Ah, Neópolis

Comentário recebido:

Caro Rafael,
Se você passou apenas uma hora na cidade de Neópolis, como há de saber que ela viveu dias mais próspero no século XX? será que a mulher que lhe vendue o refrigerante te informou sobre isso? Como pode saber que é uma cidade que se arrasta no tempo se nem sequer conhece o povo do local, sua cultura e seus costumes? Quanto ao segundo parágrafo baseado em que você fala que da riqueza do local resta apenas a fábrica de junta se sua permanência foi de apenas uma hora? Acho que fica difícil falarmos de algo que não conhecemos, entretanto se a afirmação no final do texto “elas não se acham maiores que Neópolis” for uma homenagem ou poesia, essa homenagem é dispensadas pelos moradores da cidade.

Não é a primeira vez que esse post recebe comentários ultrajados de neopolitanos. Parece que eles se irritam profundamente quando lêm o pouco que eu tinha a dizer de sua cidade. Para o Alex, é um dos melhores posts deste blog. Para os neopolitanos, é uma ofensa imperdoável. Algo no texto, talvez a falta de antolhos, fere seus brios de moradores orgulhosos de cidade pequena.

O culto à ignorância é algo terrível. Como alguém pode saber algo que não viveu, pergunta o rapaz? A resposta — “lendo” — parece ser a última coisa em que o pessoal ofendido pensa. Porque o lugar onde vivem é ao mesmo tempo tudo e nada, e eles não conseguem conceber que alguém fora daquele lugar, vindo de uma cidade grande talvez, tenha sequer o interesse de saber mais sobre o lugar; ao mesmo tempo, cultivam uma sensação de serem eternos injustiçados.

Uma pergunta que se poderia fazer é: por que Neópolis, que já viveu dias mais ricos, ficou para trás? Há várias respostas, quase todas econômicas — fim da importância da juta, incapacidade de se adequar a novas exigências de mercado, construção de uma ponte no rio São Francisco. Um historiador pode explicar isso com propriedade.

A um blogueiro pouco modesto como eu resta apenas especular a respeito da endemia que costuma assaltar moradores de cidades pequenas.

Talvez aqueles que vêm parar aqui por acaso achem que eu sou carioca e que ainda moro no Rio, e esse pessoal do interior tem sempre uma atitude extremada de defesa diante de algo que julgam mais sofisticado, aliada à necessidade de se convencer de que algo que só eles possuem é infinitamente melhor que qualquer outro — e assim um alucinado veio afirmar aqui que o carnaval de Neópolis é o segundo melhor do Brasil.

Talvez matutos ribeirinhos tentam se convencer de todas as vantagens de suas cidades, e como a eles parecem ser poucas, tentam potencializar essas vantagens simplesmente deixando de admitir os defeitos, os problemas que o lugar possui. O resultado é isso: a raiva diante de alguém que por acaso não consegue embarcar nessa pequena e inócua alucinação, e a grosseria, pouco comum naquelas paragens onde o rio sempre ofereceu uma vida fácil e tranqüila, de dispensar um elogio — e não uma homenagem — à cidade.

Ah, como é fácil, ao ver um elogio feita com toda a boa vontade do mundo ser dispensada pelos moradores de Neópolis através de seus auto-nomeados defensores, dizer que aquele é só um buraco qualquer perdido no tempo às margens de um rio moribundo; onde os homens sem trabalho procuram a sombra das árvores ao meio-dia, jogando conversa fora e usando as mesmas roupas dos anos 40; onde motoqueiros e cavaleiros se misturam em um conflito pacífico de épocas e classes.

Mas isso seria injusto com uma cidade que ainda tem encantos. Neópolis, pelo pouco tempo que passei lá, é agradável e muito interessante. Mas, como toda cidade no mundo, tem lá sua cota de idiotas complexados.

13 thoughts on “Ah, Neópolis

  1. Pois eu acho que a turma toda tem que vir aqui meter o pau mesmo e te xingar. Hahahahaha!
    Eu vivo falando mal do Rio no meu Blog e a cariocada fica ouriçada me xingando, não concordando que eles são estressados e mal-educados no trânsito. Eles estão errados, mas têm mais é que vir me xingar mesmo.
    HAHAHAHAHAHA!

  2. Não ligue para as críticas neopolitanas, Rafael. Olha, existem cidades fulgurantes e cidades apagadas e mesmo ficando só uma hora é possível captar o ar da cidade, ainda mais se for pequena.

    Se for uma cidade grande, só será possível julgar o bairro/região no qual se esteve.

    Inclusive porque Neópolis não é a única cidade no Brasil que já viveu dias melhores e por isso aparenta tudo aquilo que o seu texto revela.

    Essas pessoas que criticaram o seu texto não entendem que percepção é uma coisa individual, que algo ruim para um pode ser bom para o outro, etc. Elas precisam aprender o valor da alteridade e que as avaliações individuais de um objeto têm todas o seu valor.

    Continue assim.

  3. As pessoas só entendem aquilo que querem. Mentalidade limitada, não só em Neópolis, como nas grandes cidades.
    O que aconteceu com Neópolis? O Coronel que abastecia a cidade se mudou?
    Beijus

  4. Caro Rafael Galvão, Você deve ter algum problema, alem do de escrever mal, talvez esteja na hora de pedir algumas lições de português para algum matuto ribeirinho, sei que é perda de tempo meu, falar com pseudo-intelectuais iguais a Você, caras que acham que o mundo gira em torno de si próprio, são incapazes de observar algo importante durante sua inútil vida, imagine numa hora, antes de escrever sobre algo, um conselho, se informe,para não escrever baboseiras.
    Veja por exemplo, a força da fruticultura irrigada com tecnologia de ponta(israelense) presente aqui em Neópolis, talvez o platô tenha passado despercebido a seu “olhar de lince” , o comércio local que emprega mais que a tal fábrica de juta, a qual Você se refere, a rizicultura irrigada responsável pela permanência do homem no campo, a instalação de uma unidade produtora de arroz(uma das maiores da América latina), e quanto ao Rio, caro Rafael acho que você deve ter visto uma lagoa qualquer não o Velho Chico, que continua lindo esbanjando vida.
    Nada contra o Rio de Janeiro , mas aqui p´ra nós, me dá uma inveja quando vejo no telejornal um tiroteio com moradores voltando pela contra mão, coisa que não acontece por aqui na matuta Neópolis, é, isso ai é um paraíso, mas pensando bem, vou continuar sendo matuto, morando aqui em Neópolis, que por sinal, não sente a sua falta.

  5. Rafael, vc foi muito infeliz ao escrever sobre Neópolis. Concordo com o Jean quando prefere continuar com a matutice do povo ribeirinho neopolitano do que participar do tal “paraíso” que fazes parte. Esquecestes de comentar sobre o povo maravilhoso que são, tanto é que te recebestes com a matuta e boa educação, que atualmente só é encontrada nas pequenas cidades. E outra, verifique o mapa com atenção que encontrarás o nome de Neópolis.

  6. vc é um puta babaca ..se não conheçe a nossa neopolis direito então fica na moral…..e curta essa bela bosta de rio de janeiro …….rsrsrsrsr

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