Rafael Galvão

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Arafat

O tema me interessa, sempre interessou. Mas os dias passaram e eu ainda não tenho nada a dizer sobre a morte de Arafat.

O Marcus fez uma análise perfeita da situação; o Nuno Guerreiro também. Eu, de qualquer forma, nunca cheguei a uma conclusão sobre Arafat. Não por ter sido terrorista — Begin e tantos outros promoveram seus próprios atos do tipo, sem falar na resistência proto-israelense durante o domínio inglês; isso não o diminui, em comparação aos seus adversários. Terrorismo é método, apenas, utilizado por quem não tem tanques. Terrorista é coronel de pobre. Na verdade, o que sempre me deixou em dúvida quanto a Arafat foi sua tática.

Tenho ainda menos certeza de que Arafat era tão responsável assim pela violência palestina; não custa lembrar que o que detonou esta nova intifada foi a visita de Sharon à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém em 2000, unicamente para fazer pressão política. Para ele deu certo, porque conseguiu se tornar primeiro-ministro. Para o povo israelense, nem tanto. E para o povo palestino, bem…

Mas não tenho certeza de que concordo com algo que o Guerreiro falou: de que é a hora de Sharon pendurar suas chuteiras.

Eu nunca me imaginei dizendo isso, mas talvez Sharon seja hoje uma das melhores opções para a esquerda israelense. Ele continua sendo o canalha que sempre foi, o assassino responsável por Sabra e Chatila ao apoiar a chacina de refugiados palestinos por milícias cristãs; mas se comparado a setores mais radicais da sociedade israelense, ele é quase um Gandhi.

Se ele, confiável para aqueles setores mais radicais, está enfrentando tantas dificuldades, eu não quero nem imaginar o que um sujeito mais decente enfrentaria.

5 Responses to “Arafat”

  1. November 17th, 2004 at 1:19 am

    Marcus Pessoa says:

    Muito interessante seu comentário, Rafael. O engraçado é que eu lembro de algumas lideranças palestinas dizendo, após a morte de Rabin e a ascensão de Netanyahu, que era mais seguro negociar com uma liderança conservadora, pois ela teria mais respaldo na sociedade israelense para fazer cumprir os acordos.

    Nota-se visivelmente em Ariel Sharon o desejo de passar à história como o líder que pacificou a Palestina, mesmo que seus planos recebam críticas de todos os lados, e a esquerda israelense tenha votado neles mais por não ter outra opção.

    Eu não arrisco nenhuma previsão. Não tão dizendo que Bush também vai pensar nisso agora - sua biografia? Seria apressado ter otimismo agora, mas observemos com atenção o desenrolar da coisa…

  2. November 17th, 2004 at 2:22 am

    Allan says:

    Sempre vi o Arafat como um mal nescessário à causa palestina. Hoje acredito que nem tão mal, nem tão nescessário.
    Ciao

  3. November 17th, 2004 at 12:39 pm

    Schweyka says:

    sabe meu comentário não tem nada haver com este post, faz tempo que leio seu blog, mas nunca comentei… dai um dia o professor de historia perguntou meu nome , ele torceu a boca e me chamou de Rita, poxa na hora lembrei do teu post, fiquei contente… dai por diante meu nome mudou de um nome complicado (Schweyka), para um nome simples e decidido… Ta certo não liga para a minha evasão… só lembrei…

  4. November 17th, 2004 at 5:52 pm

    Paulo says:

    Ele gostava de crianças…logo,era um bom sujeito!

  5. November 17th, 2004 at 7:19 pm

    Reginaldo Siqueira says:

    A Palestina não tem um estado estabelecido. O que veremos agora é um novo líder, aglutinando as decisões, e necessitando se impor. Não é o melhor retrato de um comando moderado pronto para negociar. Acho que as coisas vão se acirrar em um futuro próximo.

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