Déda, Edvaldo e a reeleição

Da coluna do sergipano Cláudio Nunes, que em pouco tempo se tornou referencial em jornalismo político no Estado:

Déda, Edvaldo e a reeleição
09/02/2007, 04:59

Para quem está estranhando, a bateria de criticas que o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) está recebendo nos últimos dias é o reflexo do que ocorreu no Pré-Caju, quando o governador Marcelo Déda (PT) declarou que deseja votar em Edvaldo para prefeito de Aracaju. Se por um lado é sintomático este arsenal de criticas, por outro é de se estranhar que boa parte delas esteja vindo de setores ligados diretamente ao grupo político que elegeu Marcelo Déda (PT) governador de Sergipe.

Estranho porque o projeto é o mesmo. Ou seja, em outubro de 2008, quando for realizado o primeiro turno para a disputa do cargo de prefeito de Aracaju, não estará apenas em jogo a administração Edvaldo Nogueira. Estará em jogo o julgamento da população aracajuana ao grupo político ao qual Edvaldo é apenas o representante atual na Prefeitura. E mais ainda: será o primeiro teste eleitoral da nova administração estadual, que estará com um ano e 10 meses à frente dos destinos de Sergipe e certamente terá que apresentar muitas ações em todo o Estado e principalmente em Aracaju.

Se por um lado essa tentativa de desestabilização da administração municipal tem por objetivo retirar Edvaldo Nogueira de uma possível candidatura à reeleição, por outro lado é um instrumento que está sendo bem utilizado pelos adversários nos bastidores, que já disseram publicamente que ganhar a Prefeitura de Aracaju é a certeza da sobrevivência política de algumas lideranças que foram derrotadas nas últimas eleições estaduais. Mais direto. A quem interessa uma possível divisão do grupo que comanda a prefeitura de Aracaju? Quem está excluído?

O certo é que a maioria do grupo político que elegeu os governos de Marcelo Déda e de Edvaldo Nogueira sabe que o apoio a atual administração municipal não é o fortalecimento individual de Edvaldo Nogueira — que é apenas uma peça no atual contexto do grupo político que está no poder — mas de um projeto coletivo que representa a manutenção do espaço de poder não só na prefeitura de Aracaju, mas em vários outros municípios e culminando com a eleição estadual de 2010.

A estratégia de tentar uma briga política entre Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira já foi descartada. Os dois são como gêmeos siameses que preferem continuar unidos a tentar a separação, já que estão unidos por partes vitais, como o coração e o cérebro. Ou seja, se não conseguem separar os dois a tentativa agora é de desacreditar a administração perante a população. Seria normal essa tentativa se ela tivesse nascido apenas no grupo da oposição, mas não dentro do próprio grupo que dá apoio aos governos estadual e municipal.

A candidatura de Edvaldo Nogueira à reeleição deve ocorrer naturalmente, porém ninguém tente separar Edvaldo de Déda ou vice-versa. O governador já deixou claro que Edvaldo é leal e competente e está inserido no processo de mudanças efetivamente desde quando vice-prefeito de Aracaju, onde passou administrando por cinco anos ao lado do petista. Déda sabe que a candidatura à reeleição de Edvaldo e a manutenção da Prefeitura de Aracaju no grupo político de que faz parte passa por um elenco de obras e ações dos governos estadual e federal na capital. Colocar interesses pessoais à frente de um projeto coletivo de um grupo é temerário e pode levar alguns a beber do próprio veneno, ficando no isolamento político.

2 thoughts on “Déda, Edvaldo e a reeleição

  1. Sim,só pra eu entender aqui de longe:os caras tâo brigando ou não?
    Meu avô, Plácido Antunes, sempre dizia que em política quandoalguém vem negar em público algo que se diz fruto de intrigas é porque tá acontecendo verdadeiramente.

    Gringo

  2. Quantos articulistas, de tantas épocas, não vaticinaram coisas que realmente aconteceram? Serão eles as novas videntes modernas com diplomas, ou não?

    Aqui em terras fluminenses também tem muito isso… Diria Didi Mocó: “Aguarde e confie!”

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