Gente ocupada

Eu não confio em gente ocupada.

Isso começou há alguns anos. Fui visitar um cliente que me deu um chá de cadeira e se desculpou dizendo que era um homem muito ocupado.

Achei engraçado e como cliente sempre tem razão preferi calar minha boca.

Mas ele chegava às 9, saía para almoçar ao meio dia, voltava à 3 e meia e ia para casa às 6. Ele era ocupado. Eu vivia saindo da agência às duas da manhã, nunca saía antes das 10, mas não me achava ocupado.

Porque tempo é uma coisa engraçada, e depende de como você o vê. Eu sabia que sempre tinha tempo para fazer o que queria; e aprendi que os outros também.

O que eu demorei para aprender foi que as pessoas costumam valorizar demais o próprio tempo. Porque sabem que os outros têm a mania esquisita de dar mais credibilidade a quem diz nunca ter tempo para nada.

O mundo é composto de fugitivos de manicômios, eu sei.

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