Mais do mesmo

Quando a AOL comprou a Time Warner, revistas e jornais — e principalmente websites, claro — em todo o mundo apontaram a hegemonia do mundo “pontocom” sobre a velha ordem estabelecida, a vitória do novo sobre o velho.

Na época eu me interessava muito por isso, por estar envolvido com o lançamento de uma dessas empresas.

Eu via as coisas de maneira diferente. Para mim, aquele era o início do fim daquela onda de euforia. O que a compra da Time Warner me indicava era justamente o contrário do que eu lia nas revistas: era claramente o esgotamento de um modelo que me parecia carente de substância. Ao comprar a Time Warner, a AOL admitia que aquele modelo de negócios não era nada sem conteúdo.

O crash das empresas pontocom, menos de um ano depois, confirmou as minhas suspeitas.

E com a Comcast anunciando sua intenção de comprar a Disney, o New York Times de hoje traz esta manchete: Disney Deal Suggests Content Is No Longer King.

De vez em quando perco toda a esperança e penso que as pessoas simplesmente não aprendem.

Então deixa só eu recapitular as coisas para esses egressos do Instituto Benjamin Constant: distribuição sem conteúdo não é nada. Há uma hierarquia básica nas coisas do mundo. Eu preciso aprender a andar antes de aprender a correr. Eu posso criar algo e não ter como distribuir. Mas não posso distribuir o que não existe.

A propósito, recentemente a Time Warner tirou o AOL do seu nome.

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