Para não ler o Pato Donald

Nos anos 70 e 80 um livro fez muito sucesso entre o pessoal de esquerda: “Para Ler o Pato Donald”, dos chilenos Ariel Dorfman e Armand Mattelart.

O livro dava uma explicação racional e, claro, marxista sobre o fenômeno das histórias em quadrinhos. Mostrava como cada quadro era imbuído de uma densa propaganda ideológica, e como os arquétipos ali presentes eram aqueles do capitalismo americano.

Claro que o livro estava corretíssimo, e não é isso que se discute aqui.

O que se discute é que, correto ou não, é preciso ser uma pessoa muito, muito chata para ler quadrinhos Disney preocupada com os detalhes ideológicos das histórias. O universo Disney era brilhante, era engraçado — mas sobretudo era interessante e divertido. Pode ser alienação, mas e daí? (se mesmo assim alguém insiste em ser intelectual combativo ao ler o Pato Donald, aqui está uma explicação quase “filosófico-burguesa” para os quadrinhos.)

Eu tinha uma teoria — furada, como todas as minhas teorias — de que “Para Ler O Pato Donald” só podia ser o resultado de uma trauma muito grande na vida de seus autores. Eu imaginava que eles cresceram juntos, com um terceiro amigo. Esse amigo não desgrudava de suas revistinhas do Pato Donald. Em 1972, teria participado do golpe que derrubou Allende, coroando um longo processo de afastamento de seus amigos. Essa era a única explicação que eu conseguia dar para tamanha ranhetice.

Eu não gostaria de sentar em uma mesa de bar com esses dois seres inescrupulosos.

8 thoughts on “Para não ler o Pato Donald

  1. Hehehehe…. imagina se eles já tivessem pensado naquele grande enigma: “se o pato donald anda sem calças, pq quando sai do banho sai enrolado na toalha?”. Nem o pobre do pato escapou. heheheh

  2. Pior foi ter que “analisar” durante um semestre inteiro…com aulas aos sábados pela manhã…este livro!!!

  3. olha, vou te dizer que alem de ser um livro de alto teor paranoico-esquerdista, é também uma total tolice… os outores pegaram historias do Barks e analizaram somente trechos que julgavam interessantes – sem dar chance para outra interpretaçao.

    nao é possivel alguem com bom senso imaginar o genial Barks como arma “diabolica do capitalismo”, um sujeito tem que ser muito, mas muito alienado ( alienado de esquerda) pra enchergar tanta maldade em coisas tao bacanas.

  4. “Para ler o pato do donal” faz uma leitura ideológica através do marxismo…mas e daí ? O universo disney é sagrado ? Claro que não . Dizer que os autores do livro são “chatos” é pura preguiça mental. Sou um grande fã de Barkas , mas isso não me impediu de constatar que grande parte do conteúdo do livro não é simples teoria da conspiração…

    O que vocês chamam de chatice e complexo , é o que eu chamo de genial . O que vocês chamam de chatice , é simplismente não estar anestesiado pela maldita socidede de consumo…

  5. Bem, se esse livro critica toda a manipulação que a Disney constrói sobre os consumidores de seus produtos, é importante lembrar que o próprio livro só aborda os aspectos dos quadrinhos que justificam sua teoria. Isso é a omissão do outro lado, tentando nos esconder parte da realidade para nos convencer. É preciso ter tudo nas mãos para sabermos se o que falam é, de fato, verdade.

  6. Vale lembrar que os quadrinhos que os chilenos tanto criticam, na sua maioria NÃO foram publicados nos EUA. Por essa época, os quadrinhos Disney estavam em baixa, tanto que a editora faliu. Quem publicava muito era a Itália, além da Europa como um todo.

    Aliás, isso vem até hoje. A Gladstone, penúltima editora que se atreveu a publicar Disney nos EUA nos anos 90, faliu.

    Logo, a análise dele pode até ser correta (e imagino que seja), mas o alvo está errado. Ele criticou os europeus, não os estadunidenses.

    E faça-me o favor, Carl Barks era o cara. =D

  7. Seres inescrupulosos ? Na minha opinião, o único ser inescrupuloso foi o Walt Disney, e hoje posso ver um pouco de seu “universo brilhante” refletido no Iraque, e até mesmo nas favelas aqui do Rio. O trauma dos autores chilenos foi de ver a economia de seu país ser totalmente destruída… e viva a “ranhetice” que nos faz pensar ! Não qro ser uma alienada por opção e por acomodação ! Enfim… essa é a minha opinião.

  8. O livro do Dorfman e do Mattelart foi o símbolo e o expoente máximo da Esquerda fanática, alienada, e inquisitorial!
    A esquerda que vê inimigos políticos nos personagens de Disney, como nos eternos Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey, Irmãos Metralha, etc, só PODE ser uma Esquerda doente!… Mesmo MUITO DOENTE!!!
    Que desgraça para os autores, pois o seu sistema político faliu com a queda do Muro de Berlim!… E quanto ao universo Disney, que continua a fascinar gerações de crianças em todo o Mundo, continua por aí…
    Políticos de Esquerda e Agentes funerários, que Deus nos livre!!!

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