Post pansexual para o Alex
Em um de seus últimos posts, “Elogio à Pansexualidade“, o Alex se lamenta pela sua heterossexualidade:
Minha heterossexualidade mesquinha me impede acesso à metade da raça humana. Meus potenciais parceiros amorosos estão restritos a apenas meio mundo. Eu gostaria de ser livre pra amar qualquer um, pra considerar cada pessoa independentemente, caso a caso, estar aberto para possibilidades românticas com qualquer um. Penso em todas as pessoas maravilhosas com as quais eu nem mesmo considero uma relação mais profunda apenas porque são homens como eu, e lamento minha incapacidade de amar sem preconceitos.
Alex,
Pessoalmente, acho que se preocupar com isso é dar importância demasiada a sexo como um modelo a ser seguido: “eu devo fazer assim, eu devo ser assim”. Sexo não é tão importante assim. Ou é muito mais importante que isso.
Mas a partir do momento em que você acha que a heterossexualidade é uma prisão, demonstra uma relativa abertura (sem trocadilhos, por favor) para relações amorosas e sexuais de caráter homoerótico.
Ou seja, você parte do princípio de que dar a bunda é liberdade.
Eu sou um um heterossexual mesquinho e até meio tosco, mas tento respeitar as preocupações e indagações espirituais dos outros. Por isso fiquei pensando em uma maneira de ajudar você a se libertar dessa prisão. Eu sou uma pessoa boa, você sabe.
E então eu disse eureka! e pensei: “É isso, Alex, já sei como.” Pensando um pouquinho percebi que existe uma maneira de você vencer essa prisão. É uma maneira fácil, comprovada e antiga, embora provavelmente não indolor.
Infelizmente (ou felizmente, eu não sei), ela só se aplica a quem acha a heterossexualidade uma coisa ruim. Não é possível com heterossexuais mesquinhos como eu, porque não lamento o fato de minhas opções se restringirem a metade da humanidade. Em primeiro lugar, porque eu não conseguiria comer metade da humanidade; em segundo, porque eu não quero comer metade da humanidade — tem muita baranga por aí; em terceiro, porque na verdade é bem menos da metade: tem um bocado de lésbicas por aí que jamais me daria uma chance, nem para saber como é.
Para nós, pequenos periquitos australianos felizes dentro da nossa gaiolinha decorada com fotos da Mulher Melancia, a prisão é um lugar muito bom, agradável e acolhedor e nos seria impossível e impensável viver fora dela; a liberdade nesse caso não nos atrai nem incomoda. Mas se a questão da heterossexualidade passa a perturbar a paz de alguém, ele ou ela tem a obrigação moral de tentar buscar sua felicidade e descobrir se, afinal de contas, poderia ou não gostar da liberdade homoerótica. Não me refiro a sentir interesse; mas a admitir a possibilidade de maneira racional, e experimentar até gostar.
Então lá vai a minha sugestão.
Dê, Alex. Encomende as pregas a Deus e dê muito. Dê até começar a gostar.
Se conseguir gostar, ótimo: você vai ser um homem mais feliz, livre e com 50% mais opções de se dar bem.
Mas se mesmo assim não gostar, pelo menos vai saber que tentou, tentou muito. E então a heterossexualidade vai deixar de ser uma prisão para ser uma opção, e você vai estar dentro da jaula por vontade própria, sabendo como é o mundo lá fora.
This entry was posted on Tuesday, August 5th, 2008 at 3:13 pm and is filed under Sexo, blogs e rock and roll. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
August 5th, 2008 at 3:57 pm
Galvão,
Adoraria ter um amigo como você.
August 5th, 2008 at 4:27 pm
“Ou seja, você parte do princípio de que dar a bunda é liberdade.”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
August 5th, 2008 at 4:42 pm
Realmente, o cara fica se lamentando e não faz o óbvio: experimentar.
Brilhante a ironia do texto Rafael.Também estou feliz dentro de minha gaiola decorada com fotos da mulher melancia. Há “preconceitos” que aceitamos tranquilamente, sem questionamentos.
August 5th, 2008 at 4:46 pm
Eu, olhando asim, de longe, acho que nem você nem o Alex estão sendo sinceros. OU estão, mas é que não consideram troca-troca na infância experiência homossexual.
August 5th, 2008 at 4:47 pm
Eu achei que fosse um devaneio meu, mas eu li o Rafael Galvão escrevendo: “Sexo não é tão importante assim…”
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
August 5th, 2008 at 8:10 pm
Antológica, paraíba. :-)
August 6th, 2008 at 10:24 am
fio terra também vale?
;>)
August 6th, 2008 at 10:59 am
Rafael, vc é mau! :).
“Gaiolinha com foto da mulher melancia” ….rsrsrsrrsrsrsr…
August 6th, 2008 at 5:54 pm
Rafael Galvão - Analista de Batoré
August 6th, 2008 at 9:05 pm
Rafael.
Porra, cadê aquela tua lista de filmes?
Abraço.
August 6th, 2008 at 10:31 pm
O Paulo Coelho deu e virou um baita escritor. Logo…
August 6th, 2008 at 10:40 pm
Engraçado que os gays não querem acesso a toda a humanidade. Só a metade dela. Como os heterossexuais. E acho isso muito certo. Bissexualismo, pra mim, é que é viadagem.
August 7th, 2008 at 6:06 am
Que conversa de titia!
August 7th, 2008 at 2:50 pm
Concordo. Dê.
A gente só pode optar depois que a gente experimenta, pra poder ter um referencial.
August 7th, 2008 at 8:57 pm
Esse negócio “dar” para “testar” não é comigo não! Nunca comi sorvete de giló, mas não tenho a mínima vontade de experimentar e vou morrer feliz se não experimentar… Agora, imagina: se tivesse uma espécie de “teste em realidade virtual para liberação de pregas anais” o que ia ter de neguinho comprando ficha pra testar… ôxe!
August 7th, 2008 at 10:54 pm
concordo com a carol.. senão nem opinaaaaaaaaaaaaa..hahahahahahahahhahahahaha
excelente!
August 8th, 2008 at 10:25 am
q mané referencial
precisa comer merda (literalmente eu digo) pra saber q é merda?
ah …. valhame!
August 9th, 2008 at 9:29 pm
dizem que gilberto freyre deu durante um tempo pra ver se gostava. e ao que consta, não gostou.
eu não tenho a mínima coragem de tentar esses experimentos antropológicos, mas se o moço referido no texto quer…
August 10th, 2008 at 5:00 pm
Perfeito!