Loucura

Um site oferece um teste para que você saiba que tipo de gênio louco é.

Eis a definição de loucura do site:

“E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido socialmente aceito, em vez de trair uma determinada idéia superior de honra humana. Assim, a sociedade mandou estrangular nos seus manicômios todos aqueles dos quais queria desembaraçar-se ou defender-se porque se recusavam a ser cúmplices em algumas imensas sujeiras. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.”

Mesmo levando-se em conta que essa frase parece tirada do seu contexto, essa é uma das grandes bobagens que as pessoas falam sobre loucos. Parece que vêm na loucura um certo glamour outsider, uma espécie de protesto contra uma sociedade que julgam idiota porque nem sempre concorda com elas.

Essas pessoas que vêm tantos atrativos na loucura nunca visitaram um manicômio.

Porque se visitassem veriam que não há beleza, não há glória, não há nada na loucura. Há apenas degradação e, principalmente, solidão.

A solidão da mulher bonita que anda nua pela clínica e, brinquedo sexual dos outros loucos, pare anualmente como quem defeca — acocora-se, pare e sai andando, esquecida do que deixou para trás.

Do homem vestido apenas com uma camisa, boca aberta mostrando os poucos dentes cariados e pênis semi-ereto que avança em direção ao visitantes sem realmente os ver.

Da velha com pernas cheias de feridas sentada no chão e encostada à parede, olhando ausente para as pessoas que passam.

Do homem que come as próprias fezes e as dos outros.

Pois não há graça na loucura, não há. E, principalmente, ela não é uma questão de escolha. Ninguém “prefere ficar louco”, e essa é a principal mentira dita pela frase. As pessoas enlouquecem a despeito de si próprias, a despeito da vontade de serem normais. Loucura é, acima de tudo, sinônimo de solidão, de alheamento. Loucura é a negação de tudo o que nos faz humanos. É a retirada de toda e qualquer dignidade individual.

Que me desculpem esses poetastros que se pretendem loucos quando não são mais que absolutamente, mediocremente normais, mas loucura não tem beleza nenhuma. Para eles a loucura parece ser uma forma de alcançar a genialidade que um Shakespeare, um Balzac alcançou dentro da mais comum normalidade, mas que para eles deve ser praticamente impossível de alcançar. Falam do que não conhecem, do que se recusariam a conhecer, e a realidade seria um balde de água gelada em seus delírios ignorantes.

Só falam porque nunca visitaram um manicômio.

16 thoughts on “Loucura

  1. loucura é realmente a negaçao da humanidade, do contato com o proximo. tambem é a falta de amor e entendimento da nossa sociedade. Concordo, da falta de graça. TRabalhei durante 4 anos em um hospital p doentes mentais; só vi tristeza, solidao e abandono. Historias terriveis de gente q foi abandonada ali e nunca teve pra onde voltar; gente que nem sabe o q é voltar a lugar algum; gente que nem sabe que é gente; gente …

  2. Uma vez li o livrinho da Coleção Primeiros Passos sobre loucura. Eu tinha uns 17 anos e não entendi muito bem. Mais tarde, li “Hospício é Deus”, de Maura Lopes Cançado, por recomendação do Guto. Aí eu entendi bem mais, mas mesmo assim não entendi nada. A Luluzita falou uma coisa forte e, para mim, verdadeira: tem gente ali que nem sabe que é gente. Eu já cismei que seria psicóloga e, durante o curso (que larguei pela metade), estive em manicômios. Muita tristeza por lá. Mas será que não existem loucos felizes? Talvez alguns assistam, dentro da cabeça, a um “filminho” mais alegre do que a gente pensa. Não tem como saber, né? Aliás, uma bobagem da definição do site: “Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.” Ah, a sociedade ouve (e segue) muitos loucos sim. Inclusive porque acho que verdade não é uma coisa tão certa assim. E tá aí outra bobagem do site. (mas eu achei divertidinho fazer o teste e brincar de ser salvador dalí… hehehe)

  3. TALVEZ UM LADO BOM
    Acho que uma figura que vou admirar sempre – entre outras coisas (mas não só por isso) pelo trabalho como psiquiatra – é Nise da Silveira. Criou o Museu de Imagens do Inconsciente e acho que conseguiu aliviar o sofrimento de muita gente. Acho até que ela descobriu uma forma de expressão, e talvez de um pouco de alívio, pra muita gente que não devia estar conseguindo botar certas coisas pra fora. Imagino que foi por ela ter individualizado os pacientes, que, pelo que sei, são tratados como gado, como se fossem todos iguais.

  4. É um erro recorrente confundir genialidade e loucura. É a mesma coisa de quando se acha que todo alternativo é bom artista. O que tem de picareta usando a cena alternativa (que ultimamente não tá tão alternativa assim) prá conquistar espaço não tá no gibi. O que tem de gente querendo usar a loucura como pastiche da genialidade não cabe nos hospícios.

  5. Sim, meu amigo,tem graça não… Linda a imagem do Mirko no outro post. Boa sorte. 😉

  6. Alguns podem afirmar que loucura e genialidade andam intimamente ligadas, enquanto outros julgam ser mera especulação.O que tenho a dizer com respeito a esse assunto é que asssim como existem pessoas ‘normais’que são consideradas geniais,o que impediria a existência de gênios da arte,Literatura,Química,Física, entre pessoas que não seguem o mesmo padrão de vida das outras pessoas.
    Desse modo deixo aqui uma pergunta que merece resposta:Você considera como louco as que agem e penssam diferente de você?

  7. Há uma fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha
    Por que será que, quando falamos com Deus, dizem que estamos rezando, e quando Deus fala conosco dizem que somos esquizofrênicos?

    A minha alma é presa da mais livre loucura

  8. A loucura é fuga de uma realidade a qual o indivíduo não consegue participar e ao mesmo tempo que não aceita. Alguns dizem por louco todo aquele que pensa por si, e por certo muitos dos grandes feitores se puseram contra a sociedade o que é questão de transcendencia também, pessoas que pulam a barreira do conhecimento, preconceito e se aventuram a ver o que há por de trás do muro, pode-se dizer que Jesus era louco, ainda bem

  9. A loucura muitas vezes pode ser uma fuga de uma realidade a qual o indivíduo não aceita, ao se afastar da realidade ele se afasta do seu corpo assim se distanciando dos fatos os quais ele não consegue digirir perante a sociedade, a loucura faz parte da informalidade, despadronamento, sou fora do padrao logo sou diferente isso me causa angustia esta que pode me levar a loucura e que muitas vezes provem da solidao. Podemos viver só mas não nos sentirmos só.

  10. Prezados….
    Pesquisando nessa madeugada na Net…achei esse flog e resolvi deixar minha mensagem…
    Meu nome não é Fabrício.. isso é óbvio>.
    Sou sofro de esquizofrênia.. não tenho a intenção de me mostrar e nem focar o assunto para outra direção… enfim… Acredito que todos (os considerados normais) tentam por vezes frenéticamente entender a mente de alguém como eu… já fui tomado pela idéia da possibilidade de eu ser um gênio.. mas, muitas vezes me depararo com um padrão.. que chamam de sociedade.. não refiro-me apenas no ponto de vista moralista, ético e tantos outros na sociedade e sim nos padrões de comportanto, entre amigos por exemplo… falo 5 idiomas e tenho 22 anos.. sou conciderado integigente porém estranho.. simplesmente falam “Ahh ele é tão inteligente que chega ser louco”…. Concordo plenamente que tenho idéias irreais.. afinal estou usando usando os lados sadios do meu cérebro para obter bom sendo nesse momento (AGORA).. para distinguir meus momentos de Genialidade Louca… ou melhor.. posso diser que as vezes falo sobre assuntos que não tenho muito conhecimento e acabo aprofundanto o mesmo de uma forma tão complexa que passa a impressão que entendo muito.. ou que estou perto da verdade… mas é tão complexo que não é possível compreender…
    Não digo que isso é genialidade… aparentemente para leigos pode ser….mas… eu sei (AGORA)… minhas percepões em momentos criticos apenas alteram-se e tenho um processamento desiquilibrado nas ligações neurais.. entre a comunicação celular.. enfim.. estou ciente.. mas mesmo assim.. continuarei ser chamar de Gênio… intelectual… estranho…ou mais clinicamente falando esquizofrênico.
    A propósito.. o PSY que está em meu e-mail não é uma para fazer apologia à minha doença… apenas prq gosto de trance.
    Abraços a todos

  11. pois he!
    hj minha professora estava comentando sobre o museu da loucura de barbacena-minas gerais..sobre pessoas eram enternadas apenas por defeitos q neim pcquiatricos eram..um absurdo concerteza!fiquei orrorisada..
    AS vezes reclamamos de nossas vidas e nao olhamos ao redor!
    pois existe pessoas q estao muitu pior du q agente!

  12. Bom, Estava eu agora na madrugada, quando pensei sobre genialidade e loucura.
    Foi que quando achei esse Blog que gostei muito, aliás só não gostei de que não posso ver os emails de quem escreveu e mandou o post.

    Bom o assunto dá assunto, posso dizer que existe sim um pouco de loucura e genialidade em todos nós, sei que aconteceu “um surto” comigo (algo que fui parar no hospital e conversar com psquiátras e psicólogos) em que fez eu ver o mundo de forma diferente do que via antes, um espécie de loucura sim, na qual eu parecia ter uma espécie de genialidade, fazia contas muito mais rápidas do que o normal filosofava coisas que mal sabia, e acaba achando um sentido em tudo que eu falava, assim com as pessoas que me ouvia.

    Isso me fez ver o quanto eu não uso o meu cérebro no dia- a-dia.
    Depois do acontecimento,nunca mais tive algo parecido mas como sou artista,tento sempre ver atrás do muro e me expressar de alguma maneira.

    OBS:”Não sou um picareta que
    se aproveita da cena alternativa”, não sou alternativo pra dizer a verdade,nosso som é pop mas quero reconhecimento e associei o nome Indie, por representar o independente, nosso sonho é conseguir sucesso independentemente de gravadoras e afins.

    http://www.myspace.com/indieviduos

    Um abraço a todos os gênios , normais e também aos loucos, é claro!

  13. Fui diagnosticada doente mental, mas sabemos que são vários tipos as doenças aplicadas pela psiquiatria.Interessante saber a nossa capacidade de raciocínio, de lucidez, de razão, e até propriamente dita de Loucura.Estou em tratamento, primeiramente com psicólogos foram sem remédios, mas ao longo do tempo tive uma crise em casa dormindo, e… fui parar na psiquiatria.No meio da confusão mental, senti: medo, confusão de idéias, manias, via coisas, sombras, algo como que aparecendo nas paredes…. mas não eram sempre…..Meu médico disse entrar em medicação rapidamente para não virar coisa pior… Hoje tomo remédios e estou a cada dia a cada tempo resgatando tudo o que foi perdido e confundindo dentro do meu cérebro.Mas a convivência Social, o Trabalho, o dormir, o levantar, o sonhar, o querer, o amar, são primordiais para os homens (tidos normais), quanto para nós , diagnosticados doentes mentais. Sou feliz, e continuarei o tratamento com os remedios porque sei que temos força para reagir. Sabem a quem me apego? A DEUS. JESUS (FILHO DE DEUS) mostrado como LOUCO na História da Salvação. Ele é a minha força.Por isso sou FELIZ.

  14. oi rafael, talvez vc possa me ajudar. estou procurando o livro da maura loes cançado, – hospicio é Deus – se vc puder me dar noticias, agradeço

    ramon

  15. ser louco é estar concientemente inconciente ou inconcientemente consciente, da sua falta de conciencia conciente.

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