História e Hollywood

Assistindo de novo a “Viva Zapata!”, filme de 1952. Tinha tudo para ser maravilhoso: dirigido por Elia Kazan, escrito por John Steinbeck e estrelado por Marlon Brando e Anthony Quinn.

Mas eu não gosto do filme, não gosto sequer da atuação de Brando: o filme vale a pena apenas pelo desempenho de Quinn. E agora ele me deixou pensando em mais uma daquelas tantas coisas que me enchem o saco.

“Viva Zapata!” é um amontoado de inverdades históricas. Retrata Zapata como um analfabeto miserável e carismático, cria uma imagem voluntarista para a Revolução Mexicana. A verdade é que Zapata nunca foi pobre (nunca foi rico, entretanto), e foi bastante influenciado pelo anarquismo. Sua ação política, se radical em suas reivindicações de reforma agrária e táticas utilizadas, foi conseqüente e até inteligente.

O ruim em aprender história com os professores de Hollywood é que se tem, sempre, uma imagem falsa do que é a história. Não apenas por causa da “licença poética”, mas também porque eles se esforçam em transmitir uma imagem individualista de fenômenos históricos, normalmente com um viés imperialista.

Sem contar quando resolvem simplesmente jogar estrume na história. Eu, por exemplo, saí do cinema após ver “Gladiador” nauseado por ver aquela Roma que parece ter saído de um cenário de “Guerra nas Estrelas” e pelo desprezo com que trataram a história.

Mesmo assim estou esperando para ver “Tróia”. Os muros da cidade não parecem ter nenhuma relação com as ruínas que Schliemann descobriu. Mas eu sou que nem mulher de malandro, fazer o quê?

E, infelizmente, eu conheço gente demais que aprendeu história com esses filmes.

2 thoughts on “História e Hollywood

  1. cara do céu!
    enquanto lia o post, e “refletindo” sobre o que vc falava, na hora que disse “joga bosta” ME VEIO NA CABEÇA JUSTAMENTE O FILME DO GLADIADOR!!
    HAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

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