Zé Carioca

A Abril está republicando as histórias do Zé Carioca. Ao que tudo indica, resolveram diminuir os prejuízos que as histórias em quadrinhos lhe trazem já há alguns anos.

Eles têm material suficiente: são quase 50 anos de revistas publicadas quinzenalmente. O Zé Carioca é um personagem que só existe por causa do Brasil, que sempre produziu a quase totalidade de suas histórias. Foi graças ao Zé Carioca que o estúdio brasileiro da Disney conseguiu chegar a um nível altíssimo de qualidade nos anos 80, produzindo excelentes histórias em uma época em que praticamente todos os estúdios Disney no mundo chafurdavam na mesmice.

A republicação das histórias serve para lembrar dos bons tempos em que o amigo do Nestor usava terno e gravata.

No começo dos anos 90 os brasileiros resolveram atualizar o Zé Carioca. Saíram o terno e o guarda-chuva e entraram boné com a pala virada para trás, tênis, bermudas e camisetas “eu- sou – o – rei – do – funk”. Na verdade a mudança começou antes, com o Zé de calça jeans e camiseta branca, mas foi aí, nos anos 90, que o contraste com o Zé Carioca inicial se tornou tão grande que não podia mais deixar de ser notado. Parecia uma boa recauchutagem do personagem, que aparentemente ficava com um visual mais próximo da realidade atual do morro.

Só parecia, no entanto.

O que eles estavam fazendo era outra coisa: assassinar o espírito do Zé Carioca. Esse espírito está bem definido em uma das suas primeiras histórias (republicada em 1981, em um especial de aniversário), em que ele personifica o mais perfeito malandro brasileiro, um sujeito cheio de lábia que se mete com um milionário chamado Rocha Vaz e conhece a Rosinha.

Acontece que o Zé Carioca nunca se vestiria como outro sujeito do morro. Simples assim. Seu paletó não era apenas uma roupa, era um instrumento de ascensão social. Ele era um favelado, sempre foi, e uma das melhores encarnações do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda. O terno representava a sua malandragem, a necessidade de parecer o que não era para aplicar seus golpes. Ele usava terno para ser o impostor, o arrivista, o neguinho compositor que conseguiu namorar a filha do Rocha Vaz. Quando lhe tiraram esse símbolo e o enfiaram no uniforme de 11 em cada de 10 membros da “comunidade”, mataram o seu ethos.

Será que eles nunca se perguntaram por que o Zé Carioca andava sempre com um guarda-chuva e chapéu côco no Rio de Janeiro? Será que era tão difícil de perceber que fazia isso para ficar mais parecido com um lorde inglês e, portanto, mais confiável? Parece que não.

A republicação de suas histórias, pelo menos, consegue recuperar um pouco desse espírito.

13 thoughts on “Zé Carioca

  1. Tenho um manual do Zé Carioca,capa dura,todo ele sobre o futebol brasileiro e suas lendas…
    Éramos tri campeões!

  2. O Zé Carioca sempre foi o meu personagem preferido da Diney. Infelizmente, como você descreveu, roubaram dele o espírito do Zé Carioca. Esse tal de “politicamente correto” só tem feito estragos.
    Ciao

  3. Olá, pessoal! Realmente, o Zé Carioca é um personagem Disney interessantíssimo, além de ser um “Patrimônio Nacional” que possuímos com orgulho! Sou fã incondicional e colecionador fiel do Zé Carioca, além de ser colecionador de HQs em geral! Tenho 35 anos e quero estar em contato com outros fãs do Zé Carioca, o papagaio mais malandro do Brasil! Um abraço a todos!

    Meu e-mail: elvisdeassis@hotmail.com

    *******ELVIS DE ASSIS*******

  4. Olá,

    Sou colecionador do Zé carioca, gostaria de saber em que nº começou a ser emitida a revista do Zé Carioca?
    Gostaria de me corresponder com colecionadores que me indiquem onde posso arranjar nºs antigos de revistas

  5. Rafa, li mto o Zé Carioca. É o meu personagem Disney favorito. E o Zé n é tão carioca assim…
    Reza a lenda (???) q Walt Disney viu um papagaio pela primeira vez qdo da sua passagem pelo aeroporto de Barreiras/Ba, e se encantou. Era um movimentado aeroporto da época, construído pelos americanos para servir de base na 2a Guerra, e q tem histórias fantásticas! Bjo, querido!

  6. Só um lembrete: Não são quase 50 anos e sim 61. Em novembro de 2003 foi lançado o especial Zé Carioca 60 Anos, uma edição caprichada de 132 páginas, histórica.

  7. Estou fazendo uma pesquisa sobre o Zè Carioca,e sua materia me ajudou muito obrigada meu trabalho vai estourar por sua causa valeu!Sua materia foi um sucesso!!!!!!!!!!!!!!

    BEIJOS E ABRAÇO DA BIANCA!!!!!!!!!!!!!!

  8. Em tempos de Zé Dirceu, nada melhor do que reeditar as histórias do Zé Carioca!

  9. onde posso localizar a historia ou o numero da historia
    o pesadelo de pedrao-gibi ze carioca

  10. desejo saber em que ano e qual o n° da historia do Pedrão que tem como título “O pesadelo do Pedrão”, parece ser uma
    paródia do filme Sexta-feira 13.

    desde já, agradeço suas colaborações.

  11. Acho que o Zé Carioca é fruto de uma detente entre os EUA e Brasil e mais de iniciativa deles do que nossa, que começaram a precisar dos nossos portos, das nossas bases, dos nossos minérios, parecendo aquela estória dos tratados que assinamos com os ingleses após a abertura dos portos, em textos em português com erros que demonstravam que haviam sido da lavra dos ingleses. Assim como a “brasileira” Carmem Miranda, era uma bananização (sic!)do Brasil e, pelo menos para mim, este tipo de caricatura não nos ajudou em nada, já que, infelizmente, perpetua a nossa imagem como uma banana republic.

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