Janaína e Valquíria

As valquírias descem do Valhalla em direção aos campos de batalha onde campeia a morte. Montadas em seus lobos, vão buscar os alemães e escandinavos que morreram bravamente. A glória que concedem é apenas àqueles que morreram ao ferir e matar outras pessoas. São uma recompensa ao ódio e à estupidez, e permanecerão imortais e invulneráveis enquanto se mantiverem virgens.

Iemanjá, mãe amorosa de cujos seios nasceram quinze deuses, se prepara no mar da Bahia para buscar aqueles que morreram tentando salvar outras pessoas. Esses ela leva consigo, a eles se dá como esposa, e é por isso que seus corpos jamais serão encontrados.

Eu sou baiano. Eu não gostaria de ser alemão.

Originalmente publicado em 17 de maio de 2004.

2 thoughts on “Janaína e Valquíria

  1. 🙂 Gostei da confrontação, mas não acho muito justo não Rafael. As Valquírias recompensam unicamente os bravos; e, supostamente, aqueles que lutaram por causas justas. Não defendo a guerra, mas também não me revejo no pacifismo; penso que a guerra pode ser, por vezes, mais do que mera expressão «do ódio e da estupidez», pode ser uma luta pela defesa de direitos oprimidos e de liberdades roubadas (os anjos me livrem de que alguém pense que eu estou me referindo à intervenção norte-americana no Iraque).
    Assim sendo, em última análise, Iemanjá e as valquírias poderão estar recompensando coragens paralelas.

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