MST

Se eu fosse Lula, já teria prendido o Stédile. O sujeito já tem problemas demais com os urubus da direita para ter que se preocupar com um louco incendiário quase dentro de casa.

O engraçado é que me parece que só o Stédile acha que o MST é um movimento socialista. Para os tantos sem-terras que o seguem, o MST diz respeito a propriedade, a ter o seu próprio pedaço de terra. É capitalismo puro, e dos anacrônicos, porque reivindica um direito básico e antigo. É preciso ser um país de estruturas extremamente defeituosas para conseguir gerar um movimento com esse.

Conheci um sertanejo que, entre outras coisas, fez uns bicos para a filha de João Amazonas em São Paulo — um dos homens a quem mais admiro na história do país –, e que me foi apresentado porque sabiam que fui militante do PCdoB por algum tempo. De volta ao seu sertão, juntou-se a um dos tantos grupos que estacionam à margem das estradas e em volta das fazendas que querem desapropriadas.

Não agüentou muito tempo. Faltava tudo, o mau cheiro do acampamento se tornou insuportável, e ele achou que sua miséria já era grande o suficiente sem que precisasse contribuir com panelas para o movimento, por exemplo.

O engraçado é que, para desgosto do Stédile, assentamentos sem-terras acabam movimentando, de forma tímida, a economia capitalista de uma região. Um grupo de sem-terras em Canindé do S. Francisco, por exemplo, acabou de comprar um lote de cabras na região.

E atravessando alguns assentamentos em Poço Redondo, sertão de Sergipe, uma coisa saltou ao olhos.

Algumas das casas eram mal-cuidadas; a miséria tem um talento especial e praticamente irresistível para degradar aquilo que recebe. Outras, ao contrário, eram bem organizadas, bem cuidadas, com soluções inventivas para a fartura (de “farta tudo”) em que vivem.

De vez em quando acho que o Stédile sabe muito pouco de sua gente.

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