Manifesto em Defesa das Baratas ou A Barata é Nossa Amiga

Todos os seres vivos são iguais perante o Criador. Todos temos o direito de viver, e isso inclui até astrólogos de Maria e pseudo-feministas de caixas de comentários.

É em estrita observância a esses direitos universais, e ao reconhecimento de uma nova moral ecológica, que anunciamos aqui a fundação da ARPAB – Associação Rafaeliana de Proteção às Baratas.

As baratas estão neste planeta desde milhões de anos antes de nós. Estarão aqui depois que o último homem der seu último suspiro em meio a uma nuvem radioativa. Este é o seu mundo, um mundo em que somos apenas hóspedes temporários. Nós não temos, em nossa nova consciência ecológica, o direito de usurpá-lo de suas donas legítimas.

Devemos, antes de qualquer coisa, reconhecer sua superioridade absoluta em relação a nós. Quantos milhões de baratas são mortas todos os dias? Matam-se mais baratas em um dia do que rinocerontes em toda a História. E no entanto elas sobrevivem graças à sua tenacidade, enquanto nós, seres conscientes, agora lutamos para preservar os rinocerontes.

Devemos declarar guerra às baratas porque elas trazem doenças? Hipocrisia desses humanos inconseqüentes. Acaso não trouxemos nós tantas doenças ao Novo Mundo, acaso não extinguimos populações inteiras de silvícolas bonitinhos, e tantas índias ecologicamente conscientes não deixaram de dar de mamar a cachorrinhos inocentes? E não pensamos em nos suicidar coletivamente como lemingues para expiar um pecado que todos nós carregamos em nossas almas. Em verdade, em verdade a culpa é nossa, que em vez de nos adaptarmos à convivência pacífica nos dedicamos a combatê-las com ódio irracional.

Como podemos erguer nossas vozes que se pretendem civilizadas em defesa do tratamento ético dos animais, enquanto tratamos nossas irmãs blatáricas de maneira vil e covarde? Baratas têm sentimentos como as chinchilas, têm instintos como as focas, querem viver como a Susan Hayward. E no entanto as assassinamos aos milhões todos os dias, e não fosse a sua superioridade biológica acabaríamos responsáveis por um grande desastre ambiental, interrompendo a cadeia alimentar.

Mas desastre ambiental não é o ponto fundamental, aqui, porque esse é um conceito antropocêntrico e precisamos abdicar dessa arrogância deletéria, essa coisa de nos acharmos os reis da Criação e da cocada preta. O que realmente importa é o respeito à mãe Gaia, é a consciência telúrica de um equilíbrio cósmico. Há que se respeitar o direito das baratas à vida. É inconcebível que não sintamos a dor da pobre baratinha atingida à traição por um jato de Baygon, que nosso coração não se confranja enquanto ela, como um monge tibetano em chamas, corre sem direção em agonia e dor inimagináveis, chamando pela mamãe barata antes de morrer com as perninhas tremelicantes para cima. Que monstro é capaz de cometer tamanha iniqüidade sem derramar uma lágrima furtiva pelo trágico destino de nossa irmã? Como esses assassinos conseguem dormir à noite com a mancha do genocídio em suas mãos?

Uma barata tem o mesmo direito à vida que um leão, que uma vaca, que o Afanásio Jazadji.

A ARPAB vai se dedicar a campanhas educativas pela tolerância entre homens e baratas; à defesa da ilegalidade de drogas pesadas como Detefon, SBP e Rodox; à censura e banimento de filmes depreciativos e preconceituosos como Men in Black. Vamos fazer o Viva Rio abraçar o rio Maracanã e os tantos terrenos baldios espalhados pela cidade.

A ARPAB se dedicará também a reformar o nosso vocabulário. Nossos antecessores, tão íntegros e inteligentes como nós, mostraram que isso é possível, e agora anão é verticalmente prejudicado e puta é trabalhadora do sexo; vamos estender agora tal maravilha ao mundo das baratas — e vamos além, porque se anões continuam pequenos e putas continuam batendo calçada apesar dos nomes que lhes damos, nunca mais se ouvirá a expressão “sangue de barata”. Pois como podem associar covardia às baratas, esses animais valorosos que todos os dias se arriscam em incursões à casa de seus inimigos, e desafiando a morte e o perigo comem de sua comida? Baratas são sinônimo de coragem, e nossa ação em defesa do politicamente correto restabelecerá a verdade universal.

Aplaudamos, portanto, a chegada da nova consciência da Era de Aquário. Reconheçamos, finalmente, que a partir do momento em que julgamos errado criar chinchilas por suas peles, também se torna errado matar uma pobre barata que tem filhos para criar e um importante papel a cumprir na natureza. Nós, humanos, não somos melhores ou superiores a qualquer animal. É fundamental deixarmos de lado a hipocrisia e a conveniência, e adotarmos uma postura moral digna e, principalmente, coerente.

Um viva às baratas que merecem o nosso amor.

25 thoughts on “Manifesto em Defesa das Baratas ou A Barata é Nossa Amiga

  1. Uma continuação do post de ontem?
    Muito bom mesmo, mas quero ver você criar baratas em casa, “seu” Rafael.

  2. Não vai dar certo, cara. O ser humano é essencialmente estético e a barata, convenhamos, não colabora muito. Acho que devemos usar a engenharia genética para encontrar uma solução. Genes da barata e do chinchila nos ajudariam a salvar o ser cascudo com a criação do barachila (chichata não ficaria bem). O que também seria um bom investimento já que com o grande número de baratas teríamos uma grande produção de pelas. Cara, aprisionaríamos todas elas em imensas fazendas claustrofóbicas… Deixa pra lá.

  3. Confessa: você tentou matar uma e errou o alvo, certo? Elas são bem espertinhas, eu sei. Tenta dar uma chinelada. Não falha!

  4. As bichinhas aí ilustrando o post estão tão mimosas… E com o texto ainda por cima daqui a pouco eu vou passar a gostar dessas superpoderosas.

    Um charme as bichinhas. 🙂

  5. Eu sempre fui defensor intransigente das formigas (quando pirralho eu e meu irmão velamos uma: o caixão de fósforos em cima duma almofada e o enterro num vaso de plantas da minha mãe), mas as baratas são de fato donas desse mundo. E mantêm uma complexa rede de relacionamentos sob os nossos pés, lá onde a merda escoa, enquanto nós achamos que mandamos na Terra. Mandamos porra nenhuma.

    Completo apoio à campanha.

  6. aff…vc tenta defender as baratas , mas vc pelo que vejo eh um leigo em baratas…vc dis q elas tem sentimento?
    kkkkkk sem comenterios…
    e quanto as doenças: as baratas são responsaveis por 38 tipos de doenças, causam infecção hospitalar e principalmente “atraem animais muito maiores e perigosos que querem se alimentar” como: escorpiões e aranhas.
    e jamasi acabaremos com elas, intão não precisa se preocupar em defende-las elas viveram por muito tempo depois de nos…mas quanto mais matar-mos menos doenças e infestações teremos.
    ah vc deve penssar que sou um anti animais, mas pelo contrario, eu faço bioquimica e pretendo ser biologo…
    pra mim a unica coisa que as baratas me serviram foi pra alimentar minha aranha..
    flw

  7. A barata é um animal irracional, ou seja, isso não as faz superiores aos seres humanos…
    nunca vi uma barata criar a cura pra uma doença q ela mesma trouxe

  8. gostasria de saber como a barata se defende de seus predadores. ela morde, ferrua, oque ela faz?

  9. vc poderia agenciar as baratas tipo pra filmes estilo joe e as baratas…cara,acordei com uma crise existencial e só queria saber se barata mordia,e ninguém se importa e nem sabe…
    vc pode promover uma campanha pret a porter,desfile de trages para baratas descoladas…

    mas por favor,barata morde??

  10. Apoiado! Vc apenas esqueceu que a crueldade do humano contra as baratas é cada vez maior. Baygon é fichinha perto do Hidramethylnone, um gel que elas comem e levam para o ninho, provocando a morte de toda a comunidade…sniff, sniff. É quase genocídio!
    Sobre os comentários:
    1. Barata não morde.
    2. A quem disse que ela não colabora esteticamente…comentário lamentável, acaso peixe-boi (que todo mundo quer defender) é bonito?
    3. Barata não causa nenhuma doença…ela apenas transporta microorganismos que podem nos infectar. Mas ela transporta esses microorganismos porque nós os criamos…no lixo, no esgoto, enfim…nos nossos detritos.

  11. Eu apoio o manifesto, mas, tenho algumas propostas: acho que o barato também deve ser preservado…pô ele tb é ecológico, é uma questão de gênero SACA…pois o barato, o possível companheiro, esposo, namorado, boyfriend, da barata, às vezes é esquecido neste diálogo…é um absurdo, pois o barato também faz parte deste complexa discussão…alias achei um barato isso tudo…hehehe…

  12. Ao contrário da Creuza eu li toda a matéria mas tapando com os dedos. Acho muito importante ter essa consciencia e saber que os animais nao são propriedade dos seres humanos, não nos dando o direito de extirpar a vida desses bichinhos. Mas, cá entre nós, eu não conseguiria conviver passificamente com as baratas, é uma missão impossível pra mim.

  13. As baratas não precisam de protetores seu idiota elas são auto suficientes tem lideres e protetores vai se preocupar com as crianças de rua esses sim precisam de nós!!!!!1

  14. Cara vc é um idiota … defender baratas kkkkkkkkkkkkk vai ajudar os mendigos que precisa muita mais de nós do que as baratas .. vai duar comidah …pq vc cria baratas na sua casa hem …´pq vc naum dorme com elas faz um carinho colaca ela pra ver um filme e contah historias antes de durmir … otario

  15. Vai se preocupar c coisa mais importante… q tópico inútil é esse? Concordo c uma resposta q li ai… pq vc não cria baratas em casa??? Ai vc vai ver o q é bom!

  16. Eu endosso a campanha se alguém pintar essas cascudas de vermelho com bolinhas pretas.
    Cícera

  17. Totalmente apoiado. Seremos zoados no inicio por pessoas com cabeca estreita como Leandro Orlando, que nao aceita o novo, so oque aprendeu,Rafaela, que ainda nao se ligou que a barata so transmite doenca por que destruimos seu habitat e agora ela so vive em lugares sujos e por isso e que da a doenca e por fim Carlota que pensa que so por que uma pessoa defende as baratas nao se preocupa tambem com os seres humanos Amanda Lucila, que penssa tambem dentro da caixinha como a Carlota . a Natalia que e agressiva e intloerante eo pessoal que nao levou a serio e ficou fazendo piadinhas!

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