Post scriptum acerca do Let it Be… Naked

É, eu menti. Aquele não era o último post sobre o Let it Be… Naked. Mas a culpa é do Tuzi.

Desde o início dava para saber que o LIBN era um fraude; não era o Get Back, cru, nem uma versão re-produzida e aperfeiçoada; ele ficou no meio do caminho, falso em seus overdubs e desonesto ao tentar nos convencer do contrário.

Já vi uma série de críticas equivocadas sobre o Let it Be. Como esta, da Salon, por exemplo:

After the baroque studio wizardry of “Sgt. Pepper’s” and “The White Album,” we get to hear the band playing together again, live and with no overdubs.

Na verdade, o “Álbum Branco” não tem absolutamente nada a ver com o Sgt. Pepper’s; já era, em 1968, uma volta ao rock and roll básico, e uma espécie de parabólica musical. Essa idéia se vê já a partir da capa, totalmente branca, indo na contramão do psicodelismo rampante da época.

Na verdade, a diferença no projeto Get Back era a respeito da banda, não do som. Eles queriam ver se conseguiam tocar “ao vivo” novamente, sem overdubs (e nisso a resenha da Salon está correta). E por isso o que fizeram agora é uma fraude, porque não é nada, no fim das contas.

Mas há uma fraude ainda maior no Fly On The Wall, o disco-bônus que acompanha o Let it Be… Naked. Pequenos trechos de música misturados com trechos de diálogo.

Somente com as MP3 que tenho em um só CD eu poderia fazer um disco bem melhor. Por exemplo, a música Two Of Us tem pelo menos 3 grandes versões, totalmente diferentes: a versão rock, uma em que eles cantam com sotaque cockney, e uma — a minha preferida — elétrica, mas lenta. Tem Watching Rainbows; tem Tomorrow Never Comes, tem Hi Ho Silver, tem Suzy Parlor, tem Not Fade Away (cantada pelo que parece ser um Lennon entupido de heroína), tem Get Back cantada em alemão, tem No Pakistanis e Commonwealth, tem Lennon cantando a primeira música música escrita por McCartney, I Lost My Little Girl, tem McCartney tocando Let it Be pela primeira vez para os outros e ensinando os acordes… Os arquivos da Apple estão cheios de pequenas preciosidades, pelo menos para os fãs. Sem contar os pequenos trechos absolutamente canalhas, como What’s the Use of Getting Sober, ou Negro in Reserve, ou When You’re Drunk You Think of Me.

É só pensar em tudo isso e ouvir o as migalhas oferecidas em Fly on the Wall para ver que aquilo é lixo, pelo menos para um fã.

Por outro lado, Lennon sempre disse que Phil Spector tinha salvo o Let it Be. Eu, pelo menos, duvidava disso. Mas agora dá para ver que Lennon tinha razão. A nova versão impressiona pela qualidade do som, mas musicalmente é algo indigesto, e muitas vezes inferior ao original.

Ouvindo o LIBN dá para ter uma idéia mais clara do trabalho colossal que deram a Spector. Ele certamente escolheu os melhores takes, e muito da orquestração que colocou serve também para encobrir erros. A versão de Get Back, pro exemplo, é triste. Two of Us também. A única versão que realmente ficou melhor é a de Let it Be.

É só pedir a alguém que não conheça os dois discos e pedir para ele ouvir os dois. Vai ver que, descontada a história e essas coisas, o Let it Be original é muito melhor.

4 thoughts on “Post scriptum acerca do Let it Be… Naked

  1. Bia… Quem é Jeff Buckley? Quem é Wilco? E quem é Vic Chesnutt? Pelo visto ando mais por fora dessas coisas que umbigo de vedete.

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