênção.
Em vez de ficar repetindo os bordões de campanha, a oposição deveria catar seus cacos e repensar sua estratégia. Hoje têm dois bons candidatos em potencial, o Aécio e o Serra, com chances reais de trazer de volta o PSDB ao poder — embora aqueles que já os vêm como candidatos virtualmente eleitos sejam muito, muito, muito precipitados. Deveriam entender que, nas próximas eleições, terão se passado 8 anos desde a era FHC. Deveriam aprender com o governo Lula. Por exemplo, deveriam deixar de lado sua visão elitista de mundo e falar de crescimento do PIB quando o povo descobre que está comendo melhor.
No fim das contas, enquanto a oposição continuar sem admitir que a derrota foi do seu projeto político, e não apenas do picolé de chuchu diet, e que esse projeto precisa ser revisto, ela vai continuar a perder. Se conseguirem, em vez de ficar tapando o sol — ou melhor, a estrela — com a peneira, talvez tenham melhor sorte no futuro.
Originalmente publicado em 12 de janeiro de 2007 @ 10:53
E os escribas e fariseus trouxeram a Ele uma mulher apanhada em adultério; e quando a puseram entre a multidão, disseram a Ele, Mestre, esta mulher foi apanhada em pleno adultério. Moisés nos ordenou na Lei que tais mulheres devem ser apedrejadas; mas o que dizes Vós?
Assim falaram eles tentando-o, para que pudessem acusá-lo. Mas Jesus se abaixou, e com o dedo escreveu no chão [como se não os ouvisse].
Então, quando eles continuaram a lhe perguntar, Ele se levantou, e disse a eles, Aquele que entre vós não estiver em pecado, que atire a primeira pedra.
E novamente Ele se abaixou, e escreveu no chão.
E aqueles que ouviram, condenados pela [sua própria] consciência, saíram um por um, começando pelos mais velhos, até o último: e Jesus foi deixado sozinho, com a mulher parada entre a multidão.
Quando Jesus se levantou, e não viu ninguém além da mulher, disse a ela, Mulher, onde estão aqueles que vos acusavam? Ninguém vos condenou?
Ela disse, Ninguém, Senhor. E Jesus disse a ela, Nem eu vos condeno; vai, e não tornai a pecar.
Mas em verdade, em verdade vos digo: e Schlomo, que era ateu e não tinha pecados porque pecado é especificamente um conceito de transgressão do código moral definido por uma religião, voltou até onde Jesus e a vagabunda estavam, e pegou uma pedra deste tamanho, e tacou nos cornos da vagabunda, e a vagabunda estrebuchou no chão, e morreu, e Jesus saiu murmurando “ateu filho da puta…”.
Originalmente publicado em 12 de dezembro de 2006 @ 0:00
Sábado, dois de dezembro de 2006. Um sujeito se aproxima de mim, no Porto da Barra, e me pede um cigarro. Aquele que estou fumando é o último do último maço, e ele então pede um a minha mãe, ao meu lado.
Ele tem o cabelo pintado de louro, mas a água oxigenada foi passada já há algum tempo, e o louro está ficando escuro, quase ruivo. É um sujeito esquisito, os dentes em péssimo estado, e parece ter bebido e fumado tudo o que podia durante a longa noite de sexta-feira, e talvez um pouco mais. Não parece ter 20 anos, mas aparências enganam, quase sempre.
Ela olha para mim, já esquecida do que é ser baiana, e eu digo para dar o cigarro. Não se nega um cigarro, nem mesmo a um sujeito esquisito como aquele, nem mesmo a gente que parece estar sempre pedindo. Devemos todos seguir um código de ética rígido e cavalheiresco, e colaborar com os enfisemas uns dos outros.
– Valeu, coroa.
Ele acabou de fazer uma inimiga, pela insolência. Mas não liga, talvez nem perceba isso, e desaparece em meio à multidão que começa a se formar na praia.
Depois de um hippie que passou alguns bons minutos sentado diante de nós tentando nos vender uma mandala de arame, contando estar em Salvador apenas o tempo suficiente para conseguir dinheiro para voltar a Morro de São Paulo — mandala que, pela graça e suavidade com que o hippie conta suas histórias, até merecia ser comprada –, o sujeito do cabelo oxigenado e dos dentes estragados volta.
– Bróder, me arranje outro cigarro, a segunda.
– Porra, meu irmão, de novo?
– Que é isso, rei, você é bróder… É o último.
Eu acabo dando; tanta cara de pau merece ser premiada.
– Você mora aqui no Porto?
E assim, na sua mente ainda turva, toda e qualquer dúvida sobre eu ser um turista como a lourinha muito branca que desde ontem está numa cadeira ao lado com o filho que ainda mama, mas que hoje traz umas tranças mal-feitas provavelmente feitas no Pelourinho (se ela me perguntasse eu poderia recomendar uma moça, a Isabel, que faz tranças e tererês muito melhores, mas é lá no Alto do Coqueirinho) se esvanece. Por causa de um cigarro, porque.
Curioso é que na Bahia as pessoas não costumam ser tão tolas; já me perguntaram no Rio se eu falava português, e eu não tenho absolutamente nenhuma, nenhuma cara de gringo. Na cidade da Bahia elas simplesmente sabem, assim como os taxistas baianos no aeroporto nunca me perguntam se quero um táxi quando saio para fumar, ao contrário do que acontece no Galeão. Mas o sujeito parece que bebeu e fumou e cheirou o que podia, é o que eu acho, e então ele tem perdão.
É esse um segredo do baiano, tentar aplicar descaradamente em alguém para ver se cola; o outro segredo é o de simplesmente reclamar, tá achando que eu sou trouxa?; é como um código. Um turista se assustaria, ou simplesmente diria que não tem; o baiano tem menos paciência e reclama do descaramento, um descaramento que também costuma ser seu. Deixa ele achar que eu também sou baiano.
– Não, mais pra lá — e aponto para o norte.
– No Farol?
– Não, mais pra lá.
– Rio Vermelho?
– Não, mais pra lá — penso em parar a brincadeira em Lauro de Freitas, é longe o suficiente, mas ele não pergunta mais:
– Mas já morou aqui?
– Fui criado neste canto da praia.
– Massa, bróder.
Sorriso protocolar como resposta.
– Meu nome é Ramon. E o seu?
– Rafael.
– Valeu mesmo, rei. Qualquer coisa eu tô sempre por aqui. Precisando…
– Valeu.
E então ele vai aproveitar a sua praia enquanto o sol brilha, que hoje é sábado e só Deus sabe o que a noite fará dele. Mas não sei quem precisa mais de quem; pelo menos de cigarros eu sei que é ele.
Dali a pouco Ramon está brincando de bola com uns meninos por ali, provavelmente conhecidos naquele mesmo instante. Se faz amigos com muita facilidade no Porto da Barra. E o mais engraçado é que ele brinca como criança, talvez ainda mais desajeitado que elas, e suas pernas estão sempre apontando caminhos diferentes. Eu tiro algumas fotos. Fico com o sujeito na cabeça. Ramon é o baiano típico, mas é também atípico, e é isso o que me intriga nele. Ao mesmo tempo, sei que é por causa de pessoas como ele que aquele pessoal que ainda mora na Barra, inconformado com a decadência estrondosa e inevitável do bairro que há trinta anos parecia o Leblon mas hoje mal chega a Copacabana, evita ir para a melhor praia do mundo bem à sua frente para se enfiar nos confins de Guarajuba ou ainda além. A Barra é uma praia para ser freqüentada apenas durante os dias de semana, se você tem boa vontade.
Mas isso não é da minha conta. O Ramon pode não saber, mas eu sou turista. E tenho mais em que pensar. Nesse exato momento, minha filha está mergulhando do quebra-mar do Porto da Barra, como eu mergulhava quando tinha exatamente a sua idade, e eu tenho que tirar fotos. Penso apenas que o pobre do Simba não tinha máquina fotográfica na Pedra do Rei, e eu tenho mais sorte; e talvez também porque em vez de Scar eu tenho o Ramon por perto.
Originalmente publicado em 20 de dezembro de 2006 @ 12:49
Rafael diz:
Não. Eu sou o fantasma dos natais passados. Aquele que só parece bonzinho porque os que vêm depois são uns filhos da puta.
Karine diz:
credo…
Karine diz:
então faz favor de me dar a bicicleta q pedi aos 10 anos e que até hj eu espero seu papai noel fdp
Rafael diz:
Olha o respeito.
Rafael diz:
Fantasma, não Papai Noel.
Karine diz:
E o Papai Noel não pode te dar a bicicleta que você pediu porque morreu, atropelado pelo Rudolph, a rena do nariz vermelho.
Karine diz:
menino mas q miseria vc me enrolou e me tirou a explicação do pq a bicicleta nao veio… ate hj eu espero
Rafael diz:
Não te enrolei.
Rafael diz:
Eu falei a verdade.
Rafael diz:
Papai Noel morreu. Ia ser devorado pelo Lobo Mau, fugiu pela chaminé dos 3 porquinhos e foi escaldado.
Karine diz:
cada hora ele morreu de um jeito
Karine diz:
decida-se
Rafael diz:
Não falo de jeitos diferentes. Falo a verdade. O Papai Noel se estabocou no chão quando caiu da torre da Rapunzel.
Karine diz:
merdaaaaaaaaaaaaa
Karine diz:
nao acredito
Rafael diz:
Não.
Rafael diz:
Falo que ele morreu linchado pelos seus duendes, que queriam aumento de salário.
Karine diz:
rafa eu vou te matar
Rafael diz:
Me matar só porque o o Papai Noel morreu de sífilis que pegou da Cinderela?
Rafael diz:
Injustiça. O velho devasso come qualquer coisa e eu, que não como ninguém, pago o pato.
Karine diz:
seu peste
Karine diz:
pirracento
Rafael diz:
Pirracento por quê?
Rafael diz:
Porque o Papai Noel morreu sufocado ao engolir sem querer o Pequeno Polegar?
Karine diz:
pq eh mto mau
Karine diz:
ja me contou umas 5 mortes de papai noel…buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Karine diz:
seu putooooooooooo
Karine diz:
ele nao morreu ta
Karine diz:
ele ta vivo
Karine diz:
e mora na terra do papai noel onde gente como vc nao entra
Rafael diz:
Não foram 5 mortes.
Rafael diz:
Foi só uma.
Rafael diz:
O Papai Noel comeu uma maçã envenenada dada pela Madrasta Má da Branca de Neve.
Karine diz:
to quase mandando vc tomar no toba…
Rafael diz:
Quem tomou no toba foi o Papai Noel, que morreu depois de ser estuprado repetidas vezes pelo gigante de João e o Pé de Feijão.
Karine diz:
rafael tomara q as fadas e os duendes venham à noite, quando vc tiver dormindo, e enfiem o saco gicante do papai noel no seu rabo e nessa sua boca porca que desilude criancinhas
Rafael diz:
Eu só falei a verdade: que o Papai Noel morreu em uma crise de asma contraída do Gato de Botas.
Karine diz:
vadiooooooooooooooooooo
Karine diz:
soh pq vc eh um à toa descrente, não significa que o resto da humanidade seja igual a vc
Karine diz:
seu desalmado
Karine diz:
seu sem-compaixão
Rafael diz:
Desalmado porque contei que o Papai Noel morreu depois de comer a Pequena Sereia, que estava contaminada por mercúrio?
Karine diz:
eu acredito em papai noel
Karine diz:
tanto q ate hj espero a porra da bicicleta
Karine diz:
bicicleta… pq simplesmente eu nao esqueci dela?
Karine diz:
simples… pq minha carta ta vagando por ai
Karine diz:
enquanto a carta nao chega la e ele nao vem, a gente fica assim meio no limbo dos presentes q nao desceram
Rafael diz:
Karine… O Papai Noel, na verdade, usou a sua carta pra limpar a bunda.
Karine diz:
filho da puta
Karine diz:
isso nao se diz a uma criança…
Karine diz:
eu agora tenho pra o resto da vida essa imagem do bom velhinho com a bunda gorda, branca e varizenta, se limpando com a minha carta… e tudo culpa sua
Rafael diz:
Eu sei que a verdade dói.
Rafael diz:
Mas alguém precisa fazer esse trabalho sujo.
Karine diz:
vc acabou com meus sonhos infantis
Rafael diz:
Acabei?
Rafael diz:
Pronto.
Rafael diz:
Agora vamos falar putaria.
Originalmente publicado em 10 de novembro de 2006 @ 0:00
Há 52 anos, um homem cunhou uma frase belíssima sobre um então candidato a presidente. “Juscelino não pode ser candidato, se candidato não pode ser eleito, se eleito não pode ser empossado, se empossado não pode governar.”
O nome do sujeito era Carlos Lacerda. Homem absurdamente brilhante — certamente mais brilhante que a grande maioria da oposição de hoje –, mas também um dos maiores cancros que a sociedade brasileira já produziu.
Felizmente, apesar dos apelos de Lacerda, Juscelino foi candidato, eleito, empossado e realizou um governo memorável.
O golpismo de Lacerda, no entanto, não acabou ali. Tinha atrás de si uma vitória, ser um dos principais responsáveis pelo suicídio de Getúlio Vargas. Já tinha conseguido alguma coisa. Nos dez anos seguintes, Lacerda pediu incessantemente o golpe militar. Foi atendido em 1964, mas foi também uma de suas primeiras vítimas.
Carlos Lacerda morreu em 1977, politicamente destruído, vários anos depois de o partido de que era símbolo, a UDN, ter sido extinto pela ditadura da qual foi um dos principais artífices. Os militares sabiam que não podiam contar com aqueles golpistas. Aquelas vivandeiras eram muito pouco confiáveis.
Mas agora, quase 30 anos depois, o seu cadáver de triste lembrança foi exumado pela oposição tucana. Desesperados diante do que tudo indica será uma derrota incontestável, os tucanos sobem às tribunas para pedir, sem nenhuma vergonha, o golpe puro e simples, como o venerável senador sergipano José Almeida Lima, ex-prefeito e homem hoje rico, que utilizou a tribuna do Senado na semana passada para declarar que “não podemos tolerar a vitória da corrupção” e que o governo de Lula “tem que ser interrompido”. Assim como a UDN naqueles tempos, o discurso tenta usar disfarces democráticos. Mas as entrelinhas são grandes demais. E são golpistas.
O raciocínio é simples: se a gente não consegue ganhar no voto, vai ganhar no grito.
E assim cai o véu. O jogo democrático não interessa a eles. O discurso da vontade soberana do povo, para eles, é só isso: discurso. Vestindo a túnica puída da UDN, o PSDB sobe às tribunas pedindo o golpe. O povo, para eles, só sabe votar quando elege um tucano. Quando deixa claro que acredita no governo e que acha que, com Lula presidente, vai comer algo melhor que chuchu ao molho FHC, os neo-udenistas se acham no direito de recorrer ao golpe e à destruição da democracia.
Essa é a nova UDN, vestida de azul e amarelo.
Durante os primeiros anos do governo Lula, o tucanato elevava a voz para falar do seu republicanismo. Dir-se-ia serem vestais a serviço da democracia. Se não havia diálogo com o governo, era porque o governo Lula tinha tendências autoritárias, tinha voltado as costas para o social (é engraçado e estranho ouvir o PSDB dizer isso, mas na oposição a gente pode falar o que quiser). Com o escândalo do mensalão, eles passaram a ter algo mais concreto nas mãos. Mas a verdade é que a nova UDN ainda não está acostumada a fazer oposição, e errou na medida.
Por isso o ódio udenista da oposição passou dos limites. Com sua histeria e ferocidade, acabaram criando uma certa repulsa por parte de quem interessa: o povo. O que as últimas pesquisas do Ibope, do Datafolha e do Vox Populi indicam é que, apesar de tudo, apesar de ano e meio de campanha cerrada, o povo continua dizendo não às múmias udenistas. Apesar de todos os ataques a Lula dos últimos meses, o povo brasileiro continua reconhecendo uma coisa simples: para ele, o governo Lula foi o melhor dos últimos tempos.
Enquanto a oposição bate há tempos e de maneira burra na tecla do baixo crescimento econômico do Brasil, o que o povo entende é outra coisa: que as classes mais baixas, nesses quatro anos, melhoraram e muito de vida. O que ele percebeu — e por isso é chamado de ignorante — é que há uma diferença ideológica clara entre o governo Lula e a nova UDN, diferença traduzida no crescimento econômico para quem mais precisa dele. É por isso que hoje, ao contrário do que acontecia até o início de 2005, a oposição abandonou o discurso de que Lula voltou as costas para os pobres. Não que tivesse algum pudor em apelar para isso: mas a dissonância cognitiva é tão grande que até eles, nesta reta de final de campanha tentando tirar o último caldo de virtualmente todos os escândalos acontecidos no país nos últimos tempos, sabem que não funciona mais.
Mas o pior, mesmo, é ver o deboche com que a nova UDN trata instituições que dizia sagradas, como o voto popular. São capazes de insinuar uma tragédia para o Brasil, a destruição de tudo o que foi construído nos últimos 20 anos — inclusive com a sua participação, por sinal nada desprezível — apenas para se ver novamente no poder. Aquele republicanismo tão propalado se revelou uma farsa, como a democracia udenista nunca passou de falácia, e como a recém-descoberta honestidade do PSDB é tão falsa quanto a crença no voto soberano.
Perdendo de vez seus escrúpulos, a nova UDN se igualou ao seu aliado, Garotinho (aliança justificada pelo príncipe dos sociólogos aos dizer que “eu também fiz alianças, assim como Lula”), cujos conselhos programáticos para Alckmin são os de deixar de usar fitinhas do Senhor do Bonfim e evitar tomar banho de pipoca, coisa de altíssimo nível político; o mesmo ser deletério e que há alguns meses tentou fazer do Brasil uma república de bananas, pedindo observação internacional para as eleições, em meio à greve de fome mais ridícula de todos os tempos.
A UDN que se alcunha PSDB, hoje, é uma vergonha para o Brasil.
Originalmente publicado em 23 de outubro de 2006 @ 0:00
Funcionava assim: chegava o meio do ano e eu republicava o que achava serem os melhores posts antigos.
Isso na em tempos idos, em que tinha post todo dia neste blog zumbi.
Agora chegou o momento de fazer a minha parte para enterrar de vez o que o meu Estado tem de pior. É a hora de reeleger Déda governador — e de quebra dar uma mãozinha indireta à minha futura presidente.
Dessa vez eu vou aproveitar para, com a republicação desses posts antigos, dar um pouquinho de vida a um blog que sofre com a minha falta de tempo crônica.
Vai ter post dia sim, dia não pelos próximos meses, coisa que não acontece neste blog já há um bom tempo. Alguns deles, acredite, são bonzinhos. São antigos, é verdade, mas como dizia o poeta panela velha é que faz panela boa — e eu sou um velhinho que prefere um bom post velho do que um mau post novo.
Na edição passada vocês recomendaram ao torcedores brasileiros que, diante da derrota do Brasil para a Holanda, a gente comprasse uma TV de LCD para poder ver o resto da Copa.
Devolvo agora o conselho. Mas comprem um maior, para poder enxergar o placar.