Ria com ela

Há uma certa graça no jeito como as pessoas vão ao cinema. Se é um filme bobo, elas se sentem autorizadas a gargalhar. Mas se é um filme que presumem “de arte”, definição esdrúxula que não consigo entender, a coisa muda de figura.

Foi assistindo a um desses filmes que cheguei à conclusão de que, quando o assunto é arte, a maioria dos entendidos é um grande rebanho de ovelhas, que simplesmente seguem o que seu pastor diz. Se o pastor diz para saltarem de um precipício, elas saltam.

O filme é “Fale com Ela”, de Almodóvar, em um cinema de Botafogo. Começa a cena de El Amante Minguante. As pessoas parecem pensar que estão diante de “Um Cão Andaluz”, e assistem ao sujeito entrando vagina monumental adentro com a reverência devida ao mais impenetrável hermetismo surrealista.

Eu sou o único no cinema a gargalhar. Porque aquela cena é para isso — aliás, Almodóvar é para gargalhar, mesmo. Na verdade, “Um Cão Andaluz” também. Aqui e ali umas risadinhas acanhadas se manifestam. E se calam em um instante.

Era um rebanho muito circunspecto, aquele.

7 thoughts on “Ria com ela

  1. … Quem leva tudo muito a sério, quem acha que não se deve rir diante de “filmes de arte” comete uma bela de uma bandeira. Afinal de contas, bom humor é sinal de inteligência (para mim, pelo menos). O problema é que esse pessoal que se leva a sério demais enfiou na cabeça o maldito manual: “Como parecer culto e intelectualmente bem dotado”.

  2. tá certo! mas que do meio para o fim o filme fica IMPOSSÍVEL de gargalhar isso também é!

  3. Luiz( eu posso chamar de Bia, já q vi seu site e acompanhei o seu caso limeira?) concordo plenamente com voce….do meio pro fim fica impossível mesmo… mas que ele me lembra o nelsinhu rodrigues…ah me lembra!!! sem falar q eu tenho um amigo gay qu e´a cara daquele enfermeiro.fiquei mesmo tentada a achar que alguem com aquela cara de dúvida sobre a função dos próprios cromossomos fosse mesmo o dono da criança.

  4. heheheheheh… Luluzita, essa dos cromossomos vai pro meu caderninho! Aliás, já parou pra pensar na loucura que é sermos codificados desse jeito? Ô vida louca!

  5. Ah, Luluzita, o Luiz Biajoni tem outros apelidinhos. Tem o Bia, mas também tem Bill, Bigodon… Bigodon é o máximo, né? hehhe…

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