O dia em que quase fui Pelé

Apesar do meu histórico deplorável em qualquer coisa que se refira a esportes que não aqueles doces que tornam a vida mais agradável, lembrei de um momento em que as coisas não pareceram tão feias.

Foi uma competição de futebol. “Gol fechado”, como chamávamos: duas sandálias, separadas 3 passos uma da outra, marcando o gol; e dois times de duas pessoas. Quem fizesse 3 gols primeiro ganhava o jogo. O lateral era de quem gritasse mais alto.

O meu time estava longe de ser o favorito. O time de China e Vieira era considerado imbatível: os dois eram muito bons. O meu time era completado por Fábio. No conjunto era muito inferior ao de China e Vieira, mas Fábio, individualmente, era o melhor driblador do lugar. Só não era muito inteligente.

Foi quando percebi que a vitória era muito simples. Eu era mau jogador, mas tinha duas qualidades. A primeira era correr mais que qualquer outro, em distâncias muito curtas; a segunda era conseguir colocar a bola exatamente onde eu queria.

Se fôssemos jogar como os outros times iríamos perder. Não conseguiríamos ficar com a bola tempo suficiente. Então descobri a solução.

Eu sairia com a bola. Quando o primeiro marcador se aproximasse, eu passaria para Fábio. E sairia correndo desembestadamente, sabendo que não conseguiriam me acompanhar. Fábio levaria a bola e passaria o primeiro marcador.

O segundo jogador teria que ir atrás dele. Fábio então passaria para mim e, de onde estivesse, eu faria o gol.

Perceber qual era a tática não adiantava muito. Porque se o segundo jogador resolvesse me marcar, Fábio avançaria sozinho.

Nossos jogos eram rápidos. Ganhamos o campeonato sem problemas.

Mas essa vitória solitária ainda não conseguiu me fazer esquecer a humilhação sofrida diante daquele tabuleiro miserável.

4 thoughts on “O dia em que quase fui Pelé

  1. Na minha terra isso se chama “golzinho” ou “gol pequeno”…
    Teve um campeonato desse, na minha escola no primeiro grau. A quadra era pequena…
    E eram 3 pessoas jogando. O gol era chique, não era com chinelos, mas com uma trave miniatura mesmo de madeira. 🙂
    Fui campeão tb,jogando na defesa, me atirando na frente das bolas fora da pequena área (na qual não se podia entrar – e ficar “guardando caixão”… heheh
    Foi divertido… :))

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