Colecção Vampiro

Pelo menos para mim, livro policial é quase sinônimo de “Colecção Vampiro”. “A Milionária Perseguida”, último livro que comprei da série, é o volume 530 da coleção. Os que eu tinha lido, anteriormente, estavam ali pela casa dos 100. Foram comprados em sebos espalhados pelo país, principalmente em Salvador.

Esse livrinhos de bolso, mal impressos — é impressionante como a qualidade gráfica dos livros de Portugal é inferior à brasileira — em papel imprensa vagabundo, estão entre os primeiros que li em toda a minha vida. Desde pequeno venho primeiro folheando, depois desenhando nas guardas (é, já cometi esse crime; e ainda tenho, nas guardas de alguns deles, alguns personagens criados aos 10 anos), finalmente lendo pouco antes de começar a adolescência.

“Tira”, para mim, sempre significou o mesmo que “chui”; e naquela época eu encarava com naturalidade a mania portuguesa de incluir um c mudo nos lugares onde ele era menos necessário.

Fazia anos que eu não comprava um livro da coleção, provavelmente porque a maioria sempre foi composta de livros ruins, e são esses que afloram nos sebos Brasil afora. Mas dessa vez apareceu um Nero Wolfe.

A lista com os últimos 20 lançamentos, tradição da coleção, mostra que editar bons livros policiais está cada vez mais difícil. Nao há mais livros de Dashiell Hammett ou de Raymond Chandler para publicar; Rex Stout e Simenon são os que ainda conseguem dar dignidade à coleção, pelo simples fato de terem sido excessivamente prolíficos. Alguns outros nomes seguram a barra: John D. MacDonald, Ed McBain, e o fraquinho Patrick Quentin. O resto é gente desconhecida — Israel Zangwill? Eu jamais compraria um livro policial de alguém com esse nome. Nem de Margery Allingham — que ajuda a manter viva uma coleção antiga. Antigamente era um pouquinho melhor: o segundo time deles era composto por gente como Mickey Spillane e Erle Stanley Gardner (aliás, os livros de Perry Mason estão sendo escritos por um tal de Thomas Chastain; isso é um crime).

A qualidade gráfica também caiu. O livro foi impresso em 91; usam agora um tipo sem serifa, no mesmo velho e bom papel imprensa vagabundo. As capas perderam aquela graça de pulp fiction tradicional com ilustrações mais ou menos decentes e passaram a ser pulp fiction presunçosa, com fotografias indecentemente medíocres.

De qualquer forma, ainda é a Colecção Vampiro. É escrita no mesmo velho e bom português de Portugal, traz a mesma advertência de “Venda interdita na República Federativa do Brasil” embora seja da Editora Livros do Brasil, e tem a mesma cara de livro que você compra em aeroporto e que eu sempre comprei em sebos, e meu pai antes de mim.

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