Tróia renasce

Tenho sido um amante relapso, confesso. Não estava a par das últimas novidades a respeito de Tróia, minha paixão de infância, namorada fugidia e misteriosa.

As ruínas no estreito de Dardanelos que Schliemann descobriu nunca foram reconhecidas definitivamente como o reino de Príamo. Na verdade, havia várias cidades superpostas, de épocas diferentes, mas nenhuma delas tinha o tamanho suficiente para justificar a grandiosidade atribuída por Homero. Todas aquelas cidades, certamente, cairiam em algumas semanas, e nunca resistiriam a um sítio de 10 anos.

Por causa disso, o quase-consenso era o de que nunca houve uma Tróia específica, e que Homero tinha amalgamado uma série de guerras e lendas diferentes em uma só narrativa. E isso independe de Tróia ter existido ou não: a Ilíada e a Odisséia vêm de uma tradição oral de séculos, e quem conta um conto aumenta um ponto.

Maquete de TróiaPara a arqueologia, era mais simples creditar a existência da cidade à poesia e à imaginação dos gregos.

O único detalhe é que tinha que haver uma Tróia; uma cidade cujo cerco tenha sido importante e demorado o suficiente para se tornar legendário em seu próprio tempo e dar nome à saga. Não importa que ela tenha sido muito menor, que o cavalo de Tróia nunca tenha existido, que Páris, Helena, Menelau, Agamenon, Aquiles e Ulisses tenham sido apenas invenções — ou idealizações de reis de épocas diferentes. Uma grande guerra precisava ter acontecido, para só a partir daí Homero e os outros menestréis poderem embelezar a narrativa com as intervenções olímpicas e os ódios e amores dos aqueus.

Mas parece que depois de anos sendo considerado um amador que deixou sua fascinação pela lenda turvar sua capacidade de julgamento, Schliemann finalmente está sendo redimido. As últimas pesquisas em volta do sítio arquelógico que ele chamou de Tróia revelaram uma grande cidade. Além disso, encontraram vestígios de que a cidade foi submetida a um cerco, e derrotada.

No dia em que finalmente encontrarem o cavalo que Ulisses concebeu, juro que saio cantando pelas ruas de onde eu estiver. Porque ao contrário de praticamente todo o mundo, conheci Tróia antes de ouvir falar nos livros de Homero. Sua importância, para mim, não está em ser o enredo da matriz da literatura ocidental, mas no fato de existir ou não. E assim como Schliemann, eu acredito em Tróia.

2 thoughts on “Tróia renasce

  1. Cabra safadoooooooooooooo
    To com ciumes … fez um texto lindhoooooooooo pra Tata!!!!
    Exagerasse na dose … com mil APOIS!

    hahahahahahahaa

    beijocas

    Criquinha

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