Renegando o próprio filho

Artigo na Slate diz que o IE é extremamente inseguro e que é melhor usar o Firefox.

Não seria nada demais se: a) a Slate não pertencesse à Microsoft; b) não fosse publicada através do MSN, também da Microsoft; e c) o Internet Explorer não fosse um produto da própria Microsoft.

Get FirefoxSe as coisas chegaram ao ponto de vários setores da MS reconhecerem que o IE é frágil demais para continuar a ser usado — ainda que, desconfio, temporariamente –, é cada vez mais difícil compreender por que as pessoas ainda insistem em usar aquele lixo.

Só para lembrar: além de muitíssimo mais seguro, o Firefox é um browser modular. Se você é o tipo de usuário que simplemente instala o programa e nunca mais mexe nele, ainda assim o Firefox está a anos-luz do Explorer, decididamente um bowser que parou em 1997. Se você gosta de configurar o browser de acordo com necessidades específicas, o Firefox oferece a possibilidade de instalar extensões de praticamente todos os tipos, que aumentam e muito a praticidade do browser.

One thought on “Renegando o próprio filho

  1. Movimento negro busca reparos financeiros por escravidão

    Por Marcos de Moura e Souza

    SÃO PAULO (Reuters) – Há um mês, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, em visita ao Senegal, pediu desculpas aos africanos pelo regime de escravidão ao qual foram submetidos por 300 anos no Brasil. Agora, defensores dos direitos dos negros brasileiros querem que Lula pague a conta.

    A idéia –que ganha corpo entre setores do movimento negro– é que o Estado brasileiro pague indenizações em dinheiro para descendentes de escravos como forma de reparar danos morais e materiais históricos. Ainda hoje, a população negra do Brasil é mais pobre, tem menos anos de estudo e menor expectativa de vida que a população branca.

    O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão há exatos 117 anos, em 13 de maio de 1888, e concentra a maior população negra do mundo, à exceção da Nigéria. Quase 50 por cento dos brasileiros são negros –segundo definição do IBGE para o grupo que reúne “pretos” e “pardos”–, o equivalente a cerca de 80 milhões de pessoas.

    “A onda de reparações vem beneficiando judeus que sofreram com o Holocausto e os japoneses presos durante o macartismo. No Brasil, fortunas são pagas pelos que foram presos políticos durante o regime militar. Ninguém reclama de nada disso”, disse à Reuters o advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara).

    “Então por que o negro não pode também receber uma reparação? Não se pode comparar o Holocausto à diáspora africana? Será que o sofrimento do negro é mais barato?”, questiona Adami.

    A proposta da qual Adami é um dos porta-vozes tem um paralelo com o movimento Reparation Now, dos Estados Unidos, que defende que governo e empresas que lucraram com a escravidão indenizem seus afrodescendentes.

    Mas no Brasil, a idéia poderia enfrentar obstáculos adicionais. A miscigenação entre negros e brancos aqui é muito mais acentuada que nos EUA e, portanto, definir quem tem sangue de escravo africano nas veias — tornando-se assim merecedor da reparação– pode ser algo bem mais difícil.

    REGISTROS DESTRUÍDOS

    Outro eventual problema é que no fim do século 19, o governo brasileiro, por meio de Ruy Barbosa, destruiu quase todos os registros e documentos relativos à escravidão, o que torna hoje uma missão quase impossível para qualquer brasileiro provar legalmente que seu avô ou bisavô tenha sido escravo.

    Para a diretora da ONG Geledés, Instituto da Mulher Negra, Sueli Carneiro, nada disso pode desqualificar a luta pelas reparações.

    “Não se pode usar esses argumentos para inviabilizar um princípio ético e de justiça que impõe a necessidade de se reconhecer o agravo histórico cuja repercussão permanece até hoje”, diz Sueli. “Casos de má-fé deverão ser tratados pela polícia e pela Justiça.”

    Nesta sexta-feira, outra defensora das indenizações, a vereadora de São Paulo Claudete Alves (PT) protocolou uma representação no Ministério Público Federal, pedindo que este analise e que ingresse com uma ação coletiva contra a União por danos materiais e morais causados pela escravidão. Advogados que assessoram a vereadora estimam que o valor das reparações deva ser de 2 milhões de reais por pessoa.

    Mas no governo, assim como outros representantes do movimento negro, avalia-se que políticas de ações afirmativas sejam mais produtivas.

    “Após o fim da escravidão, o Estado brasileiro não teve nenhuma ação efetiva para incluir a população negra e para que esta pudesse viver a sua liberdade”, disse, por telefone, à Reuters, a ministra da Secretaria de Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Para ela, políticas públicas –como as cotas para negros em universidades e a inclusão da matéria História da África nas escolas, ambas adotadas sob o governo Lula– são mais eficientes.

    Reparações em dinheiro estão fora do horizonte do governo.

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