James Ellroy

O Miguel citou o James Ellroy como autor noir.

Aqui devo confessar minha ignorância e meu preconceito. Ignorância porque conheço nada do sujeito; preconceito porque, em princípio, olho meio atravessado para qualquer autor que tenha começado a publicar a partir da década de 60.

Antigamente eu lia, muito, e até tinha alguns em alta conta. John D. MacDonald, por exemplo, era um daqueles em que fiquei viciado aí pelo começo dos anos 90. Começou com dois livros publicados pela Companhia das Letras (vendidos a preço de banana numa liquidação da Gutemberg, em Niterói) e prosseguiu em uma série de pocket books achados em sebos.

(Gosto de livros como objetos, principalmente, e prefiro edições bem acabadas. Mas livros policiais são o único caso em que prefiro livros de bolso.)

Acho que no quarto eu já não agüentava mais. Porque era sempre a mesma história, com a mesma estrutura. É provavelmente o que mais me irrita em um escritor noir: quando o “esquematismo” extrapola a construção dos personagens e passa descaradamente para a estrutura da história. Por exemplo, um livro do John D. MacDonald com Travis McGee em seu barco quando aparece uma oportunidade de ganhar um bom dinheiro ajudando alguém. Ele chama seu amigo economista, Meyer, e ambos começam a investigar. Aparece então uma mulher maravilhosa que terá um caso com McGee. No final, crime solucionado, a mulher vai embora.

É isso que acaba um escritor noir para mim. É por isso que coloco Ross MacDonald lá atrás na Santíssima Trindade: seus livros muitas vezes têm um impostor como parte fundamental da trama (o que é melhor que Agatha Christie, que sempre tem um impostor que não sabe o seu lugar na sociedade inglesa; é uma das razões menores entre as que me fazem detestar a velha dama indigna). O que o torna grande é a dimensão psicológica que têm seus personagens e a perspicácia ao adaptar a estrutura do noir aos EUA dos anos 60 (se eu fosse recomendar um livro de MacDonald, entre os que li, recomendaria “O Inimigo Imediato”, o que melhor condensa suas qualidades).

Mas o comentário do Miguel me deixou curioso. Assim que achar um livro do sujeito, eu dou uma olhada.

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