Publicitários no curral

E já que falei tanto de putas naqueles posts da semana passada, deixa eu falar de publicitários. Dá no mesmo, mas é que ultimamente dei para me repetir.

Quando comecei a fazer o trottoir, duplas de criação — redatores e diretores de arte — ficavam em salas individuais, numa demonstração de status só inferior à diretoria. Isso mudou quando Washington Olivetto, seguindo o exemplo de Jay Chiat, resolveu botar todo mundo junto num “mesão”, ou pelo menos na mesma sala. Parecia uma proposta renovadora — que, como publicitário brilhante, o Olivetto alcunhou de “revolucionária”.

Isso acabou virando moda. Todas as agências entraram nesse modelo. E ninguém diz que é um modelo horroroso, que é um acinte à criatividade e à razão de ser da atividade.

O departamento de criação das agências virou um grande curral. E essa idéia é ruim porque uma peça é o resultado do trabalho de uma ou duas pessoas, sempre.

Mas, principalmente, é ruim porque distrai e atrapalha. E o resultado, em várias agências, é um ambiente em que se trabalha em silêncio quase absoluto, porque a sua risada pode atrapalhar aquele sujeito que está escrevendo um anúncio sério. É uma grande diferença em relação ao ambiente de balbúrdia total de antigamente — na minha opinião, uma balbúrdia que ajudava a criatividade.

Posso estar exagerando, mas acho que o curral é um dos grandes responsáveis pela má qualidade da propaganda brasileira ultimamente, em que todos viraram cópias do Marcelo Serpa, e fazem anúncios com títulos engraçadinhos, duas linhas de texto e uma foto bonitinha e bem produzida.

Saudades do Neil Ferreira.

3 thoughts on “Publicitários no curral

  1. Parece que, quanto mais a tecnologia avança, mais ficamos parecidos com um bando de ruminantes num curral. O mundo vai acabar virando um mega curral. Criatividade? O que significa essa palavra? Foi extinta.

  2. E eu nem entendo disso, mas tem coisa muito fraquinha mesmo. Isso que vc tá falando é o tal do brainstorm?

  3. Ih, Dani… Acho que não era o tal de “brainstorm” não. Mas, de qualquer forma, queria saber se aquilo funciona. Eu, sinceramente, não acredito muito que se fingir de papagaio faz alguém ter idéia não. Mas, já que não somos papagaios, talvez funcione. Rafa, responde pra gente… 😉

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