Noivo, pode beijar o noivo

Com a confusão sobre o casamento gay, pastores anglicanos na Inglaterra estão dizendo que preferem ser processados a realizar casamentos de transexuais, o que poderá ser obrigatório graças à futura Lei de Reconhecimento Sexual.

É uma discussão interessante sobre os limites do casamento.

Parece lógico que tão justo quanto dar a homossexuais o direito de oficializar sua união é reconhecer o direito de uma igreja ou qualquer outra instituição de manter seus princípios. Já não se fala mais de justiça ou de igualdade, mas de um grupo impondo suas convicções a outro. E quando isso acontece ocorre injustiça.

A questão é que qualquer clube tem suas regras. Se discordo delas, tenho o direito de não fazer parte dele. Se passo a discordar depois de entrar, tenho o dever de sair. Por exemplo, um padre não é obrigado a se ordenar; mas depois que se ordena, é uma questão de ética se manter fiel aos seus votos. Se acha que não dá — e acho que é impossível seguir aqueles absurdos –, e eles não querem mudar, saia. Mas é hipocrisia continuar querendo o melhor de dois mundos muitas vezes antagônicos.

Se é injusto impedir que duas pessoas que se amam legalizem sua relação da mesma forma que heteressexuais, é também injusto exigir que uma igreja violente seus princípios. Não custa lembrar que religião e Estado, de uns tempos para cá, viraram coisas separadas.

Obrigar uma igreja a realizar um ato que julga um grande pecado é um profundo desrespeito a ela. Desnecessário, inclusive: não me parece que as pessoas precisem das bênçãos de pastores ou igrejas para serem felizes.

É também burrice. Com exceção da direita mais conservadora, a maior parte das pessoas sensatas é favorável à união civil de homossexuais. É fácil reconhecer o direito de alguém de se tornar reconhecido como o companheiro de outra. Mas quando se trata de ir de encontro àquilo que as pessoas acreditam ser maior que elas, como a religião, a coisa muda de figura.

Que me desculpem a grosseria, mas bater pé para entrar na igreja vestindo branco é viadagem.

E a propósito: a Igreja Rafaélica de Todos os Tostões realiza casamentos homossexuais. Mas a taxa é mais alta.

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