Dois trechos de um mesmo livro

Trecho do início de “Cultura da Reclamação — O Desgaste da América”, livrinho simpático de Robert Hughes e que há tempos merecia uma releitura:

Enquanto isso, a nova ortodoxia feminista abandona a imagem da mulher independente, existencialmente responsável, em favor da mulher como vítima desamparada da opressão masculina — tratem-na como igual perante a lei, e estarão agravando sua vitimização. Os conservadores se deliciam lançando seus argumentos nos mesmos termos de vitimologia, com a diferença de que, para eles, o que produz vítimas é o próprio feminismo, em conluio com o falo oportunista. Em Enemies of Eros (1990), a escritora antifeminista Maggie Gallagher afirma que “o homem explora a mulher toda vez que usa o corpo dela para o prazer sexual sem que esteja disposto a aceitar todo o fardo da paternidade”. Ela “pode consentir plenamente, conscientemente, entusiasticamente com sua exploração. Isso não modifica a natureza da transação”. Quase exatamente a mesma opinião da feminista Andrea Dworkin — sexo entre homem e mulher é sempre estupro. “Durante a relação sexual, a mulher é, fisicamente”, escreve essa extremista, “um espaço invadido, um território literal ocupado literalmente; ocupado mesmo que não tenha havido resistência; mesmo que a mulher ocupada diga: ‘Sim, por favor, sim, vamos logo, sim, mais’.” Essas visões grotescamente ampliadas de ataque criminoso reduzem as muheres a vítimas sem vontade própria, privadas do poder tanto de consentir quanto de negar, meras bonecas jogadas de um lado para outro aos ventos ideológicos do extremismo feminista. “Encarar o ‘sim’ como sinal de verdadeiro consentimento”, escreveu a professora da Faculdade de Direito de Harvard, Susan Estrich, “é enganoso”. Tudo é estupro até prova em contrário.

No fim das contas, quem entende dessas coisas de ocupação é a Bette Midler. Ela dizia que se casou com um alemão. Toda noite ela se fantasiava de Polônia e o sujeito a invadia. Acho que ela era mais feliz.

***

Outros dois trechos, porque essa maluquice pseudo-feminista me lembra outra, bastante assemelhada:

O inválido levanta-se de sua cadeira, ou sente-se melhor estando pregado nela, porque alguém no governo Carter decidiu que, para fins oficiais, ele era “fisicamente prejudicado”? O homossexual acredita que os outros o amem mais ou odeiem menos porque é chamado de “gay” — termo revivido da gíria criminal inglesa do século XVIII, que implicava prostituição ou viver de expedientes? O ganho líquido é que os arruaceiros que antes davam porrada nos homossexuais hoje dão porrada nos gays.

(…)

Há setenta anos, no uso polido dos brancos, os negros eram chamado de colored people. Depois tornaram-se negroes. Em seguida, blacks. Hoje African-Americans ou persons of color de novo. Mas para milhões de americanos brancos, desde a época de George Wallace até a de David Duke, eles continuam sendo niggers.

Palavras, palavras…

7 thoughts on “Dois trechos de um mesmo livro

  1. Embora seja claro que a liberdade pessoal é uma ilusão, o conceito de liberdade pessoal tem grande significado em nossa cultura. O tripé liberdade-igualdade-solidariedade é a base de um regime democrático e a educação para a cidadania democrática consiste na formação de uma consciência ética que inclui tanto sentimentos como razão; que passa pela conquista de corações e mentes, no sentido de mudar mentalidades, combater preconceitos e discriminações e enraizar hábitos e atitudes de reconhecimento da dignidade de todos, sejam diferentes ou divergentes.

    Ao contrário da liberdade, igualdade é sempre uma dimensão social, não individual, e ocorre sempre dentro de um grupo social, ou entre grupos sociais, e não entre indivíduos isoladamente considerados. Mulheres são iguais e diferentes dos homens ao mesmo tempo e as diferenças não significam, desigualdades, isto é, não existe uma valoração hierárquica inferior/superior na distinção entre pessoas diferentes. Homens e mulheres são obviamente diferentes, mas a desigualdade está implícita se tratarmos essa diferença estabelecendo a superioridade masculina, por exemplo.
    O homem, sozinho, não representa a humanidade e a mulher, antes de ser um sexo, é um indivíduo.
    Não se nasce mulher, torna-se mulher, faz muito sentido, ainda.

  2. Depois de imprimir e ler toda a retrospectiva, li o post atual e os dois comentários acima. Realmente é um assunto complicado para ser resumido num trecho de livro, mas concordo com a Elenara que a individualidade Vem antes de tudo. Acho que vou atrás do livro e volto depois.
    Ciao

  3. Dizer que toda relação é um estupro é evidente exagero mas o tema é, como diz Allan, muito complexo e cheio de nuances. Entre o branco e o preto são mais cinzas que podemos imaginar e o radicalismo é sempre uma resposta a uma situação de desiquilíbrio. Que as mulheres não são bem tratadas há muitos séculos, eu acho que é algo conhecido e basta estudar a hitória pra entender. Daí a propor teses segregacionistas vai uma certa distancia. O desequilibrio existe e dosar as coisas em modo e encontrar o ponto de igualdade possível, esse é o desafio. Mas acho que o radicalismo vai entendido neste contexto.

  4. Rafael,

    que venha a polêmica!

    Esse post ainda está com tão poucos comentários escandalosos, que decidi só deixar um “olá” por enquanto.

    Onde estão as moças que iam fazer macumba com a sua cueca, hômi???

    hehehehehe

  5. foi o que dissemos: se MULHER fosse BOM, DEUS tinha UMA!

    bom, mas DEUS tem um péssimo gosto: veja as GIRAFAS!!!

    eu sigo GOSTANDO! e MUITO!
    ;>)

  6. ponto pra hugues. ele me lembrou camille paglia q diz ser madonna a verdadeira feminista: “Madonna has taught young women to be fully female and sexual while still exercising control over their lives.” a sexualidade humana é um jogo [arriscado] d corte e profanação, amor e luxúria. quem liga pra oq dizem as feministas?

    e sim! palavras não mudam comportamentos! concordo plenamente! mtas vezes, as bem intencionadas denominções politicamente corretas só vem a mascarar o preconceito e exclusão ao invés d promover os direitos desses indivíduos discriminados.

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