A insustentável agonia do viver

Era começo de setembro e eu tinha comprado uns livros na Amazon.

Normalmente compro mais de 10 livros por vez, para diluir um pouco o custo do frete e tornar o negócio um pouco mais vantajoso. Ia demorar mais de um mês para que os livros chegassem, um pouco menos que isso até chegar a fatura. É uma espera agradável, essa, que só quem gosta de livros como objetos pode entender.

E então estourou a crise americana e o dólar disparou, e teve início o meu padecer.

A cada variação para cima eu via o o fim dos tempos à minha frente, a cada variação para baixo sentia um alívio desconfiado e temeroso. Antevia um cenário apocalíptico em que eu acabaria pagando mais de 100 reais de diferença.

Não que 100 reais sejam quantia suficiente para fazer alguém entrar em desespero. Também não é pouco, ao contrário do que o rico leitor aí possa dizer com um eventual franzir de sobrancelhas e lábio torcido de tanto esnobismo. Com 100 reais eu poderia pegar ônibus para o trabalho durante quase dois meses, mais se tivesse vale-transporte; poderia comer algumas vezes no McDonald’s; poderia alugar uns vinte filmes; pagar pouco menos de um mês de TV, comprar mais uns dois ou três livros na Amazon. Mais que isso: investindo 100 reais, dizem os mesmos especialistas que levaram o sistema americano à bancarrota, eu poderia chegar a um milhão em sei lá quantos séculos.

Mas não importa o valor de 100 reais. O caso é que compro livros na Amazon porque, afinal, eles oferecem melhor relação custo/benefício: hardcovers na língua original por um preço semelhante às brochuras traduzidas aqui, sem falar nos livros disponíveis apenas em inglês. Preço é fator determinante na Amazon, portanto, e porque o sistema americano pediu concordata eu teria que pagar mais que isso.

Justo eu, periférico do sistema, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes; justo eu, que passei toda a minha vida criticando exatamente aquele sistema que ora se esboroa em hipotecas. Nada poderia ser tão injusto, e era essa injustiça que me incomodava, que me fazia mais triste e mais angustiado: a perspectiva de pagar um ágio que acima de tudo me parecia indevido, uma ironia macabra semelhante ao atleta abstêmio que é atropelado por um caminhão de cerveja.

É nessas horas que podemos ver como funcionam os grotões da mente humana, e é um funcionamento estranho, esse. Porque algo inexplicável às vezes nos faz querer prolongar e intensificar uma agonia além do necessário, além mesmo do saudável; mente estúpida, essa, que parece achar que se eu me angustiar ainda mais o motivo da aflição vai passar mais rápido. Foi por isso, para acalentar esse pequeno purgatório, que instalei um gadget no sidebar do computador para acompanhar em tempo real a cotação do dólar.

E isso é tão estranho, porque me lembra que eu nunca quis ser operador da bolsa. Sempre olhei intrigado para aqueles moços alucinados se esgoelando e levantando as mãos em atitude súplice, coitados, e achava que havia meios mais dignos de ganhar a vida. É a fidalguia atávica dos Galvão, essa coisa de se achar cool demais para se prestar a cenas públicas de desespero e vexame, não importa o quanto isso renda, porque o recato e a compostura são mais importantes que dinheiro, é isso o que a gente leva desta vida, o dinheiro se bem utilizado ficou com aquelas moças ao longo dos anos.

Mas aquelas cotações mudando constantemente na minha frente me tornaram um operador silencioso e fracassado da bolsa — não, me tornaram algo muito pior que eles; porque enquanto eles ganham rios de dinheiro em troca de sua dignidade, eu estava descendo a esse ponto tão baixo por uns 100 reais, talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, mas de qualquer forma insuficientes para me fazer abrir mão daquela dignidade que deveria ser o meu ideal de vida.

A cada subida ou descida do dólar eu fazia questão de anunciar em alto e bom som os novos resultados. O Paulinho e o Edson, na minha frente, riam do meu sofrimento com descaso superior, preocupando-se em escrever os textos da campanha, que a gente tinha um prefeito para eleger. Enquanto isso eu, eterno desocupado, ficava pensando no meu prejuízo. Não exatamente no prejuízo, para ser franco, que franqueza é o que me resta a esta altura: mas no ultraje que seria pagar 100 reais a mais por uns poucos livros vagabundos. Não era o dinheiro que importava, pelo menos não muito: eu tinha firmado um trato com a Providência, estabelecido as regras do jogo com suficiente antecedência; mas ela, de repente e sem aviso, descumpriu o acordo, tirou um ás roubado da manga, e impôs novas condições sem sequer me consultar. Isso não é coisa que se faça. Há que se ter um mínimo de retidão e de caráter nesse negócio de viver, e minha ruína foi achar que essa regra não se aplicava apenas a mim, mas também às Parcas, aquelas vadias.

A campanha acabou, eu fechei o meu computador e só fui abri-lo dia desses. Aquelas poucas centenas de dólares dos livros foram pagas, e até agora não fiz questão de saber de quanto foi o ágio que covardemente me obrigaram a pagar. Tem coisas na vida que é melhor deixar para lá. E pensando assim, talvez algum dia eu esqueça que fui humilhado e obrigado a pagar 100 reais, talvez mais, talvez menos, por causa de uns livrinhos.

Nizan Guanaes, Fabio Fernandes e a saborosa mistura de ódio e interesses comerciais escondendo um debate razoável

O Catarro Verde publicou uma carta do publicitário Fábio Fernandes, da F/Nazca Saatchi & Saatchi, reduzindo o também publicitário Nizan Guanaes, da DM9 e Africa, a pouco menos que nada. A carta era um e-mail particular aos funcionários da agência de Fernandes, mas esse tipo de coisa, nesse mercado, sempre é convenientemente vazado.

Não é uma carta elegante. Fernandes não poupa adjetivos negativos para definir Nizan, e enumera termos semelhantes utilizados por ele. Aparentemente, o bate-boca conjuga de maneira brutal interesses comerciais e egos. Os dois brigam por contas gigantescas. Os dois se odeiam. Diz-se que essa briga é antiga. Que um chamava o outro de gordo, enquanto tinha sua masculinidade questionada. (História que circula no meio: Nizan vai fazer uma visita à sua ex-agência, a Artplan. De um extremo do corredor, Fabio grita: “Cada vez mais gordo, hein, Nizan?” E Nizan responde: “Cada vez mais viado, hein, Fabio?”)

São dois egos fenomenais, condizentes com enormes talentos, e uma capacidade ainda maior para descer aos níveis mais baixos de picuinha.

Apesar de a carta não passar, aparentemente, de baixaria absolutamente dispensável — dois homens crescidos e bem-sucedidos xingando a mãe do outro —, ela tem pontos realmente interessantes. Se se deixar de lado a discussão sobre o valor de cada um, e se discutir o teor das idéias que os dois defendem, pode-se ver que o que está em discussão é a própria natureza da atividade publicitária em tempos de transformação.

O Fabio Fernandes se posiciona como um defensor intransigente da idéia da criatividade como elemento central da publicidade e ataca as relativamente novas posições de Nizan, que agora minimiza o valor intrínseco da criatividade e diz que “idéia boa tem que ser copiada”, provavelmente o maior crime que se pode pedir para um criador publicitário cometer.

Curiosamente, poucas pessoas têm mais qualificações para falar de criatividade publicitária do que Nizan Guanaes. Fale-se dele o que quiser — e o Fabio Fernandes, decididamente, quer: que seu caráter é duvidoso, que suas práticas comerciais podem ser ruins e nocivas; nada disso pode obscurecer o fato de que ele foi um dos grandes redatores publicitários da história do país. Escrevo isso mesmo não esquecendo que a campanha para a Caixa Econômica que o colocou no cenário publicitário nacional, no início dos anos 80, guardava uma semelhança estarrecedora com uma campanha da Propeg baiana para a Casaforte, caderneta de poupança do Banco Econômico, veiculada alguns anos antes.

Essa é uma geração filha de Washington Olivetto. Foi ele quem inaugurou o que o Edson, um ótimo redator carioca, chama de Era de Narciso: uma época em que publicitários passaram a ter tanta exposição — ou muitas vezes mais — quanto o seu trabalho e os resultados que geravam para seus clientes. É uma geração que inclui, além do Nizan e do Fabio, o Eduardo Fischer, o Marcelo Serpa e vários outros.

Para essa geração, a criatividade é o verdadeiro diferencial de uma agência de publicidade. É a primazia do pensamento da área de criação, que sempre defendeu esse valor. Sua defesa sempre foi correta e necessária, até o ponto em que não podia mais ser distinguida da valorização do passe dos profissionais.

Na leitura da carta, pode-se considerar o Fabio Fernandes como um paladino desse tipo de visão, mesmo nos seus extremos negativos:

Na publicidade (…) há bundões prontos a gastar mais para contratar uma meia dúzia de artistas famosos, cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa, do que se “arriscarem” a criar um posicionamento de verdade, uma linguagem proprietária, um estilo único e próprio.

Esse discurso até meio corporativo é vazio. Não apenas reflete uma certa arrogância típica de criadores publicitários, que julgam sempre saber o que é melhor para uma empresa do que aqueles que a comandam efetivamente; a questão é que eventualmente o posicionamento eficiente pode ser, exatamente, um artista famoso cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa. Estilo único e próprio só é realmente interessante se vender; se não, é absolutamente dispensável — a não ser, claro, para os criadores, que têm como único capital a idéia original. A partir desse ponto sua defesa passa a ser questionável, porque o que entra em jogo não é o interesse do cliente, mas o dos profissionais e das agências.

Repetindo um chavão antigo, que pode ser torcido para praticamente qualquer fim, propaganda criativa é a que vende o seu produto. O varejo sabe disso há muito tempo, com sua repetição constante de clichês e fórmulas testadas e comprovadas: vide Lojas Marabraz, Casas Bahia, Ponto Frio, Ricardo Eletro. Por isso, o que interessa a uma agência nem sempre é o que interessa ao cliente. A apologia absoluta da criatividade, quando em detrimento da adequação mercadológica, é um equívoco.

Essa abordagem dos clientes que se negam a reconhecer o brilho e a maravilha da atividade criativa publicitária — e por isso são chamados pelo Fabio Fernandes de “bundões” e “cagões” — chega a ser incômoda. E irresponsável. Além de tudo, é fácil também. Se uma campanha aparentemente brilhante dá errado, é o anunciante quem vai sofrer as conseqüências. A agência vai ter outras peças maravilhosas em seu currículo para apresentar a novos prospects, ganhou um bom dinheiro e no máximo sofreu um revés momentâneo.

Em nome dessa cultura de originalidade, crimes de marketing foram cometidos ao longo dos tempos. A Brahma saiu da Fischer e imediatamente perdeu o conceito de “A número 1”. Bastou a Kaiser abandonar a DPZ e, de repente, o baixinho foi aposentado. Nada disso fez bem àquelas marcas; mas garantiu louros temporários para diretores de marketing e donos de agência, que se mostraram capazes de criar algo novo. Mostraram que são criativos, que podem criar um “posicionamento”, ainda que momentâneo e ineficiente. No fundo, essa é a sua atividade fim.

Está aqui o verdadeiro ponto que vale a pena ser discutido na carta do Fabio Fernandes. O discurso empalmado por ele tem mais a ver com a necessidade das agências (ou seja, da criação) do que com a dos anunciantes. Para citar um exemplo que apenas tangencia esse tipo de briga, em marketing político criatividade é importante — mas por criatividade entende-se muitas coisas mais, além de um bom texto ou uma idéia legal para um comercial. Criatividade, nesse caso, poderia ser até mesmo copiar um comercial ou uma fórmula que já deu certo, se isso fosse benéfico. Eu, por exemplo, adoraria ter a chance de copiar este comercial, um dia, se isso ajudasse um candidato a se eleger.

Ao menos nesse aspecto o Nizan parece estar à frente. O negócio publicitário está mudando muito além desta crise temporária, e isso às vezes é assustador. Aparentemente, ele percebeu isso e se posicionou diante de um novo mercado; também aparentemente, o Fabio mantém o mesmo discurso de antigamente. Não sei se é suficiente. Apenas como exemplo: hoje tão importante quando uma boa idéia criativa é uma boa idéia de mídia — e não está longe o tempo em que planejamento de mídia vai ser mais importante que a criação em si. Propaganda está ficando mais cara para o anunciante e, sim, o elemento humano encontrável principalmente nas agências é cada vez mais importante. Mas — e é isso que assusta essa geração — esse elemento talvez não seja a criação com sacadas geniais.

Disneylândia

Já devo ter dito algumas vezes por aqui que me sinto um afortunado por ter podido assistir à televisão nos anos 70.

Não é nostalgia boba de um sujeito mais velho do que parece. É que a programação da TV aberta naqueles tempos era realmente melhor. Talvez por não ser obrigada a nivelar excessivamente por baixo sua programação, já que não tinha a concorrência das TVs a cabo e da internet, a TV aberta conseguia equilibrar razoavelmente apelo popular e qualidade estética: foi nessa época que se firmou o tal padrão Globo de qualidade.

Além disso, a maior parte dos filmes que exibia eram antigos; o que quer dizer que em vez de assistir a espetáculos escatologicamente dementes como Thunderpants, podíamos assistir a “O Gavião e a Flecha”, com Burt Lancaster, bons faroestes com John Wayne e filmes de Jerry Lewis e Charles Chaplin. Assisti a The African Queen pela primeira vez na Sessão da Tarde; duvido que isso seja possível hoje em dia.

E mesmo com tantas opções, Disneylândia era um dos meus programas favoritos. Todos os sábados à tarde, “o mundo maravilhoso de Disney” exibia um filme, às vezes em duas partes. Eram obras dirigidas ao público infantil, e alguns deles, a exemplo de “O Tesouro de Matecumbe”, eram quadrinizados depois e apareciam em revistas como o Almanaque Disney.

(O mais engraçado é que um dos meus sonhos na época era poder ver os desenhos animados de que a Disneylândia exibia trechos [e também o Clube do Mickey, nos fins de tarde da TV Tupi] — ou seja, aquela quantidade enorme de curta-metragens que a Disney tinha produzido ao longo de mais de meio século. Eu já tinha visto alguns no cinema — antes do videocassete a Disney reprisava seus filmes periodicamente —, como “Cinderela”, “A Bela Adormecida” e Mickey and Seal, e alguns na TV, como Pluto’s Blue Note e Bongo, e achava que eram melhores que os filmes a que assistia. No início dos anos 80 meu sonho foi realizado. A Disneylândia deixou de exibir os filmes e se concentrou nos desenhos. Foi a pior coisa que podiam ter feito. Depois de algumas semanas, tudo aquilo se tornou extremamente chato, ao contrário dos filmes exibidos anteriormente. Moral: a gente deve ter cuidado com o que deseja.)

Durante muitos, muitos anos procurei saber mais sobre os poucos filmes de que me lembrava. Uma esperança apareceu com o IMDb, mas ele nunca conseguiu me dar a resposta — até que a anta aqui finalmente fizesse a pergunta certa.

É uma boa sensação reencontrar alguns filmes cujas lembranças lhe acompanharam pela maior parte de sua vida.

Child of Glass, de 1978, é um deles. Conta a história de um menino que se muda para uma plantation colonial no sul dos EUA e tem que encontrar uma boneca para que o fantasma de uma menina possa descansar em paz. Ele encontra a boneca em um vão dentro de um poço. Assisti a esse filme no ano seguinte ao de sua produção, mas não era comum exibirem filmes tão novos. Vi o segundo episódio de A Country Coyote Goes to Hollywood, por exemplo, no dia 30 de março de 1979. Estava sozinho em casa porque todos tinham saído — mas nada me faria deixar de ver a conclusão da história de um coiote perdido nas colinas de Hollywood, filmada em 1965.

Foi com Barry of the Great St. Bernard (1977), no início do inverno baiano de 1980, que conheci a história dos São Bernardos que salvavam vidas nas montanhas da Suíça. Lembro da imagem final, com a estátua que ergueram em homenagem ao cão Barry — só não sei por que a Linha Maginot me vem à memória sempre que lembro dessa imagem. Assisti a esse filme um pouco depois de Fire on Kelly Mountain, de 1973, em que pela primeira vez na minha vida vi um daqueles labirintos para hamsters. Por alguma razão, sempre achei que o ator principal desse filme era Kurt Russell. O IMDb me informou que era Larry Wilcox, que depois faria o John Baker de CHiPs.

Procurar por esse filmes no IMDb me lembrou de pelo menos mais um que vi, mas do qual não guardava nenhuma grande recordação: Charlie, the Lonesome Cougar, de 1967. Isso me lembra que Walt Disney, com todas as críticas que se faz aos seus métodos, fez mais pelo ambientalismo que dezenas de ONGs juntas. Em tempos de Our Common Future, foi graças a filmes como esses e a True-Life Adventure Series (além, claro, de programas como “Mundo Animal” e “Mundo Selvagem”) que a geração que cresceu nos anos 70 passou a ter maior consciência ambiental. Só alguns irrecuperáveis, como eu, continuavam preferindo a idéia de safáris em que caçariam animais selvagens como leões e elefantes, apenas pelo prazer de se provarem capazes de matar animais maiores e mais fortes que eles.

O que fica de tudo isso é o fato de que esses filmes cumpriam uma dupla missão de maneira ímpar: entretinham e educavam ao mesmo tempo. Por causa deles, toda a minha geração estava próxima da história e cultura americanas. Por um lado isso era bom, porque informação nunca é demais; por outro, graças à televisão nos tornamos cada vez mais distantes das tradições brasileiras. De certa forma, perdemos o contato com elementos importantes de nossa cultura como lendas como o saci-pererê e brincadeiras como pião e bolas de gude. A vida é assim mesmo.

Infelizmente não consegui achar um filme específico, exibido no final do primeiro semestre de 1980. Ele contava a história de um menino rico, mimado e preconceituoso que naufragava numa ilha deserta acompanhado apenas por um velho negro. Se não me engano, o menino ficava temporariamente cego no naufrágio. O filme contava como ele virava uma pessoa melhor ao conviver com o velho. No final aparecia um daqueles furacões caribenhos e o velho se amarrava a uma árvore, com o menino entre eles. Protegendo o garoto assim, o velho morria, e nos dias seguintes finalmente chegava o resgate, claro. O filme era basicamente uma variação mais óbvia e boba sobre o bom “Capitão Coragem”, com Spencer Tracy. Nunca consegui encontrar nada sobre esse filme, e ele não consta na relação do IMDb, o que me leva a desconfiar que não o vi em Disneylândia e que não era uma produção Disney, embora tivesse todas as características.

Tudo isso é coisa de cerca de 30 anos atrás. É mais de um quarto de século. As coisas mudaram muito desde então, nem sempre para melhor. Na época Salvador tinha apenas dois canais de televisão, a TV Aratu que retransmitia a Rede Globo e a TV Itapoan, afiliada à Tupi. Hoje há centenas à disposição, mas não me parece que a TV tenha importância tão grande na formação cultural de alguém — até porque Pucca não tem condições de formar nada.

O mais interessante é que se Disneylândia acabou, hoje temos um canal inteiro com a programação da Disney. Mas o Disney Channel não se compara à Disneylândia. Se concentram em exibir produções recentes, provavelmente mais comerciais, como High School Musical e seriados irritantes como Hannah Montana. Isso, claro, faz parte dos novos tempos, e reclamar do novo é que mostra nostalgia boba. Mas acho que não faria mal algum se reservassem um espaçozinho nas madrugadas para exibir esse acervo absurdamente bom que a Disney tem.

Tauromaquia

Este é um blog, não um fotolog, como devem saber mesmo os mais desavisados.

Sem talento ou vocação para artes visuais, eu penso em termos de palavras, raramente de imagens. Esse tipo de raciocínio se reflete na pobreza de fotos e ilustrações neste espaço. Se uma imagem vale mais que mil palavras, é da filosofia do blog preferir duas mil palavras a uma única imagem.

Sou, por isso, uma das pessoas menos para falar de charges ou sugerir alguma coisa. Mas mesmo reconhecendo minha incapacidade nessa área, para mim turva e inalcançável, de formas, linhas e cores, estou impressionado por não ter visto ainda a charge que melhor definiria o momento de crise atual.

Um toureiro de frente para aquele touro que se transformou no símbolo de Wall Street, com o estoque levantado, apenas esperando o momento certo de enfiá-lo na nuca do pobre miúra e acabar com a sua miséria.

Os programas eleitorais de Marta e Kassab

Vi o programa eleitoral do Kassab e o da Marta na última sexta-feira. E Deus do céu, como o programa do Kassab é tão melhor que o da Marta. Tão bom que ele nem precisaria dessa campanha de imprensa em sua defesa que se vê agora, primeiro com o caso das insinuações acerca de suas opções sexuais, agora com o possível depoimento de Nicéia Pitta — dois eventos muito diferentes entre si, mas tratados da mesma forma pela imprensa.

Segundo após segundo, o que se vê no Kassab é uma afirmação constante do valor da sua obra. Mostra, em linguagem clara e eficiente, o que ele fez e como isso se transformou em benefícios para o povo paulistano. Dosa corretamente o número de aparições do candidato. Humaniza a campanha com exemplos de pessoas cujas vidas melhoraram por causa do seu trabalho à frente da Prefeitura.

O programa da Marta, em vez disso, parece perdido, como se lhe faltasse um eixo suficientemente claro. É difícil fazer um julgamento minimamente correto de uma campanha eleitoral a partir de apenas um programa, mas o da Marta parece ter defeitos estruturais que provavelmente não se limitaram à sexta-feira.

A impressão que o programa de sexta passou é de que Marta parece ter medo. Não vi nenhuma grande reafirmação dos méritos do seu governo; apenas uma tentativa de fazê-la parecer mais simpática conversando com o povão na rua — e uma simpatia forçada e desnecessária, porque Marta não parece muito à vontade perto do povão.

Pior, não vi nenhuma tentativa séria de desconstrução séria e conseqüente da administração Kassab. É inadmissível, por exemplo, que o programa de Marta não tente aproveitar as crises recentes de segurança em São Paulo. Tanto a greve dos policiais civis — cuja responsabilidade o Serra, de maneira competente, tentou jogar imediatamente nas costas do PT — quanto o absoluto despreparo da polícia no caso das meninas mantidas reféns pelo namorado de uma delas poderiam, sim, ser aproveitadas. É algo legítimo — aliás, muito mais legítimo que perguntas sobre as preferências sexuais de Kassab.

O Duda Mendonça diz, no seu livro “Casos e Coisas”, que quem bate, perde. Não parecem ter dito isso à campanha do Kassab, para a sua sorte. Todo o tempo ele estabelece uma comparação entre a sua administração e a da Marta. Não se furta a bater quando necessário, nem se omite quando é hora de dar alguma resposta; o segredo está no equilíbrio do tom usado e no fato de sempre bater enquanto apresenta um exemplo positivo seu.

O curioso é que, até onde sei, Kassab é situação e Marta é oposição. O papel de apontar as falhas, de desconstruir o adversário deveria ser preferencialmente dela. Não dele.

É impressionante também ver que o programa de Marta não tem emoção, não tem humor, não tem nada. Enquanto isso o texto do programa do Kassab é leve, emotivo, trabalha a experiência do paulistano sob o governo Kassab. Abusa de jingles temáticos que cumprem funções importantes, batendo em Marta com graça.

Se uma campanha eleitoral fosse uma partida de futebol, alguém poderia dizer que o programa de Kassab domina todos os fundamentos com maestria, enquanto o time da Marta se mostra perdido em campo.

E finalmente há a diferença crucial entre as imagens dos dois candidatos.

Há alguns meses, depois de ver o primeiro programa de Marta durante a campanha de 2004, reclamei que enfocavam a candidata em plano aberto, reforçando uma distância e antipatia que já vinham se tornando sua marca registrada. Mas aproximar a câmera de Marta foi pior: seu rosto é uma massa deformada de plásticas toscas e botox. A sensação de estranheza causada por aquele rosto que não move um músculo sequer ao falar é ruim, e tira a atenção do conteúdo de sua fala.

Enquanto isso o Kassab, com aquele sotaque de Chico Bento e cara de menino cabeçudo, oferece ao eleitor a confiança e a intimidade que sempre estiveram ausentes em Marta. Em vantagem por ser candidato à reeleição, Kassab transmite simplicidade e humildade. Faz o básico — admitir que não deu para fazer tudo em dois anos –, mas assume a sua responsabilidade e mostra confiança na sua própria capacidade. Já a Marta, enquanto continua com aquela lenga-lenga de dizer que “quer ser prefeita”, se refere à “sua equipe”. Outra bobagem. Equipe era necessária para Lula, que precisava se sobrepor à imagem de despreparado; agora o povo quer é alguém que possa governar direito, e pelo visto, e infelizmente, já decidiram que esse alguém é Kassab.

O estuprador e as pseudo-feministas

Por e-mail, recebo a denúncia de que um colunista da revista Trip, Henrique Goldman, confessou um estupro cometido décadas atrás. Ela dá também o link para um post da Carla Rodrigues, indignada contra o sujeito e mobilizando leitores para uma petição online.

Aí vou ler o artigo e o post e vejo que as pessoas estão ficando loucas. E que a histeria pseudo-feminista pode atingir dimensões que quase chegam à demência.

(Diante da repercussão negativa, autor e revista apareceram com a justificativa de que o texto é ficcional. Eu acredito neles, porque o Papai Noel, o Saci e o Curupira me visitaram ontem e disseram que é verdade. De qualquer forma, as reações covardes do colunista e da revista são muito mais graves do que a publicação do texto. Em algum momento eles enganaram seus leitores. A questão agora é saber se foi quando publicaram um texto ficcional fazendo-o parecer real ou quando fugiram de suas responsabilidades dizendo ser ficção um texto real.)

A jornalista Carla Rodrigues deveria ter, pelo menos, lido direito o artigo antes de discutir estupro dessa maneira ultrajada. Se lesse, veria que nada do que o Henrique fez constitui legalmente estupro, como qualquer advogado pode explicar sem pensar muito. A coisa é ainda pior, porque tecnicamente quem poderia ter cometido atentado violento ao pudor — e não estupro — seria a pobre da empregada. Ela é quem tinha 20 ou 30 anos. O rapaz tinha apenas 14. E insistência não é violência. Ao acusar Henrique Goldman de estupro, Carla Rodrigues não mostrou apenas um feminismo falso, principalmente porque construído sobre premissas falsas: descupriu o seu próprio papel como jornalista.

Não custa lembrar que nos Estados Unidos essa mulher seria exposta à execração pública, como a professora Debra Lafave e algumas outras. A mãe indignada iria à imprensa falar da violência que o seu filho (aquele menino ali, com um sorriso feliz no rosto) sofreu nas mãos de uma depravada sexual. A boa sociedade puritana se escandalizaria, enquanto a legião de six-packers invejaria a sorte do garoto e lembraria de suas fantasias sexuais adolescentes com mulheres mais velhas; alguns mais sensíveis poderiam fazer um filme como “Houve Uma Vez Um Verão”.

O que torna incômoda a reação histérica do pessoal é a torção dos fatos em função de uma visão de mundo que beira as raias do absurdo politicamente correto. Há, principalmente, um grau extremo de hipocrisia em tudo isso: sabe Deus quantos homens brasileiros tiveram suas iniciações sexuais com empregadas domésticas — se a vida ao redor não foi suficiente para que elas soubessem disso já há algum tempo, bastaria olhar os tantos filmes brasileiros que abordam o tema, às vezes com razoável grau de poesia. Fazer um escândalo porque alguém falou abertamente sobre o tema e transformar isso em um caso criminal é um despautério.

Se em vez de enxergar estupros onde nenhum foi cometido o pessoal que está indignado discutisse o ponto realmente incômodo no conteúdo do artigo — o quanto da escravidão subsiste ainda nas relações entre patrões e empregados, principalmente os domésticos — esse pessoal faria um favor grande ao país. No entanto, preferem discutir bobagens sobre bases inexistentes.

Eu recomendaria a todas essas moças que fazem auê em torno desses fatos que lessem as posições de Camille Paglia sobre o assunto — estupro — incluídas no livro Sex, Art and American Culture. Faria bem à sua cultura geral e talvez tirasse um pouco da ansiedade e neurose que as pessoas estão associando a sexo ultimamente.

Sobre as opções sexuais do prefeito Kassab

A campanha da Marta Suplicy fez um comercial com uma série perguntas sobre a história e o comportamento de Kassab e o céu da mídia caiu. O assunto virou pauta grande: Marta insinuou que Kassab é gay.

O Idelber, como sempre (ou quase sempre: não devo esquecer jamais que o sujeito é um trotskista safado), faz uma análise impecável do episódio. Não há o que acrescentar a ele.

Mas eu posso dar uns pitacos, digamos, técnicos.

Ética é, ou deveria ser, atributo recomendável a qualquer campanha. Não por ingenuidade, como aquela que o pessoal da oposição cobra do governo sem nunca tê-la praticado (ingenuidade, favor lembrar, não é burrice, atributo ultimamente bastante aplicável a essa oposição), mas porque é geralmente mais eficiente. Mesmo assim, e embora eu seja o primeiro defensor da idéia de que a única ideologia de uma campanha deva ser a vitória, e que para isso você usa as armas que tiver à disposição, acho também que uma campanha eleitoral cumpre um papel cívico importante. Insinuações sobre a sexualidade de um candidato deveriam ser algo totalmente banido de campanhas. A intimidade de uma pessoa pública não interessa a ninguém.

Além disso, particularmente não gosto desses comerciais vagos demais. Parecem, sempre, covardes. Não sei até que ponto são eficazes, e certamente funcionam de maneira diferente em circunstâncias diferentes. Há jeitos e jeitos de bater e desconstruir; eu, pessoalmente, não considero esse um dos melhores. Sempre me passam a impressão de serem insidiosos demais. E embora eu possa estar errado, acho que há jeitos mais eficazes de alcançar o efeito desejado.

Convicções à parte, o mais interessante no comercial é que a lebre levantada sobre a sexualidade do Kassab faz parte de um conjunto grande de perguntas. Para a maior parte das pessoas, principalmente as classes C e D, a insinuação sobre a sexualidade de Kassab pode passar despercebida. Eles se esforçaram para ser sutis.

Mas a mídia indignada em defesa de Kassab amplificou desnecessariamente essa questão. O que era apenas um item meio obscuro virou ponto central da peça e da campanha. Talvez a equipe de Marta tenha sido sutil demais; mas contaram com a ajuda da imprensa, que na ânsia de defender Kassab bem pode ter dado um tiro no próprio pé.

Não conheço o eleitorado paulistano. Não sei como reage a insinuações sobre a sexualidade de um candidato (em Sergipe, por exemplo, elas não costumam ser bem recebidas e são contraproducentes); lembro apenas que Quércia sempre sobreviveu a essa insinuações, embora com muito menos consistência que as feitas em relação a Kassab.

Mas sei que dificilmente Kassab tomará a palavra para dizer que é hetero ou homossexual. E a discussão, se continuar, se dará em um campo desfavorável para ele — desfavorável não por sua opção sexual, mas porque ele não terá nenhum controle sobre ela. E para isso ele terá contado com a ajuda inestimável daqueles que tentavam defendê-lo.

A revista das boas notícias

No início do governo Fernando Henrique Cardoso, quando a CUT e o Sindicato dos Petroleiros embarcaram na greve mais equivocada de sua história e pela qual ainda pagam um preço amargo, sindicalistas sergipanos trocaram suas assinaturas da revista Veja — que julgavam estar fazendo, acima de tudo, mau e tendencioso jornalismo — pela revista Exame, da mesma editora Abril.

Seu raciocínio era complexo, na melhor das hipóteses. Por que sindicalistas socialistas assinaram uma revista cuja razão de ser é o capitalismo, e que sempre condenou as propostas defendidas por eles, é algo difícil de compreender. Mas fazia algum sentido:como a Exame é uma revista com linha editorial tão clara, eles talvez esperassem que fosse mais honesta. O que irrita em um órgão de imprensa e o descredencia não são suas posições políticas assumidas: são aquelas enrustidas, normalmente mais pérfidas.

O caso dos sindicalistas que assinaram a Exame aconteceu há quase 15 anos. De lá para cá o conceito de honestidade deve ter mudado um pouco.

A edição da Exame que circulou pouco antes do primeiro turno destas eleições publicou uma matéria longa elogiando o que chama de “choque de gestão” dado pela Prefeitura de Porto Alegre. A revista é só elogios para o prefeito José Fogaça, que define, em outras palavras, como um administrador competente, moderno e ético.

Então tá.

Oficialmente, ninguém pode acusar a revista de nada. É uma matéria jornalística como outra qualquer. A direção da revista achou que a administração Fogaça é realmente digna de elogios, e elogios não têm tempo para serem merecidos. Esse é um direito claro de qualquer revista. Não é comum ver em uma revista liberal como a Exame elogios tão profusos ao Estado, mas há mais coisas entre o céu e a terra do que supunha Shakespeare. O que importa é que, objetivamente, não há nada na matéria que macule a reputação da revista.

Infelizmente, a experiência ensina que esse tipo de matéria, mais especificamente em momentos críticos como vésperas de eleições, não costuma atender a critérios simplesmente jornalísticos.

Uma pessoa menos crédula que eu poderia fazer uma série de ilações sobre a oportunidade e o teor da matéria. Poderia classificá-la como parte do esforço de campanha de um candidato que se via em uma disputa acirrada, seguido por duas candidatas de esquerda que, como se veria depois, levariam a disputa ao segundo turno.

Por sua vez, uma pessoa francamente maldosa poderia dispensar todas essas palavras acima e dizer simplesmente que aquilo é descaradamente uma matéria paga. Há pessoas assim neste mundo.

Coincidentemente, logo depois da matéria sobre a excelência do governo porto-alegrense vem a matéria de José Roberto Guzzo, uma peroração sobre as mazelas do Estado.

Guzzo foi o jornalista sutilmente acusado por Mario Sergio Conti no livro “Notícias do Planalto” de receber propina — e que propina: 250 mil dólares — para veicular uma matéria favorável ao então ministro Iris Rezende. Um assessor de Rezende tentava emplacar uma matéria chamando Rezende de “o ministro das boas notícias”. Segundo o livro, a oferta foi feita primeiro a Augusto Nunes, então no Estado de S. Paulo, que a recusou. Conti insinua que foram mais bem recebidos por Guzzo, e a expressão associada ao político apareceu em duas edições diferentes da revista.

Mas isso foi nos tempos em Guzzo era diretor da Veja, uma revista que já naquela época dava mostras de ter problemas éticos, embora ainda não fosse o pasquim desacreditado de grande circulação que é hoje. Supunha-se que por se destinar a um público diferente, a Exame operasse dentro de outras esferas, longe da politicagem pura e simples. Não que seja infensa a negociações que misturem dinheiro e redação; mas seu mercado parecia ser outro.

Talvez os tempos tenham mudado, no entanto. E assim como outras revistas da Abril, a Exame, sem nada que oficialmente a desabone, parece mostrar que não está a salvo dos padrões de comportamento que estão se tornando típicos de suas co-irmãs, e é também uma revista especializada em boas notícias.

Dois anos

Passei dois anos lendo quase nada, vendo quase nenhum filme, ouvindo quase nenhuma música, indo a quase nenhum lugar.

Dois anos em que meu motorista repetia que ia estudar para ficar muito rico, e então ia me contratar e foder comigo, porque já não agüentava mais almoçar às 4, 5 da tarde.

Foram dois anos em que cheguei a pifar uma ou duas vezes, por estafa. Dois anos em que desenvolvi ojeriza ao toque do celular, até que aprendi que não precisava atender todo mundo que queria vender, pedir ou cobrar alguma coisa, e podia simplesmente silenciar uma ligação sem ficar me culpando depois.

Foram dois anos em que o meu hobby predileto, o meu blog, foi deixado meio de lado. Como a modéstia não me cai bem, gostaria de lembrar que aqui e ali alguns bons posts viam a luz do dia, porque afinal de contas eu escrevo direitinho — como já disse antes, escrever é uma das duas únicas coisas que sei fazer bem, e a única com a qual posso ganhar a vida, porque a outra é imoral; mas já não é o blog de uns anos atrás. Isso me deixa triste.

Dois anos em que simplesmente deixei de escrever sobre política, porque fazer é muito melhor que escrever, e sobre atualidades, porque eu sabia pouco do que se passava no mundo e não poderia entrar em polêmicas porque me faltaria tempo.

Dois anos em que eu quis começar a colocar no ar um site sobre os meus 100 melhores filmes mas não pude porque não tinha tempo ou paciência para rever aqueles filmes e pensar com mais cuidado sobre eles.

Foram dois anos em que a fila de livros comprados e não lidos foi se avolumando nas minhas estantes, me dando a quase certeza de que alguns deles não serão lidos jamais, porque serão atropelados que outros que virão.

Dois anos em que, pelas minhas contas, consumi 700 litros de café e 29 mil cigarros.

Dois anos longos, em que ainda arranjei tempo para largar aquela vida e casar, para escrever uma coisa aqui e outra ali, para passar uns fins de semana viajando para Salvador fazendo uma pequena consultoria, como se a semana já não me cansasse em excesso.

Mas quer saber de uma coisa? Esses dois anos valeram a pena. Foi para isso que ralamos tanto, que nos angustiamos, que nos irritamos e rimos um bocado.

Edvaldo ganhou a eleição. Primeiro turno. Nada mal para quem no começo do ano do ano passado era um virtual desconhecido e em janeiro tinha apenas 29% das intenções de voto.

Que se foda a modéstia, que eu nunca fui muito com a cara daquela vadia, mesmo. O fato, puro e simples, é que fizemos uma grande campanha. Mais uma. Déda prefeito, Déda governador, Edvaldo prefeito. E podem dar os parabéns, que a gente merece.