Almanaque Disney

Ainda lembro do dia em que comprei o meu primeiro Almanaque Disney. Foi em agosto de 1977.

O Almanaque Disney era uma das revistas com o melhor custo/benefício da praça. Tinha mais histórias que as revistas normais, mais variadas, e ainda tinha uma seção com curiosidades, geralmente sobre a vida animal. Trazia sempre uma quadrinização de algum filme da Disney, os mesmos que, com sorte, podíamos ver na Disneylândia ou na Sessão da Tarde.

Melhores que o Almanaque Disney só as Disney Especial, coletâneas de histórias com um mesmo tema — Os Rivais, Os Cosmonautas, etc. Eram grossas e demoravam mais para serem lidas.

Naquela época os quadrinhos Disney eram a melhor coisa que se podia ler. Maurício de Sousa já tinha um universo tão completo quanto o de hoje — e suas melhores histórias são justamente dessa época, final dos anos 70 –, mas não ocupava o mesmo lugar no imaginário infantil. Os quadrinhos Disney eram onipresentes e absolutos. Era uma grande fase: além das ocasionais histórias de Carl Barks, o estúdio brasileiro fazia coisas excelentes, com um pouco do espírito brasileiro.

Mas o tempo não pára.

Ultimamente, a impressão que tenho é que os quadrinhos Disney sobrevivem em um pulmão artificial. Provavelmente, a Editora Abril só não os abandona por uma questão sentimental: foi com a revista do Pato Donald que Victor Civita começou o seu império editorial (ou de dívidas, como queira). A maioria das histórias, hoje desenhadas na Itália ou na Dinamarca, são chatas, histéricas; e vem se tornando uma característica da Disney a incapacidade crônica de dar um final aceitável a elas. É como se as histórias fossem simplesmente interrompidas.

Hoje em dia não vejo mais crianças lendo suas histórias; seu lugar foi ocupado por Maurício de Sousa (converse com um desenhista e ele vai descer a lenha no sujeito, mas a verdade é que seus personagens são geniais) e pelos noviços do Cartoon Network. É quase inacreditável que personagens universais como o Tio Patinhas e o Pato Donald tenham, simplesmente, envelhecido.

Quando o Pato Donald completou 50 anos houve uma grande comemoração. Este ano ele completa 70, e ninguém mais fala disso. Disney morreu. E o Almanaque Disney virou uma coisa tristemente chata.

12 thoughts on “Almanaque Disney

  1. Rafael,
    Estava pesquisando sobre a loja Sloper, quando caí aqui nesta tua página pessoal.
    O motivo da minha pesquisa é bastante nostálgico, o senhor com quem eu moro era mordomo da casa da Madame Sloper, e passadas 2 semanas com ele eu me comovi pela longa trajetória de vida e sua paixão pela Madame, por isto resolvi pesquisar por onde anda o resquício da família, até agora sei que a residência se situa em Santa Teresa e está abandonada, nesta semana devo ir até lá para pesquisar nas redondesas por onde anda a decadente família, para então alegrar o simpático senhor.
    Até,
    Gabi Antunes.

  2. Imenso prazer em conhecer um blog tão BOM.
    Voltarei sempre. Um abraço do DF.
    Boa sorte e até mais ver.

  3. Gisele e Portinari: brigadão. 🙂

    André, eu tinha esquecido completamente deles. Eram perfeitos. O Zé Baiano, por exemplo, era a minha cara. 😉

  4. Também era fã do Almanaque. Acho que falta injeção de ânimo nos quadrinhos da Disney. O universo e os personagens são ótimos tem tudo pra agradar ainda hj, mas, tá faltando criatividade.

  5. eu comecei LENDO isso aí. hoje não consigo ler walt disney ou m. sousa – nem mesmo o ziraldo da turma do pererê. gibi, pra ser sincero, ultimamente, só o mutarelli.

  6. Oi
    Estou neste momento redescobrindo as histórias dos anos 70 e 80 nas séries editadas no Brasil. Infelizmente, naquela altura não era costume colocarem os nomes dos autores nas histórias. Haverá alguma lista acessível na internet com estas informações?
    Um abraço,
    João
    Portugal

  7. Boa noite amigo Rafael Galvão! Eu sou um fã inveterado do mundo Disney!!! Acho que a injeção de ânimo, quer dizer, uma turma de gravadores e de desenhistas novos agora seriam super bem vindos e uma questão talvez de vital interesse para a Disney, aqui no Brasil!! Eu faço desenhos em quadrinhos, e adoraria ter essa chance! Outra coisa difícil: as moedas dos Almanaques e das revistas!! Elas sumiram!! Didícil você ver hoje uma moeda sequer do pato mais quaquilionário deste mundo, o Tio Patinhas à venda na Internet!!! Será mesmo que não circulam mais moedas em Patólpolis??? Se vc tem moedas da década de 70 que possa me vender, especialmente aquelas douradas e lindas, eu faço uma boa proposta em reais (R$) por ela, uma vez que está difícil de encontrá-las nos sites de Leilões, inclusive os internacionais!! Um abraço, e parabéns pela iniciativa de sua página em promover o assunto HQs!! Espero sua resposta quanto à moeda do Tio Patinhas!!! Valeu Rafa!!!

    Abraços, João Gabriel. 🙂

  8. Rafael, achei muito legal o teu blog e concordo com tudo o que disse a respeito dos quadrinhos Disney. Lembra de quando a Coca Cola editou os personagens Disney nas tampas das garrafas? Isso foi no final da decada de 70. Muito Legal! Tive na minha adolescência muitos quadrinhos Disney (umas 2000) . Numa noite de muita chuva tive a infelicidade de ter todas as minhas revistas molhadas e perdi tudo. A partir dai, nunca mais comprei. De tudo que li, uma estória ficou na minha mente e lembro dela toda vez que olho para as estrelas. Meus filhos ficam curiosos para ler essa estória também. Essa estória faz parte do Disney Especial Os Cosmonautas de 1979. Tento adquirir de algum sebo essa revista mas sem sucesso. Se tiver alguma informação me avise. Um Abraço.

  9. REALMENTE VOCÊ TEM RAZÃO, AS CRIANÇAS DE HOJE NÃO SABEM O QUE FOI A NOSSA VIDA , CRESCI LENDO E FANTASIANDO DENTRO DESTAS REVISTAS ERA FASCINANTE , ME EMOCIONO AO LEMBRAR DAS TAMPINHAS E DOS PERSONAGENS DA MUITA SAUDADE…

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