Convenções

K, W, Y.

Se você acha que leu três letras no parágrafo anterior, corra para um oftalmologista, porque você está enxergando mal. É ilusão de ótica. Essas letras não existem.

Pelo menos não na ortografia oficial brasileira.

Há algum tempo, um grupo de sábios resolveu que essas letras estavam sobrando no nosso alfabeto. Eliminaram as semi-vogais e dispensaram o K por redundante, acho. E passamos todos a fingir que essas três letras não existiam.

Enquanto isso o mundo continuava a girar e a aldeia global de McLuhan se concretizava, nos obrigando a conviver com New York. Mesmo antes disso, as pessoas continuavam nesse movimento de ignorantes, batizando seus filhos (conseqüentemente com a complacência do Estado) com letras que não existiam. Os milhares de Jacksons, Wilsons e Gladys no Brasil podem atestar essa preferência nacional pelo inexistente.

Toquei no assunto porque estou puto. Minha filha me deu a maior bronca, há alguns dias, porque ao declamar o alfabeto para ela esqueci essas três letras danadas. Eu não gosto de levar bronca. E ela não aceitou as desculpas que balbuciei de cabeça baixa, alegando que a culpa é de um bando de idiotas que resolveu banir três letras insignificantes, e de outros atarantados que ensinam a ela um alfabeto ainda inexistente.

Ela tinha razão.

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