Rafael Galvão

Flower

Zé Carioca

A Abril está republicando as histórias do Zé Carioca. Ao que tudo indica, resolveram diminuir os prejuízos que as histórias em quadrinhos lhe trazem já há alguns anos.

Eles têm material suficiente: são quase 50 anos de revistas publicadas quinzenalmente. O Zé Carioca é um personagem que só existe por causa do Brasil, que sempre produziu a quase totalidade de suas histórias. Foi graças ao Zé Carioca que o estúdio brasileiro da Disney conseguiu chegar a um nível altíssimo de qualidade nos anos 80, produzindo excelentes histórias em uma época em que praticamente todos os estúdios que produziam histórias para a Disney em todo o mundo chafurdavam na mesmice.

A republicação das histórias serve para lembrar dos bons tempos em que o amigo do Nestor usava terno e gravata.

No começo dos anos 90 os brasileiros resolveram atualizar o Zé Carioca. Saíram o terno e o guarda-chuva e entraram boné com a pala virada para trás, tênis, bermudas e camisetas “eu sou o rei do funk”. Na verdade a mudança começou antes, com o Zé de calça jeans e camiseta branca, mas foi aí, nos anos 90, que o contraste com o Zé Carioca inicial se tornou tão grande quenao podia mais deixar de ser notado. Parecia uma boa recauchutagem do personagem, que aparentemente ficava com um visual mais próximo da realidade atual do morro.

Só parecia, no entanto.

O que eles estavam fazendo era outra coisa: assassinar o espírito do Zé Carioca. Esse espírito está bem definido em uma das suas primeiras histórias (republicada em 1981, em um especial de aniversário), em que ele personifica o mais perfeito malandro brasileiro, um sujeito cheio de lábia que se mete com um milionário chamado Rocha Vaz e conhece a Rosinha.

Acontece que o Zé Carioca nunca se vestiria como outro sujeito do morro. Simples assim. Seu paletó não era apenas uma roupa, era um instrumento de ascensão social. Ele era um favelado, sempre foi, e uma das melhores encarnações do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda. O terno representava a sua malandragem, a necessidade de parecer o que não era para aplicar seus golpes. Ele usava terno para ser o impostor, o arrivista, o neguinho compositor que conseguiu namorar a filha do Rocha Vaz. Quando lhe tiraram esse símbolo e o enfiaram no uniforme de 11 em cada de 10 membros da “comunidade”, mataram o seu ethos.

Será que eles nunca se perguntaram por que o Zé Carioca andava sempre com um guarda-chuva e chapéu côco no Rio de Janeiro? Será que era tão difícil de perceber que fazia isso para ficar mais parecido com um lorde inglês e, portanto, mais confiável? Parece que não.

A republicação de suas histórias, pelo menos, consegue recuperar um pouco desse espírito.

11 Responses to “Zé Carioca”

  1. February 3rd, 2005 at 10:25 am

    Paulo says:

    Tenho um manual do Zé Carioca,capa dura,todo ele sobre o futebol brasileiro e suas lendas…
    Éramos tri campeões!

  2. February 4th, 2005 at 1:15 am

    Allan says:

    O Zé Carioca sempre foi o meu personagem preferido da Diney. Infelizmente, como você descreveu, roubaram dele o espírito do Zé Carioca. Esse tal de “politicamente correto” só tem feito estragos.
    Ciao

  3. April 3rd, 2005 at 2:15 pm

    ELVIS DE ASSIS says:

    Olá, pessoal! Realmente, o Zé Carioca é um personagem Disney interessantíssimo, além de ser um “Patrimônio Nacional” que possuímos com orgulho! Sou fã incondicional e colecionador fiel do Zé Carioca, além de ser colecionador de HQs em geral! Tenho 35 anos e quero estar em contato com outros fãs do Zé Carioca, o papagaio mais malandro do Brasil! Um abraço a todos!

    Meu e-mail: elvisdeassis@hotmail.com

    *******ELVIS DE ASSIS*******

  4. April 25th, 2005 at 10:45 am

    Armando says:

    Olá,

    Sou colecionador do Zé carioca, gostaria de saber em que nº começou a ser emitida a revista do Zé Carioca?
    Gostaria de me corresponder com colecionadores que me indiquem onde posso arranjar nºs antigos de revistas

  5. April 25th, 2005 at 5:26 pm

    Cipy says:

    Rafa, li mto o Zé Carioca. É o meu personagem Disney favorito. E o Zé n é tão carioca assim…
    Reza a lenda (???) q Walt Disney viu um papagaio pela primeira vez qdo da sua passagem pelo aeroporto de Barreiras/Ba, e se encantou. Era um movimentado aeroporto da época, construído pelos americanos para servir de base na 2a Guerra, e q tem histórias fantásticas! Bjo, querido!

  6. May 3rd, 2005 at 9:47 pm

    Cristiana says:

    Só um lembrete: Não são quase 50 anos e sim 61. Em novembro de 2003 foi lançado o especial Zé Carioca 60 Anos, uma edição caprichada de 132 páginas, histórica.

  7. June 5th, 2005 at 12:13 pm

    Bianca says:

    Estou fazendo uma pesquisa sobre o Zè Carioca,e sua materia me ajudou muito obrigada meu trabalho vai estourar por sua causa valeu!Sua materia foi um sucesso!!!!!!!!!!!!!!

    BEIJOS E ABRAÇO DA BIANCA!!!!!!!!!!!!!!

  8. October 19th, 2005 at 3:27 pm

    Rogério, Rio, RJ says:

    Em tempos de Zé Dirceu, nada melhor do que reeditar as histórias do Zé Carioca!

  9. April 10th, 2007 at 8:29 pm

    Fernando Ventura says:

    Exagero generalizar. Existem excelentes histórias do Zé Carioca “funkeiro”.

  10. October 14th, 2008 at 8:27 am

    linda says:

    onde posso localizar a historia ou o numero da historia
    o pesadelo de pedrao-gibi ze carioca

  11. November 19th, 2008 at 10:06 am

    FELICIANO C SOUZA says:

    desejo saber em que ano e qual o n° da historia do Pedrão que tem como título “O pesadelo do Pedrão”, parece ser uma
    paródia do filme Sexta-feira 13.

    desde já, agradeço suas colaborações.

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