Marcelo Déda

Quando Marcelo Déda morreu, eu não escrevi nada. Fui ao aeroporto recebê-lo, mas não subi para o seu velório no Museu Olímpio Campos — que ele tinha criado e que era um dos seus orgulhos. Fiquei do lado de fora, junto com o povo que, mesmo esperando aquele desfecho havia meses, não conseguia disfarçar a dor e a tristeza.

Meses depois achei um e-mail dele:

Li a resenha do Rafael, nosso Chatôzinho, sobre “Kind of Blue”, citada por um site especializado em jazz. Magnífica! O Rafa é daquelas inteligências que me encabulam pela amplitude de interesses, conhecimento do que fala e certa dose de juvenil arrogância que, aliás, lhe cai bem. Lê-lo em seu blog (que está carente de atualizações) devolve-me à tabaroíce simãodiense de onde, às vezes, Amaral tenta me resgatar. Ouço o velho Miles em sua homenagem.

Mais do que nunca eu devia um texto, quando menos pelos elogios inesperados. Mas só fui escrever quase um ano depois. Era o meu recado particular, disfarçado de peça de campanha dirigida pelo Tarcisio Duarte e narrada pelo Edgard Martins. Foi escrita numa mesinha do café da produtora, em uns dois minutos, enquanto conversávamos. Pelo visto o texto já estava pronto há muito tempo, eu só não tinha escrito. Hoje, procurando outra coisa, descobri que ela estava no YouTube.

Revendo agora, depois de quase dois anos, gosto de pensar que Déda, que sempre teve absoluta consciência do seu papel e da sua missão, talvez tivesse gostado: em nenhum momento a gente esqueceu que o que a gente faz é política com sentimento, e em nenhum momento esqueceu o recado e o exemplo que ele queria nos passar.

Valeu, Déda.

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