Comentando os comentários aos comentários

O macrocéfalo postou aqui um comentário muito bonitinho, chamando a todos que não concordam com as bobagens do Mainardi de patéticos.

Típico desse pessoal que fala das coisas sem saber do que está falando, lá vai ele falando em usurpação pelo Furtado. Eu só acho que o pessoal deveria ler o tal edital antes de sair fazendo suas invectivas.

Já que custa tanto dar uma procurada, aqui estão algumas palavrinhas a respeito desse fato:

EDITAL DE CONCURSO Nº 7, DE 7 DE JULHO DE 2004.
O Ministério da Cultura – MinC, por meio da Secretaria do Audiovisual SAv, torna público o Concurso Público de Apoio ao DESENVOLVIMENTO DE ROTEIROS CINEMATOGRÁFICOS, INÉDITOS, DE LONGA METRAGEM, DO GÊNERO FICÇÃO, instituído pela Portaria nº 155, de 30 de junho de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 5 de julho de 2004, destinado às pessoas físicas, na categoria de roteirista, nas condições e exigências estabelecidas neste Edital e seus anexos I, II, II e IV, subsidiando-se pela Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

1. DO OBJETO
1.1 Apoiar o desenvolvimento de roteiros cinematográficos inéditos de longa metragem, do gênero ficção, a serem selecionados na forma deste Edital, visando:
a) Incentivar a formação de novos profissionais de roteiro, bem como possibilitar o aprimoramento de técnicas e métodos para o seu desenvolvimento profissional; e
b) Atender as demandas de produção cinematográfica nacional.

Quem quiser pode baixar aqui o edital completo.

No fim das contas, o principal argumento do pessoal peca na base, porque a conversa de que o concurso se destinava exclusivamente ao desenvolvimento de novos talentos é uma torção dos fatos. Já li muitos editais de governos de vários Estados para entender que dentro de seus termos o incentivo é desejável, sim, mas dentro do que chamam de macro-conjuntura. Os itens A e B são complementares, o que quer dizer que entre um bom roteiro de alguém com experiência e um mau roteiro de um noviço o primeiro seria aprovado.

Para todos os que defendem o libérrimo mercado, esse critério não deveria sequer ser discutido.

Parece que aquele pessoal defensor de teorias fisiognomônicas está errado. Mas, mesmo que eu não tenha visto onde foi que o Marcus deu essa “superioridade moral” ao Furtado, gostei do apelido que o macrocéfalo lhe deu.

Com vocês, Marquito Persona, defensor dos cineastas oprimidos.

18 thoughts on “Comentando os comentários aos comentários

  1. Bem esclarecedor.Gosto muito do Jorge Furtado, O homem que copiava é um dos meus filmes favoritos, sempre acompanhei as colunas dele no jornal aqui do sul, estava difícil de engolir tudo que tem se falado esses dias.É só uma pessoa começar a fazer um certo sucesso que alguém arruma um jeito de difamar.

  2. Vixe. Só agora que eu fui ler o comentário do cara. Esses olavetes, wunderbobos et caterva são muito repetitivos: ataques “ad hominem” e argumentação agressiva, como se a direita tivesse alguma superioridade moral intrínsceca. Aff…

    O problema desse pessoal é que eles não sabem ler. Eu não disse que a qualidade do trabalho do Furtado deixava ele imune a críticas, eu disse apenas que as informações irrelevantes citadas pelo Mainardi (nenhuma delas desabonadora para o cineasta) não tinham sido notadas por ninguém, pois ninguém se preocupa com bobagens dessas, e sim com o trabalho artístico do cara. Se houvesse alguma denúncia concreta, algum desvio de dinheiro, isso com certeza teria grande destaque, assim como aconteceu com Norma Bengell e aquele menino do “Chatô”.

    Eles fazem muito pior do que isso: negam o valor artístico até de gênios (tipo chamar Picasso de “dublê de artista”) apenas por causa de julgamentos morais. Julgamentos baseados na moral mais tacanha que consigo imaginar…

    Eu não leio Diogo Mainardi, eu não leio Guilherme Fiúza, eu não leio Augusto Nunes, eu não leio patrulhadores e donos da verdade em geral. Eles não são jornalistas. Eu leio jornalistas que pelo menos procurem dosar os fatos dentro de princípios razoáveis, e deixar que os próprios fatos falem por si.

  3. Liberais e “não-liberais” discutem se o Estado pode ou não financiar cinema. A questão não é se pode, é se deve.
    Para os liberais “não pode” porque o Estado deve ser mínimo, para os não-liberais “pode” porque seria de interesse da sociedade.
    Tenho boas e más notícias para ambos. Poder, pode qualquer coisa. A sociedade através do voto confere legitimidade ao modelo de Estado criado pelos constituintes e posteriormente para os rumos dados a este Estado pelos políticos em geral, suas leis e atos administrativos. Assim, respeitado o prumo filosófico dado pela Constituição pode-se tudo e, no Estado brasileiro, não há nada de ilegal ou errado em financiar cinema.
    Agora vem a questão, pode, mas, deve? Na minha opinião não deve. Penso que os liberais estão certos em dizer que um Estado grande é problema, discordo deles apenas no que seria esse Estado grande, mas, nesse caso específico do cinema acho que o Alexandre resumiu bem a coisa, assim como o Paulo.
    Penso que o Estado não deve atuar de forma tão direta e específica em produção cultural, fazendo licitações para financiar este ou aquele filme. Concordo que cultura é de interesse da sociedade, mas, tudo que existe, desde padaria, redes de tv, lavouras, etc, são de interesse da sociedade, nem por isso queremos estatizar tudo ou manter tudo com financiamentos e incentivos estatais, etc.
    Quando se fala em cultura, acho que a atuação do Estado deve estar 100% voltada para a educação. Até mesmo para faculdades de cinema e financiamento de projetos de alunos, mas, só isso. Filmes comerciais não.
    Se quiserem incentivar o mercado do cinema que seja apenas de forma geral, dando incentivo fiscal para todas as produtoras, distribuidoras, investidores, etc. Até produtora de filme pornô teria direito, eheheheh. Afinal qualidade só sai quando se garimpa na quantidade. Muitos e muitos filmes, de todo tipo, sendo produzidos graças à falta de oneração tributária. Aí sairão inevitávelmente obras de arte. Se o mercado se firmar, podem até passar a tributar. Se não se firmar, deixem morrer. Manter cachorro morto vivo na UTI pra quê? Se o povo não quer cinema nacional, não tem cinema. Ponto.

  4. Ah, notem que concordaria com um incentivo por omissão (deixar de tributar de todas as formas o processo produtivo e os investidores), mas, sou totalmente contra incentivos por ação, licitações, financiamentos, programas de incentivo, etc. Isso não “deve” estar entre as ações de um Estado. Ações desse tipo tornam o Estado maior do que deve ser e mais ineficiente naquilo que é fundamental. Essa é minha opinião.

  5. Se, ainda assim, cinema nacional não se tornar um bom negócio, é porque os profissionais são técnica ou comercialmente incompetentes e/ou não existe mercado (o povo não quer cinema nacional). Pra que manter então?

  6. Cultura é extrato, temos que ter um mercado de cinema para que dele surjam filmes excepicionais (além do comum, fora das formas normais). O que o governo precisa é estimular o mercado, o segmento de mercado chamado cinema. É um bom investimento? Claro, temos uma televisão bem formada que funciona como gerador profissional (por favor não venham me dizer que televisão é muito diferente de cinema, não são gêmeos de mesmo óvulo mas são irmãos). Deste mercado é que vai surgir um cinema de maior qualidade. Cultura não é pinto, não adianta obter em chocadeiras.

  7. Caro Rafael, que bom que gostastes do apelido.
    O que num deu pra entender foi a desporporcional reaçãozinha do Marquito e de alguns comentadores. Rapaz, acaso lessem atenta e friamente a mensagem que postei, certamente veriam que nela não há qualquer espécie de ataque pessoal, afinal não chamei o Marquito de patético. Disse sim que a atitude de tentar defender quem quer que seja por meio de elogios a seu acervo artístico é patética. Só isso, mais não disse. Agora, só o fato de Marquito e outros tomarem contra-argumentações, refutações, discordâncias como agressões pessoais, infelizmente, diz muito sobre suas personalidades, culminando no desejo (doentio) de excluir de seus olhinhos qualquer mensagem que não os agrade. Sei não…Vá lá, em nome do férplei, peço-lhe desculpas, caríssimo Marquito Persona. Agora se tomares esse pedido como uma rendição a teus pobres argumentos, pode ir tirando o eqüino da precipitação…

  8. Só mais uma coisinha, dileto Rafel. Por favor, não distorça meus argumentos. Em nenhum momento chamei de patéticos “todos aqueles que discordam das bobagens do Mainardi”. Não tenho o hábito de cultivar ídolos… Convém repetir, reputei patética a atitude de tentar defender alguém invocando suas qualidades como artista. Só isso. Algo que, NA MINHA MODESTÍSSIMA OPINIÃO, o caro Marquito persona deixou transparecer em seu comentário:

    “Ele compilou um monte de informações sobre o Jorge Furtado que eu não tinha o menor conhecimento. Sim, elas tinham sido publicadas por aí, mas nada que tivesse chamado a atenção de muita gente — as pessoas se importam com o essencial, o talento desse cara, que produziu o melhor filme em curta ou longa metragem de toda a história do país, que é o “Ilha das Flores”.”

    Essa passagem reflete bem o espírito da coisa. O caríssimo Marquito, sem refutar nenhuma das acusações do articulista de Veja (se são verdeiras ou não é outra estória) vai logo dizendo que o essencial é se concentrar no talento blá-blá-blá… Mermão, a questão de ser talentoso ou não, por envolver juízos subjetivos, não serve para desmascarar acusações sobre fatos concretos. Caso essas últimas sejam injustas ou inverídicas, caberia então desmascará-las, tão somente. Acho que a caricaturização dos argumentos postados em contrário a nossas OPINIÕES além de não contribuir em nada com o engrandecimento do debate, tem um efeito nocivo, à medida que gera toda uma pletora de mal-entendidos que têm o poder inclusive de empurrar uma simples troca de idéias para a detestável vala das agressões pessoais, falô?!

    Abraço

  9. Aceito as desculpas e as peço também, Kbeção, esperando que você tenha notado que eu retirei os termos ofensivos que falei sobre você…

    …mas infelizmente você tem uma séria deficiência cognitiva, o que me obriga a um comentário quilométrico:

    “Disse sim que a atitude de tentar defender quem quer que seja por meio de elogios a seu acervo artístico é patética”.

    Mas eu não defendi o Jorge Furtado. Eu apenas comentei que as pessoas não se importam com as questiúnculas colocadas pelo Mainardi (que já tinham sido publicadas pela imprensa), pois elas não estão interessadas em fazer julgamentos morais de artistas, e sim apreciar (ou não) a sua obra. A citação de “Ilha das Flores” como melhor filme de todos os tempos foi para mostrar que ele tem talento e é com isso que as pessoas se importam.

    “O caríssimo Marquito, sem refutar nenhuma das acusações do articulista de Veja (se são verdeiras ou não é outra estória) vai logo dizendo que o essencial é se concentrar no talento”.

    A questão não é se são verdadeiras. Eu não refutei nenhuma das acusações porque elas não são acusações. Não existe uma linha no artigo de Mainardi que seja realmente uma acusação. São apenas julgamentos morais sobre posturas pessoais do cineasta.

    E tem mais, eu não disse que “o essencial é se concentrar no talento”. Pra falar a verdade, eu sequer disse que as pessoas não deviam se importar com os fatos do Mainardi, eu disse é que elas não se importaram… dá pra perceber a diferença, não dá?

    As informações do artigo do Mainardi já tinha sido publicadas na imprensa e não chamaram a atenção de ninguém, ou melhor, ninguém viu esses fatos pelo prisma negativo que ele usou. Eu estava apenas relatando um fato, pra realçar o caráter de stalker que o Mainardi adquiriu, e não defendendo alguma coisa…

    “Mermão, a questão de ser talentoso ou não, por envolver juízos subjetivos, não serve para desmascarar acusações sobre fatos concretos”.

    Pois é, pra você o juízo sobre a qualidade de uma obra é tão, mas tão subjetivo, que você se dá ao direito de chamar Picasso de “dublê de artista”. O que me faz imaginar que você e outros patrulhadores da direita no fundo não se interessam tanto pelo julgamento da obra do artista, mas pelo julgamento moral da vida pessoal dele…

  10. Ohhhhhhhh! Só agora pude ler a pá de cal do Marcuzinho Personal (com trocadilho, por favor). É que a máquina aqui de casa deu pane e lá no trabalho há pelo menos três dias estou sem internet. Vamo lá, sucintamente, tentar jogar alguma luz na desmiolada cabecinha do Marquito. Pra começar, nada melhor do que recorrer ao Houaiss, o pai dos mobrais.

    Acusar 😕 verbo
    transitivo direto, bitransitivo, intransitivo e pronominal
    1 atribuir falta, infração ou crime a (alguém ou si próprio); culpar(-se), incriminar(-se)
    Ex.:
    pronominal
    1.1 declarar-se culpado espontaneamente; denunciar-se, confessar-se
    Ex.: arrependido, acusou-se perante as autoridades
    transitivo direto e pronominal
    2 ter ou exprimir um julgamento moral desfavorável em relação a (alguém ou si próprio); censurar(-se), culpar(-se), repreender(-se)
    Ex.:
    (…)

    Tá vendo, cabôco?! Leu a acepção de número dois. O Mainardi, no mínimo, acusou o fazedor de filmes de incoerente e mamador de tetas do leviatã. Se não houvesse acusações, o que diacho o Jorginho Surrupiado iria fazer batendo as portas da ceguinha? Sei não….Tem mais, você defendeu o cineasta sim! A partir do momento que você diz que aqueles fatos são irrelevantes se comparados à obra do cara, você assume sim uma postura defensiva. Em direito existe uma defesa do réu que consiste basicamente em invocar a irrelevância dos crimes (Princípio da Insignificância). Como você parece que é meio estreito das idéias, devo esclarecer que não estou dizendo que o Afanado cometeu crimes, é só uma analogiazinha…

    Dublê
    ? substantivo de dois gêneros
    Regionalismo: Brasil.
    1 indivíduo fisicamente parecido com outro, que passa por este em certas oportunidades públicas
    Ex.: os presidentes da república de certos países usam de d.
    1.1 Rubrica: cinema, televisão.
    profissional que toma o lugar do ator em certas cenas de um filme, vídeo etc. (p.ex., quando há perigo, em planos distantes, cenas de nudez etc.); duplo, dobrador (P)
    2 Regionalismo: Brasil.
    indivíduo que exerce duas atividades simultâneas
    Ex.: ele é d. de escritor e paisagista
    ? substantivo masculino
    Rubrica: artes gráficas.

    Leu novamente a acepção número dois? Quando falei que Picasso era dublê de artista e canalha quis dizer somente que além de artista o cara era um canalha profissional. Tá bom, como com pessoas de tibieza mental como vossa senhoria temos que falar tudo explicadinho, devo confessar que bem sei que não existe a profissão de canalha…Mas acho que quem manja um bocadinho da inculta bela dava pra entender o que procurei enfatizar.

    Por fim (risadas, muitas risadas…não estou conseguindo me conter, peraí um pouquinho…) Porra, na minha mensagem inicial não há qualquer espécie de posicionamento político. Aliás o debate fluiu mais quanto ao aspecto moral do que propriamente à política. Como é que o Marcuzinho vem carimbar na minha testa a palavra “direita”? Ainda tem o topete de chamar-me de patrulhador. Patrulhador é você! A máscara caiu…

    P.s: Adoro as obras de arte do Picasso. Tu é que estás a confundir “Orbas de Arte do Mestre Picasso com pica de aço do mestre de obras”.

  11. Alguem ai sabai que a familia do Furtado era toda ligada à ditadura? O próprio vô do cineasta era militar de importancia dentro da politica regional da epoca.

    Com meritos ou sem meritos uma coisa ninguem pode negar, poucos começam do nada…

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