Mea culpa, mea maxima culpa

Ando me perguntando por que exigir do kinemanacional padrões que não esperamos de outros países.

Assisti ultimamente a uns filmes franceses recentes, ruins. Espanhóis, ruins. Americanos — alguém espera outra coisa? Mexicanos, ruins. Iranianos não, que eu me respeito.

Mesmo diante de um cenário tão universalmente morno, do kinemanacional exigimos que apresente, a cada novo filme, a obra prima definitiva. E quando não apresenta, não perdemos tempo em dizer que o kinemanacional tem que comer muito feijão — talvez mais apropriado fosse dizer “hambúrguer” — até chegar a um patamar aceitável.

Estava assistindo a “Intolerância”, um filme com Maitê Proença e Roberto Bomtempo. Não é uma obra prima — mas é bem razoável, simples, com um roteiro bem resolvido. É um filme que não tenta carregar nenhuma bandeira, não tenta resgatar nenhum aspecto da cultura nacional. Apenas conta uma história. E assim como ele, há vários filmes corretos feitos nos últimos 10 anos– além de alguns excelentes, como “Central do Brasil”, “Cidade de Deus” e mais alguns.

Enquanto isso Hollywood, com uma produção muitas dezenas de vezes maior, pare raramente grandes obras com muito esforço.

Muitas vezes é difícil avaliar objetivamente um filme brasileiro. Pelo preconceito que anos de má qualidade deixaram, mas também porque é algo muito próximo. Acostumados a tentar nos espelhar em uma cultura alienígena, a nossa relação com o que é verdadeiramente semelhante se torna complexa. Mas, acima de tudo, está a síndrome da Copa, a mania que temos de esperar que tudo o que fazemos seja absoluto. Nossa seleção tem ganhar todas as copas do mundo, nossa música tem que maravilhar o Carnegie Hall anualmente, nossos filmes têm que ser melhores que qualquer outro.

O nosso complexo de superioridade, como bem podem atestar nossos vizinhos sul-americanos, talvez faça com que estabeleçamos um padrão alto demais para a média do kinemanacional.

Talvez, talvez.

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