A impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice
O nome dela era Vanderlice, tenho quase certeza. Era uma catarinense loura, olhos talvez azuis, seios balouçantes livres de importuno sutiã, uma impressionantemente volumosa bunda redonda sempre em shorts folgados e minúsculos, tão ciente era a moça de suas graças. Corria o verão de 1988 e estávamos em Petrópolis, no congresso nacional da União da Juventude Socialista, ao qual cheguei inconsciente por excesso de sangue na corrente alcoólica. Sem dinheiro, enfadado por todo aquele blá-blá-blá, eu e dois amigos fundamos uma dissidência política: a UJA, União da Juventude Aloprada, instrumento popular revolucionário que se dedicava a ser o mais demente possível enquanto era expulsa de boates que não podia pagar. Petrópolis era uma cidade tão enfadonha. Para não dizer que estávamos totalmente à parte do processo político, assistimos a uma palestra sobre sexo (claro que porque a impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice estava lá, tentando acomodar sua exuberância calipígia em medíocre e falta cadeira). Um de meus amigos, comovido pela impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice, fazia insistentes perguntas sobre sexo anal, enquanto todos nós contemplávamos ostensivamente o óbvio motivo de suas singelas dúvidas. Infelizmente, na noite daquele sábado, a impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice agraciou outro sujeito, um paulista que não me parecia capaz de apreciar devidamente o maná caído em suas mãos. Mas na plenária final, no último dia, sentado a sudeste da impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice enquanto tentava convencê-la — sem sucesso e com excesso de tato, lamento admitir — de que prazeres inauditos e celestiais a aguardavam naquele paraibinha com cara de bobo, eu tive a minha redenção: ao apoiar firmemente no chão suas mãos e seus joelhos para se levantar em uma votação, a impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice se revelou em toda a sua glória e exuberância diante de mim, a um ínfimo palmo destes pobres olhos que por fim encontravam sua razão de ser. E é por isso, por esse único momento fugaz e tão desgraçadamente transitório, que jamais me será possível esquecer a impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice. Boas lembranças e diamantes são para sempre.
Originalmente publicado em 15 de janeiro de 2004.
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July 21st, 2005 at 10:02 am
Entendo este sentimento. :)
July 21st, 2005 at 2:24 pm
Sou mais peitos. Porém não duvido que o seu encontro de terceiro grau com a volumosa bunda redonda da Vanderlice deve ter sido inolvidável. :)
July 21st, 2005 at 5:11 pm
Jura que voce conheceu minha irmã? Po mas ela tem outras qualidades também, voce só viu a bunda dela?
January 2nd, 2006 at 1:26 am
Somente raras mentes conseguem alcançar a sublime dádiva de saber apreciar tais obras primas da criação.Esse capricho da natureza não se revela a todas, porém, naquelas em que podemos vislumbrar tal magnitude, ficam imortalizadas no mais profundo quasar de nossas lembranças. E aos agraciados em poder comtemplar tal soberana grandeza, resta publicar essas experiências únicas em seu estado de arte, para que mais e mais apreciadores dessa verdadeira quinta essência possam se deliciar na vivência alheia por não poderem ter tido a mesma chance.
Parabéns! Você é um dos muitos chamados.E o paulista um dos poucos escolhidos…
March 20th, 2007 at 4:07 pm
ah…a impressionantemente volumosa bunda redonda de Vanderlice….