Procura-se Augustinha desesperadamente

No lugar que para mim é uma espécie de paraíso abandonado há muito tempo, o que quer dizer cheio de poeira e caoticamente desarrumado: um sebo.

Acho uma foto esquecida em um dos livros folheados, uma edição velha e encadernada de “O Conde de Monte Cristo”. Não compro o livro, mas coloco a foto em outro (“A Travessura de Casper Holmes”, tradução boba da Brasiliense para All Shot Up, de Chester Himes — se é que alguém quer saber) e trago para casa.

A foto mostra uma adolescente com beca de formatura, olhando para a câmera sem demonstrar orgulho excessivo pelo seu feito nem descontentamento por ter enfrentado toda aquela preparação: vestir a beca, ir para o estúdio, esperar o fotógrafo.

No verso, uma dedicatória manuscrita:

A minha sempre amiga D. Helinha ofereço-lhe a minha foto como lembrança do meu diploma de bordado.
Em 12-1-63.
Augustinha

Se alguém conhece uma senhora dona Augustinha, mulher caminhando para os seus 60 anos, que foi ou é amiga de uma dona Helinha e que se formou em bordado aí pelo final de 1962, favor entrar em contato com este blog.

P.S.: Diga a D. Augustinha que a amiga dela tem o hábito execrável de fazer contas nas guardas dos livros. E essa é uma das coisas que a gente simplesmente não faz.

12 thoughts on “Procura-se Augustinha desesperadamente

  1. Algumas considerações: A tal da Augustinha deve ter sido importante para a dona Helinha, considerando que a foto dela era usado como marcador de livros e que o Conde de Monte Cristo era um clássico naquela época. Para terminar em um sebo, com foto e tudo, a Augustinha deve ter causado uma desilusão muito grande a dona Helinha, que preferiu desfazer-se do livro, provável testemunha de sabe-se lá que coisas. Curso de bordado só faziam as moças de bem, filhas de famílias abastadas que podiam se dar ao luxo de fazer fotos. Relações proibidas de duas senhoras de famílias ricas são reminiscências perigosas demais. Melhor deixar pra lá!
    Ciao

  2. é mesmo, rafa! vamos achar as DUAS velhinhas LÉSBICAS e dar um CACETE nelas… bom, CACETE não. vamos dar uma SOVA nelas! isso!

  3. to impressionada com esses fascinoras detonadores de pobres velhinhas esquecidas pelo tempo… ow bia, podia chamar até de adolescentes lesbiquinhas, seu preconceituoso!!!! oce andou fumando orégano e fica desse jeito???? mas eu acho q a dona Helinha ou brigou com a dona Augustinha ou a dona Helinha morreu e os filhos se desfizeram dos livros de tao elegante senhorinha!!!

  4. Lamentável a atitude de Dona Helinha, que simplesmente relegou o presente de uma amiga a uma estante perdida num sebo. Pode acontecer de Dona Augustinha encontrar Helinha primeiro – e aí quem vai levar um cacete é Helinha.

  5. Eu não tinha o que fazer e fui procurar por “velhinhas lésbicas” no google. Esse blog foi a única ocorrência. Alguém aí é lésbica?

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