O Haiti não é aqui

Vendo este post no Geógrafos Sem Fronteiras, concluí que a decisão de mandar tropas de paz brasileiras para o Haiti foi um erro.

Fizemos tudo errado.

Devíamos ter mandado macumbeiros. Bons pais de santo baianos para enfrentar os vodouisants com suas próprias armas.

Em vez de deixar nossos soldados expostos a balas e granadas, sob a mira de milícias cheias de ódio, iríamos encher as ruas do Haiti com ebós.

Pipoca, farofa, galinhas pretas são melhores do que pólvora e chumbo.

E no final os tambores iriam tocar saudando a despedida de Omolu. Iansã guardaria sua espada e seus raios, Xangô imporia finalmente sua justiça. Ossain curaria as feridas de um povo que já sofreu mais do que deveria; Oxumaré reiniciaria um novo ciclo de paz e estenderia seu arco-íris pela ilha. Oxum dançaria, mexeria seus ombros em convite, e tomaria os haitianos pela mão e os levaria ao amor.

E à noite, sob as vistas de Oxalá, o Haiti se reconfortaria em paz no regaço de Iemanjá.

Originalmente publicado em 29 de outubro de 2004

4 thoughts on “O Haiti não é aqui

  1. A relação entre umbanda/candomblé e vodu é rica… acho que o cenário mais provável seria uma aliança e a ascenção de uma nova nação yorubá.

  2. O Brasil já tem problemas demais. Teria sido bem melhor mandar esses soldados para as favelas e bairros da periferia das cidades violentas. Beijocas

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