Rio-Niterói I

Na estação das barcas, a porteira se abre para que o rebanho entre no catamarã, em filas desorganizadas. Mugidos imaginários se sucedem enquanto a turba pacífica e submissa segue lentamente as ordens ditas por ninguém. Dissimuladamente alguns olham para a fila ao lado, vendo a multidão ainda maior entrar nas barcas, pouco mais baratas e muito mais lentas, e por algum motivo misterioso se acham mais afortunados. Marujos cansados fazem as vezes de vaqueiros, gritando “olha o degrau!” em vez de “Estrela! Mimosa! Eia!” As vozes com sotaque da zona norte são o berrante dos cowboys do mar.

2 thoughts on “Rio-Niterói I

  1. Ai… Que ódio! Que inveja! Quanto você quer para me vender a autoria desse texto?

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