Dois ou três comentários sobre o show dos Stones

Visto pela TV, é claro.

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Alguém bem que podia fazer a caridade de avisar a Jagger que, quando ele rebola aquela sua bunda seca, o resultado não é bonito.

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É impressão minha ou o único que ainda se diverte ali é Ron Wood?

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Os velhinhos destruíram Get Off Of My Cloud. Destruíram. Pareciam uma banda cover de segunda que tinha aprendido a canção alguns momentos antes. A princípio pensei que é nisso que dá tocar a mesma canção por 40 anos; mas aí lembrei de Satisfaction. E eles tocaram melhor canções difíceis de serem tocadas ao vivo, como You Can’t Always Get What You Want. Não tem explicação.

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É um prazer ver Bobby Keys ainda tocando. Eu jurava que aquele Stone honorário (o outro é Chuck Leavell, o tecladista) já tinha batido as botas. Os anos 70 não acabaram.

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Eu não deixo de ficar espantado cada vez que vejo Keith Richards. Agora eu já sei por que a heroína não o matou. Ele já estava morto. Keith Richards é uma múmia, sempre foi, a gente é que não percebeu. Só não entendo por que o pessoal do combate às drogas não o utiliza em uma campanha. Até já imaginei o cartaz a ser pregado nas escolas. Uma foto dele, e o título: “A heroína mata. E quando não mata, deixa você assim.”

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Conclusão lógica vendo o estado de Mick Jagger e o de Keith Richards: cocaína faz bem. Heroína não faz bem.

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O único sorriso dado por Charlie Watts foi no final de Satisfaction. Como quem diz: “Oba, esta merda já está acabando.”

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A moça ao meu lado:

— Essa Luciana Gimenez é uma valente, pra deitar com esse cacareco.

— Que nada. Valente é quem dá pruns pés-rapados sem um puto no bolso. Como eu.

A verdade dói.

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Mas a verdade é que os maus velhinhos dão um show de verdade, e uma aula de profissionalismo. Mick Jagger tem o direito adquirido de enrolar durante um show, mas isso é algo que nem parece passar por sua cabeça.

É basicamente o show de sempre: as músicas novas são via de regra ruins, as antigas são invariavelmente boas. Os backing vocals eram fracos. Jagger e Richards parecem evitar até mesmo olhar um para o outro. A impressão que se tem — a julgar por depoimentos de quem foi aos shows dos dois e por DVDs e transmissões ao vivo — é a de que um show da nova turnê de McCartney é mais interessante. Mas os Stones ainda são os Stones. Se bem que, olhando para o rosto mumificado de Richards, a cara de aidético chapadão de Ron Wood e a expressão de Charlie “eu – tive – hepatite – e – agora – vivo – cansado” Watts, não serão por muito tempo.

19 thoughts on “Dois ou três comentários sobre o show dos Stones

  1. hehehe Adorei sua descrição e avaliação, mas o que eu mais odiei foram as interrupções toscas do zé do fantástico e os comerciais…
    A globo nem deixou rolar o BIS…
    malditos

  2. Pela TV: o som não estava grande coisa. Os sopros iam e voltavam, mesmo em Brown Sugar.

    E o som do público não se ouvia bem. É necessário algum ruído ambiente para dar sentido ao incrível número de erros e desafinações.

    Abraço.

  3. Ouvi falar em algum lugar que essa seria a última turnê da banda. Mas talvez isso seja marketing à la Kiss, vai saber?

  4. Não aguentei mais do que três músicas. Muito, muito, muito chato. Pelamordedeus.

    Que show horroroso. Não tínham a menor vontade de estar ali.
    Pelo menos o Copa Palace é muito lindo. Pqp.

  5. Quando a tv italiana noticiou o show em Copacabana um amigo perguntou: “Porque não aparece um maluco como aquele que matou o Lennon?”
    Quem iria ter coragem de matar aquele bando de velhinhos porretas?

  6. “Valente é quem dá pruns pés-rapados sem um puto no bolso. Como eu”

    “como eu dou” ou “como eu, que não tenho um puto”?

    Hehehehe. Foi mal ficar semanas sem comentar no seu blog e reaparecer qui com uma infame dessa, mas não deu pra perder a piada!

    Abraço

  7. Keith Richards disse um dia, quando fez oitenta anos – ele agora está com 123, não é assim? -, que quando largou a droga, uns dias antes dos oitenta, claro, que até os dentes lhe tinham crescido. Creio que ele agora esteja parecido com o Jerry Lewis.

  8. Concordo com tudo. Inclusive – e principalmente – com “os Stones ainda são os Stones”. E é por isso que eu fui. 😉

  9. Bontio mesmo foi ver a massa cantando. Você pode não acreditar, mas no final a praia inteira cantava. Mesmo os semi-analfabetos…

    Vitória do Rock and Roll!!!

    Ah, vai ser um grande orgulho pra mim dizer aos meus netos que dancei Sympath for The Devil com os próprios Stones tocando.

  10. Parece que muitos homens se sentiram intimidados com a saúde do mick jagger, ou é impressão? realmente aquela saude toda deixa qualquer ser humano perplexo, mas tambem não há necessidade de tirar o mérito do cara, ele é bom indiscutivelmente.

  11. o show foi do caralho em todos os sentidos. velhinhos com aquela energia botando mais de um milhão para cantar e dançar não é tarefa fácil. a versão de night time de ray charles foi emocionante. tambem foi demais a nova versão de get off my cloud. as caras e os cacoetes faciais dos stones são os mesmos há décadas – charlie watts entediado, keith richards de cara fechada, ron wood animadão e jagger rebolativo. uma puta banda de rock´n´roll que em toda sua trajetória foi taxada com esses mesmos adjetivos pejorativos e depreciativos que agora alguns fazem deste show em copacabana. mas de amargar mesmo é ter de encarar o “bom menino” bono vox de braço dado com lulla mensalão.

  12. odiei a transmissao e me odeio por nao ter enfrentado a minha sindrome do panico e ter ido a praia.
    Nos temos um mick jagger de saias, mas que nao deixa nada a dever falo claro da maravilhosa Rita Lee, mesmo ´pela pessima transmissao da globo ( que sonha lançar um dvd do show ) deu para imar ela e o jagger fazerdo caretas e cantando Satisfaction .

  13. Rafa,

    Tudo na vida é comparação.

    Pense bem, tu ainda não havia visto o show do U2…

  14. E aí, não vai comentar o show do U2 não? Ou você odeia tanto a década de 80 que desconsidera uma das maiores bandas da atualidade, e uma das poucas bandas que tem mais de 20 anos sem grandes abismos…

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