Continho feminista

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Era uma vez, em uma terra muito distante… Uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima. Deparou-se com um sapo enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.

Então um sapo pulou em seu colo e disse:

– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má me jogou um encanto e eu me tornei esse sapo asqueroso. Um beijo seu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe e poderemos nos casar e constituir residência em seu lindo castelo. Mamãe poderia vir morar conosco e você poderia preparar meu jantar, lavar minhas roupas, criar meus filhos e seríamos felizes para sempre…

Naquela noite, enquanto saboreava umas pernas de sapo à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, ela riu e pensou consigo mesma:

– Nem morta!

Bonitinho, mas que me deixou pensando em como este mundo é injusto. A ricaça aí pôde se dar ao luxo de mandar um sapo falante para a panela (eu pensava que eram as rãs que a gente comia e que sapos eram venenosos, mas em parábola feminista a gente tem que relevar certas coisas). Enquanto isso, as pobrezinhas mal aquinhoadas pela Providência têm que se virar beijando tudo quanto é sapo, alguns com mau hálito, outros com aquela linguona bushiana que mira o esôfago, sem sequer poderem se dar ao luxo de comer os coitados, na esperança improvável de que pelo menos um deles possa vir a ser um príncipe encantado.

É a tese da Caitlin Flanagan: a tal emancipação das mulheres é pouco mais que a emancipação das mulheres ricas.

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