ProUni

De modo geral, a situação das instituições de ensino superior privadas — que as pessoas normais chamam de faculdades particulares — é bem ruim. Tudo bem que é um mercado que cresceu muito nos últimos anos e que representa 2% do PIB. Mas, individualmente, a situação de boa parte delas é desesperadora.

Elas pipocaram em cada esquina durante os anos FHC. Ficou mais fácil montar uma faculdade, e a maioria das escolas de médio ou grande porte não vacilou em embarcar no trem do ensino universitário. Passo lógico a ser dado. Não podia dar errado.

O que se seguiu foi, com as exceções de praxe, um festival de erros.

O primeiro foi superestimar seu mercado. É uma demonstração grosseira, generalizadora e sem nenhum senso de proporção real, mas é mais ou menos como se eles raciocinassem assim: todas as escolas da região, juntas, formam 100 alunos. Desses, as universidades existentes aproveitam 30. Logo, o nosso mercado são esses 70 que sobram.

Não era. O mercado era muito menor que isso. Porque desses 70, primeiro você tinha que separar os que não podiam pagar, a maioria. Depois, devia dividir os que sobraram pelas tantas e tantas faculdades que surgiram na mesma época. Tinha que levar em conta que as faculdades particulares existentes iriam reagir e buscar crescer também. E não podia esquecer da concorrência avassaladora dos cursos seqüenciais, correndo por fora.

Resultado: a maioria das faculdades que apareceram naquela época estão em maus lençóis. Estão tendo que se virar com problemas típicos do ensino médio, como a inadimplência, e problemas do terceiro grau, como a evasão escolar.

Um caso emblemático é a UNIT, maior universidade particular de Sergipe. Ela cresceu assustadoramente a partir do final dos anos 80 por causa do déficit de vagas em Sergipe e, principalmente, na Bahia. Com a proliferação das faculdades particulares em Salvador, isso acabou. Agora ela está tendo mais dificuldades para fechar suas contas. Mas se engana quem acha que esse problema é só dela: não é. Mais cedo ou mais tarde, ela vai avançar sobre as outras faculdades particulares de Sergipe, e isso é fácil: basta baixar o preço de suas mensalidades e aproveitar a força de sua marca.

Dificilmente a maioria dessas novas faculdades conseguirá sobreviver 10 anos. É bem provável que uma onda de pequenas fusões venha por aí, que boa parte elas feche.

Por tudo isso, sempre desconfiei do ProUni. Não parecia ser mais que o resultado do lobby das escolas particulares pedindo uma ajudinha do governo — porque nossa iniciativa privada é pródiga no discurso hipócrita neo-liberal, mas é ainda mais pródiga nas tentativas de passar a mão no dinheiro público. As bolsas oferecidas pelo ProUni serviriam para recompor aquele mercado superestimado e dar um pouco mais de fôlego às faculdades morimbundas. É a nossa lógica de mercado, como se sabe: quando possível, os lucros são privados, mas o prejuízo é rateado entre a patuléia.

Fosse Fernando Henrique a propor uma medida semelhante e o PT, a UNE e a “sociedade organizada” iriam acusá-lo de privatista, de estar destruindo a universidade pública, essas coisas que sempre fizeram parte do estribilho dos movimentos sociais de esquerda.

Mas a verdade é que o ProUni é uma grande iniciativa. Se restringe aos alunos de baixa renda (bolsa integral para alunos com renda familiar per capita de um salário mínimo e meio, meia bolsa para quem tem até três salários mínimos), sem se preocupar com preconceitos ideológicos nem pressões de classe. Aborda a questão de maneira pragmática e dentro, sim, de sua visão social.

42 thoughts on “ProUni

  1. E no desmonte do corpo discente, o professor que tem apenas mestrado leva vantagem sobre o que tem doutorado: demora mais para ser despedido porque ganha menos. Tenho exemplo na família.

  2. Enquanto o ensino superior público for gratuito, o problema vai continuar, seja com PT, seja com FHC. É só cobrar mensalidade e dar bolsa para os pobres que metade dos problemas do ensino superior estariam resolvidos..

  3. Pois é, Iraldo. É que a lei manda as faculdades terem tantos por cento de mestres ou doutores. Se é “ou”, é melhor ficar com o mais barato.

  4. Olhe, me falaram que essa estrategia politica vem desde a ditadura militar, essa coisa de “vamos deixar o que é publico ficar ruim para poder privatizar”, sei não.

    Eu acho que que é lobby, como vc disse.

    Eu estudo em faculdade particular. Estácio, aquela do analfabeto que passou no vestibular. Vou te dizer, a coisa não é bem assim.

    Eu até tentaria a UFF, UERJ ou UFRJ, mas na UFF, não tem mesa, nem cadeira, muito menos computadores, algumas materias não estão sendo dadas por isso. A UERJ, não é lá essas coisas. A única que sobre é a UFRJ, que tem gente se matando pra passar pra lá, e bem é publica, não anda lá essas coisas.

    Não é preconceito, é a realidade. Vou muito a UERJ e cara, como podem deixar uma mega faculdade daquele jeito? Não gosto, mas estudo em faculdade particular, lá eu tenho professor, qualquer coisa que o professor pede, na hora eles atendem, o ensino é bom, tem cadeira, mesa, computadores.

    Aonde vamos parar?

  5. Por que essa prioridade no ensino superior??

    O Brasil precisa muito mais de um fortalecimento no ensino básico e médio. Isso traria um retorno de produtividade à economia muito maior e ainda atacaria na raiz a desigualdade de renda, pois os mais pobres, com um ensino público básico e médio melhor, teriam mais chances no vestibular.

    Conheço alguns abastados que fizeram faculdade, mestrado, doutorado(nos EUA e Europa) com dinheiro público e depois não foram absorvidos pelo mercado: alguns ficaram trabalhando fora do país; outros estão no mercado financeiro; e outros estão sem emprego ou fazendo concurso público.

  6. O Marcelo disse tudo. Por que ao invés de tapar o sol com a peneira com programas duvidosos, não fomentam o ensino público, para dar não só qualidade de ensino mas também pra formar cidadãos?
    Seja Prouni, Fies ou Creduc, sempre existe uma contrapartida por trás de qualquer programa desse tipo. E para o governo, é claro.

  7. Ainda comentando a lúcida mensagem do Marcelo Sobreiro:

    Seguindo esse raciocínio, de priorizar a qualificação do ensino básico e médio, o governo além de ter um retorno muito maior em termos de produtividade e de ataque à desigualdade de renda, não estaria contribuindo para uma deterioração ainda maior da já combalida qualidade do ensino superior no Brasil, com pequenas e honrosas exceções, ófi córsi.

  8. olá Rafael; apenas uma observação: você precisa ler um pouco mais sobre o prouni antes de falar que é lobby coisa e tal. informar-se e apurar os fatos nunca é demais.

  9. Kbção e Kenji, desculpem minha falta de inteligência pra alcançar uma coisa tão simples e me respondam, por favor: baseado em que vocês chegaram a conclusão que “é só cobrar mensalidade
    e dar bolsa pros pobres que metade dos problemas se resolve”? Que metade dos problemas é essa e porque é tão simples assim?

  10. Ô Kbção,
    acho melhor você ler de novo o post do Rafael. Ele disse: “Não parecia ser mais que o resultado do lobby”. E, depois, emendou: “Mas a verdade é que o ProUni é uma grande iniciativa“. Capicce?

  11. Caro Grilo, devo primeiramente fazer uma correção. Sou da opinião de que se deve sim cobrar mensalidade daqueles que podem pagá-la, como pensa o Kenji. No entanto, acho que a receita advinda daí deveria ser alocada não em bolsas mas na melhoria dos ensinos básico e médio, propiciando assim melhores condições para que os alunos das escolas públicas possam disputar deigual pra igual as vagas nas universidades. Acho que essa medida não seria a panacéia , mas já seria um ótimo começo. falô?

  12. Anna, sem querer ser elitista e já sendo: você está enganada no seu comentário a respeito das faculdades públicas. Claro que há problemas, muitos deles graves. Mas não o exagero descrito por você.
    Cursei Direito na Nacional (UFRJ) e agora curso História na UFF, referência na América Latina. (e a propósito, lá tem mesa, cadeira, professor…) Dificilmente uma faculdade particular teria condições de manter professores tão qualificados. Sem contar que de uma maneira geral o nível dos alunos é realmente muito bom — e isso FAZ difereça.
    bjus

  13. A cobrança de mensalidade poderia dar um fim à industria do vestibular e dos diplomas. Incentivaria pela concorrência que as faculdades particulares se esforçassem em dar ensino de qualidade e daria um boa fonte de renda para as faculdades, que poderiam ampliar a quantidade de vagas, investir em pesquisa e coisa tal. É mentira que seja questão financeira: as três estaduais de SP pegam dez por cento do ICMS do maior arrecadador da federação do imposto e não conseguem fechar as contas direito, quanto mais ampliar vagas.

    A questão do ensino fundamental e médio nem é tanto financeira, mesmo porque tirando o gasto com ensino superior sobrariam uma verba bem razoável gastos(Se eu não engano acima de 15%, isso por parte dos governos estaduais e federais) com isso. O problema é que escola no Brasil não é usada para ensinar, mas sim como uma instutuição assistencialista e propaganda política barata. Não a toa que muitas prefeituras querem que a escola parem TUDO para fazer desfile de sete de setembro.

  14. Vocês acompanharam o que aconteceu nos últimos anos com o ensino fundamental e médio?

    O resumo da ópera, em pouquíssimos movimentos, é o seguinte:

    1. o ensino público era perfeito, mas difícil e faltavam vagas e o particular era considerado de péssima qualidade, montado para quem não queria estudar muito, a classe média começou a migrar para lá;

    2. a qualidade do ensino público caiu quando o número de vagas cresceu, enquanto isso, a escola particular virou padrão de qualidade, um diferencial, mas, comparativamente, foi ficando mais fácil para quem não queria estudar ir fazer bagunça na escola pública… e a classe média começou a migrar de volta para a escola pública;

    3. momento atual: a escola pública matricula 98% de todos os alunos no país, com péssima qualidade, lugar para quem não quer estudar, onde está toda a classe média, e as escolas particulares estão falindo – 78% dos colégios particulares de ensino médio de São Paulo fecharam as portas nos últimos 5 anos, os que ainda mantém as turmas, estão vinculados a faculdades rampeiras ou possuem apenas uma turma.

    Isto está se reproduzindo no ensino “superior”.

    Mais uns anos, estarão todos os universitários em escolas públicas – sendo parcialmente alfabetizados.

    É o redemoinho… é o ralo da educação (“e” minúsculo).

    Com relação à Educação em si, estamos mal, está morta, não tem cura e dependeria de uma revolução sócio-econômica que não acontecerá – sobretudo num Brasil em que não há o mínimo sinal de desestabilização política por conta de uma insatisfação com a concentração de renda.

    Estamos felizes, esta é a questão.

    A sociedade está feliz com o que tem.

    Os alunos estão felizes como nunca estiveram com o que têm.

    Estamos todos absoluta e absurdamente felizes.

    Não existe revolução onde há felicidade.

    Estamos feitos.

    Abraços.

  15. Estudo numa universidade privada. Aliás, uma universidade privada e ruim. Está certo que o meu curso (Enfermagem) e o de Medicina são considerados bons, mas o resto não tem a mesma vantagem. Não vou dizer que tudo depende do aluno e não da universidade pq parece coisa de gente que não conseguiu passar em universidade federal e dá essa desculpa (eu nem tentei federal pq não queria sair da minha cidade). Só quero dizer que sou extremamente contra o ProUni. Acho mais uma porcaria que o nosso Governo vem fazendo… mas adianta falar? Não. Só acho que se tivessem mais universidades federais, com bons professores e estruturas, a coisa no Brasil poderia melhorar. Um erro é que em alguns lugares as universidades públicas são de monte, já em outras não há quase nenhuma. Uma desigualdade, outra coisa que piora.
    Abração!

  16. Túlio, a grande maioria dos estudantes de instituições de ensino “superior” não presta exame vestibular de instituições públicas; a grande maioria prefere pagar pela faculdade do que por um cursinho.

    No final das contas, crêem que o resultado será o mesmo. Ganham tempo. E ainda podem recitar o velho mantra: “o que vale é a prática”. Um pensamento normal e cabível a quem realmente não tem o que ir fazer numa instituição pública.

    Se bem que, no pé em que estamos, também as faculdades públicas têm se tornado “cursinhos profissionalizantes” a olhos vistos e por imposição dos próprios alunos, devidamente apoiados em sua insanidade pelas indústrias e pelos burocratas que decidem os rumos da “educação” (à) brasileira.

    E continuamos felizes, felizes, felizes…

  17. Cláudio Rubi, não estou fazendo uma faculdade privada por não querer fazer um cursinho e estudar de verdade para passar no vestibular. O que me levou a fazer uma faculdade particular é que aqui onde moro (Pouso Alegre-MG), não existe faculdade pública (que eu sei que é bem melhor que as privadas, na maioria das vezes) e eu não tenho coragem – é, isso mesmo. CORAGEM – para ir morar numa república com gente desconhecida.
    Não quero morar longe da minha família.

  18. Acredito que o ensino em universidade pública NÃO pode ser gratuito, porque atrai pessoas com condições de pagar e retira as oportunidades de quem não pode.

    Na minha proposta, qualquer pessoa pode fazer a faculdade pública, mas não de graça. Deverá ser cobrado pelo menos o preço médio do mercado privado. Caso o gajo não tenha dinheiro para arcar com os custos, tudo bem: haverá a opção de, findo o curso, pagar pelo privilégio de estudar numa faculdade bancada pelos impostos de todos (incluindo os miseráveis que não têm nem escolas básicas) através da prestação de um serviço social obrigatório. No caso de medicina, proporia cerca de 2 anos de trabalho social, depois da residência médica. A sociedade receberia parte do investimento na formação do profissional e diminuiriam os custos do governo com ações sociais e mão-de-obra (favorecendo até a interiorização dos formados… alguns ficariam nos lugares para onde fossem designados, caso achassem propostas interessantes de trabalho). Haveria também a vantagem do recém-formado adquirir uma experiência de trabalho.

    Aposto que muitas pessoas de posses deixariam de se interessar pela faculdade pública e optariam pela particular, nesse caso, porque não aufeririam vantagem financeira.

  19. Ah, eu não resisto. Gostaria de dois pitacos. Anna Carolina: eu estive aí na UFF dando uma palestra este ano, e de novo no ano anterior para um congresso que reuniu milhares de acadêmicos de vários países. Eu testemunho que havia cadeiras, computadores e que nós fomos muito bem recebidos. Não ignoro os problemas financeiros das instituições públicas brasileiras. Mas na minha área – Letras – são UFF, UERJ e UFRJ as instituições cariocas que competem com UFMG e USP, as duas que têm conceito 7 no CNPq. Muitas vezes a gente “vai muito” a um lugar e sai com a impressão errada, porque não o experienciou bem.

    Não discordo de você, mas há que se ter cuidado ao pichar o público, porque há um trabalho muito bom sendo feito lá, em circunstâncias difíceis. Lembremos que praticamente *toda* a produção acadêmica e científica original do Brasil vem das públicas. Não se trata de criticar ninguém por estudar nas particulares, claro; cada um faz sua opção baseado na sua realidade. Mas justificá-la pichando instituições como a UFF não dá.

    A oposição ‘desprivilegiemos-o-ensino-superior para-financiar-o-básico’ eu acho falaciosa. Por várias razões, uma delas a de que nenhum ensino básico vai a lugar nenhum se a produção de professores não receber mais apoio. E vice-versa ad infinitum. Agora, Marcelo: você diz que conhece gente que fez doutorado no exterior e está desempregado no Brasil. Eu digo: truco, a não ser que tenha acabado de chegar. Você diz que conhece gente que fez doutorado no exterior com grana pública e ficou no exterior trabalhando. Eu digo, truco, a não ser que haja encontrado empregadores dispostos a ressarcir os cofres brasileiros.

    Não é atacando o financiamento ao ensino superior que vai se resolver nada no básico. Abs,

  20. Idelber, no Brasil, há tempos, faculdades e universidades não produzem professores. Pondere: quantos jovens entram na faculdade e preparam-se para isso? Infelizmente, falácia é imaginar que aumentando o número de vagas universitárias se está aumentando o número de professores. Isso é fantasia.

  21. Idelber, não vou citar nomes de meus amigos e conhecidos para – eventualmente – não constrangê-los.

    Fiz mestrado em economia na FGV-Rio – a única nota 7 do Capes – e engenharia na Unifei-Itajubá.

    Os exemplos de que falei passaram por esses centros de excelência e também pela Puc-Rio.

  22. Idelber, outra coisa, o TCU já está condenando ex-bolsistas ao ressarcimento por permanência no exterior (ex: acórdão 1716/2004).

    Alterego, sua idéia é interessante. Porém há questões de “enforcement” que precisam ser equacionadas: as pessoas não terão suficientes constrangimentos/obrigações que as façam cumprir com o pagamento ou o trabalho assistencial.

  23. Idelber, meu caro, não existe a antinomia “ensino superior x ensino básico”, o fato de centrar um maior no foco no segundo não quer dizer que deva-se desprivilegiar o primeiro, sacô? O problema é que o debate gira apenas em torno do ensino superior, acho até porque já estamos com 98% de matrículas e coisa e tal. O salto quantitativo realmente foi merécedor de elogios, mas cadê o salto qualitativo?

  24. Por isso eu amo este blog acima de todos os blogs. O ‘thread’ de comentários é realmente uma conversa genuína. Prezada Anna Carolina, obrigado pela visita ao Biscoito, não discordo de você, mas é uma questão de ênfase importante. O argumento de que falta “até mesa” com frequência é usado para justificar privatizações.

    Prezado Marcelo, também não discordo de você e também creio que é uma questão de ênfase. O que eu digo é o seguinte: se você tem conhecidos ou amigos com PhD no exterior que ainda não têm boas posições de trabalho no Brasil, garanto-lhe que o desajuste é temporário. Quanto aos “abastados” que fizeram PhD no exterior e ficaram, minha informação sempre foi a de que a CAPES era rigorosa com isso, o que você confirma ao relatar o caso dos processos da TCU. O ponto original era: vamos procurar grana para financiar a melhoria do básico em outro lugar, não no financiamento do superior, que já anda precário! Que tal mexer no superavit primário, por exemplo?

    Cláudio, eu não não falei de aumento de vagas. E se cursos como Letras, Pedagogia, Matemática e História não produzem professores, o que é que eles produzem? Kbção meu véio, a antinomia (adoro essa palavra kantiana) não existe, mas as pessoas criam! Esse é o problema. Abraços a todos,

  25. Idelber, acredite: Letras, Pedagogia, Matemática e História têm produzido cada vez mais auxiliares de escritório, secretárias, assistentes e outros “bichos”.

    Aqui no escritório, abrimos uma vaga para Analista Financeiro; coloquei um anúncio no balcão da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis), um no da Escola Politécnica, um no do IME/USP (Instituto de Matemática e Estatística), outro no site de ex-alunos da FAAP. Pois adivinhe de qual escola vieram metade dos currículos que recebi. Pois é, do IME. Todo mundo com objetivo “administrativo e financeiro” (!!!).

    Ainda está no ar, no Caderno de Educação da Folha Online, uma matéria – das muitas feitas nos últimos anos – a respeito da crônica falta de professores justamente em História, Geografia, Biologia…

    Professores aposentam-se num ritmo maior do que novos professores se formam. E, para sermos completamente honestos: professores não saem das faculdades prontos, vão-se anos até que o estejam. Mesmo assim, fossem os recém-formados capazes de suprir a demanda das escolas, ainda estariam escassos. Simplesmente não querem trabalhar com Educação.

    E – para piorar de vez a análise – proponho um exercício decepcionante: que tal fazer o levantamento de quantos são os cursos de Matemática, História, Geografia… clássicos cursos formadores de “professores”. Quantos são? E quem os oferece? Universidades particulares ou públicas? E qual o nível de ociosidade de vagas nesses cursos? Maior ou menor do que em outros? E, entre os que se formam, quantos procuram e encontram emprego na área?

    Com esse mapa em mãos, melhor perder-se. Né?

    Abraços.

  26. Rapaz! OK, está explicado, Cláudio. Agora, alguém tem notícia de algum estudo já realizado sobre os cursos classicamente entendidos como “formadores de professores” (e que são, diga-se, frequentados por camadas mais pobres da população do que as que frequentam os outros cursos), estudo que possa oferecer algumas respostas numéricas a essas perguntas que o Cláudio coloca no final? Seria realmente interessante mapear ociosidade de vagas nesses cursos e encaminhamento profissional posterior também. Eu tenho suspeitas sobre tendências, claro, mas seria legal ver uns números. Valeu.

  27. Idelber, o ponto não é se a CAPES (ou o TCU) são rigorosos. O q se verifica é uma ineficiente alocação do (excasso) dinheiro público.

    Alguns PHDs não estão voltando p/ o Brasil, seja porque o dinheiro q estão recebendo fora compensa, seja porque não acreditam q precisarão pagar a dívida com o MEC;

    Conheço, SIM, Mestres e até Doutores que ficam desempregados por um tempo mais do que aceitável. Um amigo, com mestrado na Europa ficou mais de 2 anos desempregado, depois de ter voltado ao Brasil e trabalhado em multinacional por alguns anos.
    Conheço outros casos em que as pessoas foram obrigadas a aceitar um emprego, o qual não desejavam e também destoava da formação acadêmica que tinham.

    Há MUITAS situações em que universidades estrangeiras oferecem bolsa e, pasmem, mesmo assim, o governo brasileiro insiste em custear, não somente outra bolsa, mas arcar com o custo de mais de R$ 400.000,00 da escola.

    Por fim, Idelber, acho o seu “ponto original”, totalmente romântico e utópico. Temos de nos convencer que o dinheiro público é excasso e que as prioridades são importantes, sim.
    Por essa e por outras(p/ lembrar o Marcelo D2) continuamos vendo a desigualdade aumentar e o dinheiro excassear.

  28. Ok, Marcelo, se você acha que o estrangula o ensino primário são os doutores que acumularam bolsa ou tentaram trapacear o MEC, beleza.

    O que eu acho romântico e utópico é não entender que a situação do ensino público básico tem muito mais que ver com o estrangulamento da capacidade financiadora do estado por causa da privatização enloquecida e com o envio de 4.75% de toda a riqueza nacional ao FMI para fazer superavit primário – em outras palavras com a existência de um governo que traiu todos os seus princípios – do que com as bolsas de pesquisa da CAPES e do CNPq.

    Questão de perspectiva sobre o que é romantismo e utopia: deixando um abraço prá todos, posto, pela última vez, nesta caixa, porque senão não saio daqui nunca!

  29. Idelber, como eu sei que daqui a pouco vc vai voltar, relembro o meu primeiro post:
    “o Brasil precisa muito mais de um fortalecimento no ensino básico e médio. Isso traria um retorno de produtividade à economia muito maior e ainda atacaria na raiz a desigualdade de renda, pois os mais pobres, com um ensino público básico e médio melhor, teriam mais chances no vestibular.

    Essa discussão final sobre desperdício do MEC veio, secundariamente, depois.

    Fica a sugestão, p/ o Rafael, de abrir no futuro uma discussão sobre romantismo, utopia, privatização enlouquecida, FMI, superavit primario, Argentina, calote, etc, etc.

  30. Eu li tudo aqui. Fiquei pensando no que escrever. Fiquei digerindo e formando uma opinião. A mim parece sempre que o problema é o ensino fundamental e médio, sim. Eu sou professora de primeiro e segundo grau, o famoso P3. Venho procurando um mestrado para me tornar uma pesquisadora e professora universitária e enquanto isso, leciono cursos livres. Estava me preparando pra escrever umas mil letras para falar da importência do ensino fundamental, de como os professores são despreparados e ganham mal. Aí, enquanto pensava, fui ler as notícias via bloglines e achei isso aqui:
    http://www.estadao.com.br/rss/agestado/2005/mar/11/203.htm

    I rest my case. Não preciso escrever mil letras. Está quase tudo nessa reportagem: o local do problema real.

  31. Não entendo pq o prouni inviabiliza o investimento no ensino básico.Tem que se investir em educação:pré-escola, fundamental, médio, superior.O prouni deu esperança de um futuro a milhares de jovens que iriam entrar no mercado de trabalho totalmete despreparados e que passariam boa parte da vida sub-empregados.

  32. Também não estou satisfeita com o Prouni, mas o motivo é outro, é com a injustiça na distribuição das bolsas, visto que observei que a maioria dos que receberam têm condições para pagar um curso superior.Este que deveria ser um programa para amenizar as diferenças sociais , está contribuindo para que continuem ou piorem, pois se o principal critério para concorrer à bolsa continuar sendo o ENEM, vai acontecer que surgirão cursos preparatórios para o mesmo. Isto significa que só os ricos concorrerão às oportunidades, como sempre!

  33. sabe fico triste so em comentar..mas essa balela de bolsa para ‘baixa renda’parece ficcao cientifica..fui inscrever minha filha no escola carioca de bolsa de estudo ia escrever minha filha no ensino infantil do colegio cel.fui informada por uma assistente social de sorriso amarelo que as benditas bolsas haviam .mas pasme em colegios do humaita e lagoa.bem.com minha pouca inteligencia de mae ansiosa argumentei com ela dizendo que.mas nao e bolsa para ‘baixa renda //o poder aquisitivo desses bairros é bem alto.nao??o colegio em questao era o cel.comclusao estou mandando e mail para o prefeito ,presidente sme, e o escambau..e nao vou desistir ate ter o direito de pelo menos fazer uma inscricao…se vc souber algum orgao que possa ajudar oub esclarecer fico grata…..sem mais claudiene barros

  34. O ProUni não passa de uma política neoliberal, pois transfere à iniciativa privada a questão do acesso ao ensino superior, que é de responsabilidade única e exclusiva do Governo Federal. Segue o seguinte conceito:O Governo paga (pois quando deixa de receber os impostos está pagando) para que as instituições privadas façam aquilo que ele próprio não dá conta de fazer.
    Não deixa de ser uma privatização do ensino superior público.
    Ao invés de colocar o pobre na universidade particular e isentar os impostos dessa instituição, poderiam retirar os ricos das universidades públicas e fazer com que estes paguem a conta.

  35. agua mole em pedra dura…….bem estou aqui para dizer que a bolsa da escola carioca de bolsas de estudos saiu hoje minha flor esta estudando em um colegio particular ,com uma bolsa integral…eu nao desisti…e consegui meu lugar ao sol.minha flor estuda no n s da penha aqui no rio….sem mais obrigada a todos

  36. Fugindo um pouco do assunto…
    Estou querendo tirar uma duvida :
    Alguem Que Entra Como Bolsista em um colégio particular mas estudou toda a vida em colegio publico pode fazer o prouni como se fosse estudande de escola publica ou não ?
    Ou cai naqueli esquema do Publico …Depois o particular ?
    Respondam Por Favor !
    =*

  37. Na verdade todos estão corretos e o que falta é Educação e em especial para Todos.

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