Obituário para Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin foi escolhido candidato a presidente pelo PSDB porque eles não achavam ser realmente possível vencer esta eleição. Outros com mais cacife, como Aécio Neves ou mesmo José Serra, não queriam se desgastar desnecessariamente, o que se mostrou, claro, uma estratégia acertada — Serra deve ser o próximo governador de São Paulo e Aécio não sai do governo de Minas Gerais. Sábios, eles acreditam que mais vale um governo na mão que uma presidência voando. O negócio parecia bom também para Alckmin, uma forma de se projetar nacionalmente e deixar de ser um picolé de chuchu diet.

Só que ninguém esperava por uma tragédia como a de ontem, com a divulgação da pesquisa eleitoral do CNT/Sensus.

Sempre achei que Alckmin era o melhor candidato para enfrentar Lula. Não tinha o patrimônio de votos de Serra, e era um sujeito que historicamente não parecia mais que um simples apêndice direitista de um grande homem, Mário Covas. Não oferecia grandes obstáculos para Lula, em princípio. Alckmin se candidataria, receberia os votos das viúvas de Fernando Henrique e dos que não votam em Lula de jeito algum, e sairia razoavelmente bem na fita sem atrapalhar o desfile petista.

Mas havia, claro, o outro lado, favorável para o PSDB. Desconhecido, Alckmin tinha índices de rejeição irrisórios. Ou seja, ele só parecia ter um caminho a seguir, e era para cima. O que parecia ser uma fraqueza podia ser, também, uma vantagem.

Até ontem.

O que mais impressiona na pesquisa do CNT/Sensus não são os números, previsíveis – e até razoáveis para um candidato como Alckmin, responsável direto pelo caos em São Paulo. É o crescimento estonteante dos seus índices de rejeição. Com mais de 40% de pessoas que não votariam nele de jeito nenhum, Alckmin é um exemplar raro: o candidato que ninguém conhece e de quem ninguém gosta.

Ainda é muito cedo para afirmar algo assim categoricamente, mas tudo indica que a partir de 2007 Lula continuará sendo o presidente do Brasil. Com Garotinho finalmente descendo pela latrina da política nacional e a Gralha das Alagoas com índices de rejeição acima de 50% coroando o imutável discurso raivoso – indignado – autista – sem – uma – proposta – decente, o único adversário a ser considerado era Alckmin. Não é mais. Alckmin morreu.

A situação pode mudar, claro. Em política, e em campanha, tudo é possível. Por exemplo, algo pode aparecer para vincular Lula de maneira inegável aos escândalos do mensalão, a grande esperança do PSDB/PFL. É um sonho desesperado, no entanto: além de ser algo altamente improvável, há também uma grande possibilidade de que uma situação hipotética dessas mudasse muito pouco na situação de Lula, que vem sendo bombardeado há exatamente um ano e que, apesar de tudo isso, continua subindo nas pesquisas.

Alckmin morreu e uma campanha nessas condições só vê as coisas piorarem. É sempre uma situação melancólica. A militância perde o ânimo e briga entre si para descobrir de quem, afinal é a culpa. Nos Estados os aliados, quando simplesmente não mudam de lado, passam a se preocupar mais com suas próprias campanhas. Ninguém quer carregar a alça do caixão de uma candidatura defunta, como o próprio PSDB do Ceará fez em 2002 ao tentar vincular a Lula o seu candidato ao governo estadual, Lucio Alcântara, esvaziando assim a de Zé Ayrton, candidato do PT. Nessas horas soturnas, o candidato que um dia acreditou poder envergar a faixa presidencial é deixado sozinho na chuva e no escuro.

Embora seja também improvável, não seria uma surpresa se, numa medida desesperada e a essa altura contraproducente, o PSDB rifasse a candidatura de Alckmin em prol de alguém com um pouco mais de chances, ainda que imaginárias. Fariam como o PFL em 1989, quando tentaram se livrar de um peso morto chamado Aureliano Chaves e embarcaram, por uns poucos dias, numa candidatura absolutamente surrealista.

Nesse caso, Alckmin deveria ter cuidado. Sílvio Santos vem aí. E se não vier, seu destino não deve ser muito melhor.

18 thoughts on “Obituário para Geraldo Alckmin

  1. Excelente análise. Realmente não vejo nenhum nome capaz de fazer frente ao Lula. Mas, como você diz, em política tudo pode mudar… Aguardemos, pois.

  2. Sua análise está correta. Por outro lado, eu desconfio um pouco da medição de rejeição do instituto Sensus, já que os números são sempre muito maiores do que os dos outros institutos. Eu imagino que eles de alguma maneira atrelam a votação positiva de um candidato à votação negativa dos adversários. No Datafolha, deu Lula com rejeição maior que a de seus principais adversários.

    Até por essa desconfiança aí, eu acho que a Louca, embora sem chance de chegar nem perto do Alckmin, pode crescer o suficiente para levar o PSOL aos 5% da cláusula de barreira, e se tornar uma força relevante no próximo Congresso.

  3. Rafael, só discordo do “grande homem” para Mário Covas.
    Um homem que faliu de vez o ensino público do estado, aonde jovens chegam ao final do ensino médio sem saber ler e escrever. A segurança que é esta aí que vemos hoje em dia, a saúde que trabalha a longo prazo em casos de emergência, quando trabalha, não sei se é digno do título de ‘grande homem’. O que ele ganhava e muito era por ser a antítese do Maluf por aqui, mas longe de ser um exemplo de bom administrador.

    abraços

  4. O título do post é quase certeiro.
    E digo quase porque não se trata de um obituário apenas para Alckmin. Trata-se de um obituário para todo o Brasil!
    Alckmin constitui um erro de casting absurdo e era óbvio desde o início que não tinha a mínima hipótese de enfrentar a máquina governista, oleada com muitos milhões de dólares desviados para os cofres do PT. O ex-governador não tem carisma, não tem projeção e muito menos talento político. O PSDB entregou cedo demais os pontos.
    Para o Brasil o obituário chega, perante o triunfo da corrupção, da falta de escrúpulos, do cinismo e da arrogância do PT. Agora legitimada nas urnas, a quadrilha poderá com amplo apoio popular continuar a rapina do erário público e sem constrangimentos de maior deliciar-se com as delíciosas contas do poder.
    Afinal o povo gosta e até quer mais!!!

  5. hehehehe, exemplar raro: o candidato que ninguém conhece e de quem ninguém gosta é demais… Tá em forma, hein, Paraíba?

    E o Garotinho perdeu 1,3 pontos para cada quilo perdido na greve de fome. Perdeu 6,2 quilos e 8 pontos.

    Delicioso passa-tempo da vez: visitar os blogs mais raivosamente tucanos. Perdidaços, coitados, dando tiro prá todo lado.

  6. Rafael,
    obediente a uma gloriosa tradição nordestina, primeiro vou alisar para só depois meter o pau.
    Seguinte é este. Creio e torço para que Alckmin tome sempre no ás de loscopita. Ponto.
    Agora, às correções. Pelos números da CNT/SENSUS não confere quando você diz que ele é “o candidato que ninguém conhece e de quem ninguém gosta”. Atualmente, apenas 12,2% da população não o conhece.
    Outro problema é em relação à rejeição. Você diz, ainda analisando os números da Sensus, que “mais de 40% de pessoas que não votariam nele de jeito nenhum”.
    Não procede. A pergunta da pesquisa CNT é relativa a “Não Votaria” o “de jeito nenhum” inexiste lá.
    Antes que um apressado venha argumentar que isto é somente um preciosismo deste picuinhento aqui que vos aborrece, esclareço:
    Os dados das pesquisas Datafolha e Sensus, que foram colhidos praticamente no mesmo período, são praticamente idênticos em quase todos os aspectos, menos o da rejeição, onde há diferenças consideráveis.
    No instituto da Folha de São Paulo, Lula tem 27$ de rejeição e Alckmin apenas 14%. E nesta pesquisa a pergunta é explicita: “Não votaria de jeito nenhum”.

    Creio que a rejeição a Alckmin tenha crescido, e com justiça, por conta do PCC, mas entendo que os números do Datafolha estão mais próximos da realidade por conta da formulação da pergunta.
    É isso. Abraços.

  7. A Opus Dei, linchada em praça pública.

    O Código Da Vinci, segunda maior bilheteria da história.

    E o Senhor viu, e viu que era bom.

    ps: Idelber…existe blog PSDBista ????

    ps2: Freddy tem um ponto. 🙂

  8. Concordo plenamente com a 1ª anlálise. Realmente, não há candidato para combater Lula. A não ser que haja maracutáia. Afinal de contas de Alckmin, fosse tão confiável assim, não teria deixado o cargo de gov. de SP pela metade. Afinal o povo o elegeu, acreditando que ele iria fazer algo pelo estado. Mas não ele abandonou o cargo pela metade e deixou em péssimas condições, haja vista a criminalidade e a dificuldade de controle da margnalidade. Os trejeitos caras-e boca de Alckmin, me deixam em dúvida quando ele fala, não parece falar com o coração mas da boca para fora. O que ele quer mesmo é a presidência. Ela fala que vai mudar as leis do Cód. Penal e outros, mas como é que ele explica essa tão poderosa força, já que são os deputados que fazem as leis. Só quem não entende é que acredita no que ele fala. Há momentos, que ele não diz coisa com coisa.

  9. Venho atravez desse e-mail comunicar desesperadamente o seu comportamento com os nordestinos, gostaria que investisse mais em sua campanha no povo do nordeste, pois grande parte nao o deseja, mais nos, uma pequena parte, queria que todos o desejase com Presidente, pois sabemos da sua capacidade, Deus lhe Abençoi e que seja Eleito para tirar os ladroes do PODER

  10. Os petista se preparem para ser viuvas do Lula, pois este irá para o ralo político no 2º turno destas eleições.
    Não possível que o povo brasileiro vá premiar a incompetência administrativa (vergonhoso ficar só a gfrente do Haiti no crescimento econômico) e a desonestidade descarada nunca se viu na história brasieira tanta corrupçao de pessoas diretamente ligadas ao governo ou da intimidade pessoal do Presidente da Repúblico. Como dizia oo Boris ISTO É UMA VERGONHA das grandes, e o Brasil deve ser passado a limpo.

  11. Ele não morreu!!!
    Comentário totalmente infeliz… Não é assim que se analisa política… A prova esta ai, no resultado do primeiro turno, e a surpresa será ainda maior… O Governo do PT jah acabou…
    Quem estah morto, não é o Alckmin…

  12. Tenho certeza que G.W. será nosso próximo Presidente. Sei que o primeiro ano será de cobrir rombos que o governo atual (ou anterior) deixou, como exmplo o cartão de crédito da esposa do Lula. Como disse um dos candidatos, ainda no primeiro turno: “A corrupção é também a compra de um avião luxuoso para o presidente enquanto a maioria da população anda de ônibus como sardinhas enlatadas; o cartão de crédito da mulher de Lula ja ter chegado à compras de 400 mil reais; os filhos do lula estudarem no exterior enquanto nossas escolas e faculdades, como UFRJ, estarem cainda aos pedaços.
    Acho, sinceramente, vergonhoso que o presidente Lula não saiba o que esta acontecendo dentro de sua própria “casa” e pior, com acessores diretos!
    Fico a me perguntar, será que ele tem capacidade de ver o que acontece com o povo brasileiro?

  13. Direto do túnel do tempo! Caí aqui atrás da expressão “às de loscopita” (estava tentando descobrir se é invenção do Franciel ou tem mais gente que usa). Os 5 últimos comentários são ótimos: a Teresa, doidaça, achando que você é o falecido. Os outros coitados negando-se a enxergar o óbvio. Muito engraçado ler isto tudo agora.

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