Mainardi ou os tempos que passam

Há alguns dias encontrei um amigo numa livraria. Ele estava comprando alguns livros, entre os quais o último do Diogo Mainardi. E falou: “O Mainardi é necessário”.

Entendi o que ele quis dizer. Que é necessário alguém que sacuda as coisas. Mas entender não quer dizer concordar.

Esse amigo é uma das pessoas que mais respeito. Também uma das que mais me ensinaram — quer dizer, ensinaram não, que aquele filho da mãe não me ensinou nada, sempre condescendente demais comigo; eu é que aprendi olhando o seu exemplo. Por isso a surpresa.

Porque das duas, uma: ou o Mainardi não é necessário coisa nenhuma, ou este país está mal das pernas.

Houve um tempo em que os grandes polemistas deste país eram Carlos Lacerda, Helio Fernandes e Paulo Francis. Todos eles eram pessoas extremamente preparadas. O cabedal intelectual de todos eles era imenso, especialmente o de Lacerda, talvez um dos homens mais inteligentes que este país já viu. Pessoalmente, estou mais familiarizado com o Paulo Francis, que comecei a ler aí pelos últimos anos da década de 80. O Hélio Fernandes, o último deles, está encastelado em um jornal sem nenhuma importância, e o que escreve não tem mais ressonância.

A esses eu poderia dar o nome de polemistas, sem pejo. Uns mais, outros menos, todos eles tiveram alguma importância na história brasileira dos últimos 50 anos. Nenhum deles tanto quanto Lacerda, claro, o homem que fez Getúlio se suicidar e que 10 anos depois foi fundamental para o sucesso da redentora, sobrinha desnaturada que o engoliu sem piedade.

Esses homens, concordando-se ou não com eles, foram necessários.

No caso do Mainardi, como já escrevi, tenho a nítida sensação de que o sujeito acorda todo santo dia e se pergunta com o que vai implicar hoje. Só isso. Falta consistência. Falta solidez. E sem isso não se tem polêmica, se tem provocação. Apenas a troca de insultos ou de acusações muitas vezes simplórias. A diferença entre o Mainardi e um polemista de verdade é a diferença entre sátira e paródia.

Além disso, a idéia de polêmica requer um diálogo. E eu não vejo nenhum ali, com exceção da resposta infeliz do Jorge Furtado e dos leitores que esbravejam insultados. Vejo o Mainardi gritando uma coisa aqui, outra ali — sua única constante é a perseguição ao governo Lula, que chega ao nível do rasteiro. Oposição ao governo é louvável em um jornalista, mas duvidosa quando é só contra um governo; não lembro de ver algo parecido nos anos FHC.

O Mainardi, da forma histriônica dele, faz carreira sobre os brios bobos de quem se ofende quando alguém não compartilha seus mesmos credos e não tem vergonha de debochar disso. Paciência.

Talvez o Mainardi faça pensar, mesmo, e talvez ele seja necessário. Eu não acho, porque não consigo achá-lo sério o suficiente para prestar muita atenção no que diz. Mas se ele for realmente necessário, é porque todos nós emburrecemos muito nesses últimos anos.

35 thoughts on “Mainardi ou os tempos que passam

  1. Os textos do Mainardi são, de fato, inconsistentes. O cara não usa um argumento pra fundamentar as teses. É só implicância e provocação. Não sei como alguém consegue dar importância a um cara desses, seja pra achá-lo grande, necessário, ou simplesmente pra xingá-lo.

  2. Diogo Mainardi não chega a ser necessário. O estilo provocatório dele ajuda a vender a mesma revista que abriga o Millor, que já ocupou essa função. Eu diria que ambos são divertidos, que me fazem rir. É distração pura. Assim como ler Seleções.
    Ciao

  3. Não tenho paciência para ler o Mainardi. Acho ele chato, inconsistente.

    Responder a ele? Se revoltar? Não vale o esforço…

    abraço

  4. Que o Mainardi é besta, já sabemos. Mas tem outras bem menos necessárias: Olavo de Carvalho e seus olavetes. Esconjuro-pé-de-pato-mangalô-treis-veiz!

  5. O Diogo mainard é uma bobagem! Seus textos na Veja são esdrúxulos, meras opiniões amarguradas e desprovidas de sentido. Após sua entrada para o Manhattan Connection, parei de assitir o programa. Colocar o Mainard onde já esteve Paulo Francis, Nelson Mota e Arnaldo Jabor é uma afronta a inteligência do telespectador. Uma vez cometi o deslize de ler um de seus livros (Contra o Brasil), não recomendaria para os meus piores inimigos, se eu os tivesse.

  6. O triste é perceber a quantidade de cartas “enchendo a bola” do fraco,a cada artigo “raivinha” escrito por ele.

  7. vou comentar antes de ler os comentários.

    tem uma questão de ESPAÇO aí, rafa. o mainardi tem um espaço pequeno e semanal, talvez por isso PRIORIZE a polêmica. lembre-se que o francis (sou fã!) em seus DIÁRIOS DA CORTE de página inteira, duas vezes por semana, colocava (quase) sempre no ABRE uma polêmica política, geralmente cutucando o PT. era quase o mesmo que o mainardi faz, o BONITÃO chupou dali até (quase) o estilo. a diferença é que o francis já era PUTA VÉIA, já tinha feito uma revolução na crítica teatral e na análise política… mas a gente não pode dizer que o mainardi é inculto. é NOVÃO, just like me.

    mais de uma vez, aqui e no LLL, disse o mesmo: o cara é necessário. no mesmo sentido em que o millôr é necessário, franco atirador com verve e audiência garantidas – já que quem ama e quem odeia lê! e abre discussões.

    eu não gosto dele, só a FUÇA já me embrulha. mas creio que seja um cara HONESTO, um cara que já se assumiu como polemista profissional. e, como SER DE IMPRENSA, também erra, of course.

  8. Considero Mainard perfeitammente dispensável.Li algumas vezes e já me provocou náuseas o suficiente.É crítica rasteira, inconsistente parecendo um braço armado e até bem articulado da elite.. os ” centro esquerdistas”. A tucanada tem mesmo este estilo.

    Rafael: me dê notícias sobre meu texto para a balada do louco…” Cutucando pivete com vara curta”.
    Abraços

  9. Rafael, primeiro quero lembrar o polemista-mor, o culto mais sacana (ou o sacana mais culto) que conheci, Assis Chateubriand. Ensinou a todos os citados como se faz, inclusive a cobra criada Carlos Lacerda.
    O sensação que sinto com o Diogo Mainardi é sempre de frustração. Eu sempre espero mais. São sempre estocadas rápidas, ao estilo de quem bate e corre. Diogo nunca tem mais nada a falar sobre nenhum assunto. É um ejaculador precoce.

  10. Como não sou preconceituoso (perdoe-me, caríssimo Millôr), concordo em gênero, raça e credo religioso com o que o que disse o Biajoni, inclusive quanto `a admiração pelo Francis e a indiscutível “chupação” que o Mainardi faz de seu estilo. Agora, caro Rafael, dizer que não via nada parecido no reinado FHC é brincadeira! Será que não lias o Veríssimo? Ele passou oito anos estilingando o príncipe sociólogo. A coisa boa disso tudo, como conseqüência da nítida decepção que o escritor teve com o governo atual, dado o seu conservadorismo, foi vê-lo voltar suas baterias para escrever crônicas sobre o cotidiano, no qual é indiscutível mestre, anos-luz à frente da indigência de suas análises políticas.

  11. o veríssimo foi bem lembrado, ele foi na JUGULAR do collor e do FhC com a mesma SEDE. mas o veríssimo tem uma classe que, já na época, PINICAVA até o francis. para fechar assunto, prefiro (e acho bom ter) um mainardi a um PASSA A RÉGUA como o OLAVO DE CARVALHO.

  12. Bia e Testas Kid, a comparação com o Veríssimo seria válida se o próprio Veríssimo não estivesse fazendo críticas também a Lula. É a diferença entre coerência e a simples oposição por oposição. Veríssimo critica o que acha errado; o Mainardi critica o PT. Chega a ser irritante.

    Bia, eu só queria lembrar que em um comentário em um post neste blog você disse que o Mainardi tinha fontes, etc. Ele não tem. E quanto à cultura ou falta dela, eu só posso falar do que leio. Se ler o Francis sempre me ensinou alguma coisa (seja em seus tempos de trotskista ou de neo-liberal), ainda não consegui aprender nada com o Mainardi. Não vi nenhum raciocínio sólido atrás de seus pitis.

    Eu não chamaria o sujeito de polemista profissional. Chamaria antes de “implicante profissional”. Mas o Iraldo tem razão: ele é muito mais divertido que o Olavo de Carvalho. Se bem que às vezes me parece só um protótipo juvenil dele.

  13. Ôoooooooooooo, Rafael, a verve do Veríssimo sobre assuntos políticos nacionais diminuiu bastante em relação à performance nos anos Collor/FHC. As críticas ao atual governo são raras, episódicas. Se o Mainardi tem fontes ou não, se possui raciocínio sólido ou não, se tem cultura ou não, acho difícil tecer qualquer espécie de opinião definitiva, dado o problema do espaço, já referido pelo Biajoni. Se bem que acho um tanto exagerado colocá-lo no mesmo balaio de Ó Lavo Meu Car(v)alho, pois desconfio que, apesar de nutrirem certa similaridade de opinião quanto ao papel do Estado, possuem visões de munda bastante distintas. Não consigo imaginar o Mainardi fazendo parte do talibanato católico tupiniquim, que é bem chato e retrógrado. Também nesse ponto devo (balançando a cabeçorra em sinal de aprovação) concordar com o Biajoni, o colunista de Veja é bem mais divertido.

  14. Também acho que ele seria necessário se tivesse um mínimo de solidez, de base. É legal ter um ‘enfant terrible’ na imprensa, mesmo que de direita. Mas como citou Rafael, um país que teve Paulo Francis nessa função merecia algo melhor (e o Chateubriand, que o Reginaldo lembrou bem). Aliás, ‘ejaculador precoce’ é o termo, porque polemista que é polemista não corre do pau. Não imagino o Mainardi encarando polêmica com ninguém. Num campo neutro, seria trucidado por qualquer jornalista ou pós-graduando minimamente informado. O Jabor poderia estar cumprindo o papel de ‘enfant terrible’ nacional, mas claro, no Jornal Nacional não dá.

  15. Idelber, meu caro, larga mão desse troço de “direita x esquerda” blá blá blá. Acho mesmo necessário a presença de colunistas que cutuquem os governantes de plantão, sejam eles de direita, de esquerda, de centro ou whatever. Concordo quanto à superioridade do Francis, assim como quanto aos bons inçaites do Jabor, em que pese achar toda aquela sua “teatralidade” chatinha e exagerada. Pô, o que vale é o conteúdo, não o recipiente. Conjecturando: se o Millôr fosse contratado pela Caras, ou pelo SBT ou pela RedeTV, você acha que eu deixaria de lê-lo/assisti-lo? Foda é ter que agüentar cartunista chapa branca no Jornal Nacional, né não?

  16. De acordo, de acordo, Kbção, eu sou o primeiro em concordar que direita x esquerda é uma dicotomia complicada hoje em dia, etc. etc. Mas no caso do Jornal Nacional o meio (acho que você queria dizer o meio ao invés de recipiente, né?) determina em muito o conteúdo. O conteúdo não existe independente do meio. Ainda curto o Jabor, mas adoraria vê-lo em ação com menos rabo preso. E apareceu no JN, meu amigo, é rabo preso prá todo lado. Eu curtia mais lê-lo na Folha, não sei, acho que no caso do Jabor há algo com a palavra escrita que funciona melhor também. O que eu quis dizer foi isso: cartunista do JN sempre vai ser chapa branca, mesmo que seja uma assinatura que traga história consigo. Abs,

  17. É isso, meu nêgo. De fato, todo aquele que entra no programinha do casal Bonner, ou de qualquer outro da vênus platinada, tem mesmo que pagar pau. Isso é irritante, o meio influencia mesmo o conteúdo. As tiradas do Jabor na Bolha de São Paulo eram bem mais interessantes. Além do fato citado por você e do indefectível rabo preso, acho que o público alvo de sua coluna escrita é bem mais reduzido/selecionado/coeso, o que dá liberdade para que seu texto seja muito superior (devo confessar que tenho muitos pontos dedivergência com ele). A partir do momento que entra pro mainstream do jornalismo, falando a milhões e milhões de brasileiros das mais variadas classes e dos mais variados níveis intelectuais, o tal se vê obrigado a utilizar “teatrinhos” bobocas, uma linguagem mais direta e um vocabulário mais pobrezinho, o que implica na queda de qualidade de suas crônicas, né não?!

  18. O Verissimo é consistente, culto, refinado, educado. O Mainardi é de uma indigência intelectual absurda, digno de pena. Não há como colocar os dois no mesmo balaio.

  19. CABIÇUDO: o francis fez um comentário maldoso sobre o érico veríssimo certa vez e isso gerou um certo MAL ESTAR entre ele e o veríssimo. lembro de ter lido algo sobre uma certa “inveja” do francis, achava que o LFV podia tomar-lhe o lugar. o OLAVITO é passa-a-régua, sujeito que não abre para ninguém discutir com ele: o que ele diz é TUDO!, o DONO DA RAZÃO.

    é interessante que quando falam em colunistas polêmicos/políticos separam sempre os SÉRIOS dos HUMORISTAS. o próprio rafa coloca o hélio mas não o MILLÔR… e nem cogita o veríssimo. o millôr já reclamou disso mais de uma vez: quem faz humor é considerado SEGUNDO TIME. sempre cita o saul steinberg, a quem considera gênio. e, mais interessante, ele (millôr) coloca o francis como um colunista de humor!

    “paulo francis é um bípede implume terrivelmente sapiens” – millôr.

    rafa… ingenuidade achar que o mainardi não tem fontes. ele tem dinheiro, escreve para a maior revista do país, tem SOCADO no pt (ou seja, acaba se aproximando dos RIVAIS do partido)… a questão é se ele INVESTIGA as informações antes de publicar. mas esse é um pecado (ora, não me linchem) menor – como eu disse, todos erram; e o francis era HÁBIL em errar… algumas vezes pedia desculpas públicas, mas não sempre.

    olha só quantos comentários nesse post. se eu tivesse uma revista queria o mainardi nela! (mas não o olavo, peraí gente; eu tenho FAMÍLIA!)
    ;>)

  20. Bia… Foi ele quem disse que não tem fontes. Tá lá, numa entrevista dele disponível na internet.

    Se bem que é ingenuidade, mesmo, acreditar no Mainardi.

  21. O mainardi irrita, mas tem lá seu espaço, o que significa que ele dá ibope. Nem que seja os que não gostam de seu estilo. Bjs.

  22. Agora sim, Biajoni. De fato a alcunha de “passa a régua” cai como uma luva no hidrófobo, dado o seu maniqueísmo e atitude “sou foda e o resto é merda”. Confesso até (por favor, não me espanquem!) que acho interessantes alguns inçaites do cabôco. Ora, não me parece uma atitude intelectualmente saudável rejeitar in totum o pensamento de quem quer que seja levando-se em consideração apenas suas opiniões políticas, religiosas ou o que seja… Acho também, infelizmente, que o Millôr está certo quando diz que os humoristas são considerados segundo time. Isso me dá uma tristeza danada, pois, por exemplo, não dá pra analisar, sem uma pitada de humor, a política (de modo geral, por todos os partidos, sem exceção) praticada hoje em dia na Brazundunga, dado o seu non-sense surrealista, cômico até. Fico aqui matutando quanta dificuldade tem esses analistas políticos em escrever com um mínimo de consistência sobre algo tão caótico e irracional…

  23. admirar a capacidade de polemizar, de ser agressivo verbalmente, de ter insights tanto na escrita como nos discursos… tudo bem! o que não dá é pra ser FÃ do lacerdão, vai dizer?

  24. Eu gosto do Mainardi. E não tenho medo de admitir isso frente a tantos comentários jocosos a respeito dele. Ele tem um espaço minúsculo na Veja, não pode se aprofundar em nada. E ele está ali é para provocar mesmo. ALGUÉM tem que fazer isso. E NINGUÉM faz. Ele não está ali na Veja à toa. Digam o que quiserem dela, mas é a maior revista semanal do país. Podem dizer que a maioria é burra e que a Veja é de direita. Mas o fato é que é o maior semanal lido no Brasil e ponto. O Mainardi é necessário sim. Muitas vezes acho que ele exagera de propósito. Eu adoraria conversar com ele por algumas horas. Acho que ele só quer botar lenha na fogueira pra ver se consegue alguma coisa. Ao invés de falar mal dele, deveríamos analisar o que ele diz e tentar mudar alguma coisa nesse país. Porque do jeito que anda, Mainardi tem completa razão em tudo o que diz e prevê.

  25. Analisar o que o Mainardi diz nem quando não tenho nada importante pra pensar. Isso porque não vejo o Mainardi dizer nada, pelo menos nada inteligente.

  26. É evidente que o Mainardi é adepto da polêmica fácil, sem argumentação lógica. Seu objetivo é chocar. Paradoxalmente, essa postura atrai muita gente.
    Enquanto estamos comentando esse assunto, a Veja vende mais revistas, outros enviam cartas à revista protestando/elogiando o articulista.
    O próprio Mainardi conseguiu, com essa atitude de crítica vazia, um editor para publicar seu novo livro e ganhar mais dinheiro.
    É isso. O resto é bobagem.

  27. Tá bom. Tá bom. “Polêmica fácil, sem argumentação lógica”…”O cara é foda!”…”Subespécie do Francis”…”Gênio!!!”…”Reacionário feladaputa”…blá-blá-blá
    Deixando de lado um pouco a simplória e xaroposa discussão, acho que o cabôco poderia não ter escrito nada até agora, e até mesmo pendurar a chuteira após esse certeiro parágrafo aqui:

    “Representam um tipo de sociedade falimentar em que o valor do trabalho foi subvertido. Uma sociedade que dá esmola ao pobre, subsídio ao rico, cargo ao correligionário, emprego ao parente, reserva de mercado ao industrial, informação privilegiada ao político, impunidade ao corrupto, aposentadoria a quem não contribui, financiamento a fundo perdido ao artista, terra ao grileiro, liberdade ao escravista. Repito o que já disse em outro lugar: revolucionário, no Brasil, é ganhar dinheiro sem falcatruas. Quanto mais, melhor.”

  28. Roberto, que engraçado, eu achei esse trecho fantástico!!
    Nem sempre o Mainardi me agrega, mas a matéria
    dessa semana tem uma crítica muito importante à sociedade brasileira, na linha do que apontaram Sérgio B de Holanda e Raimundo Faoro, ao identificar o patrimonialismo e a “aventura” como características do povo portugues – ampliada pelo brasileiro – de buscar o ganho fácil e rápido, muitas vezes por meio do Estado.

  29. Bingo! De fato, esse trecho acertou na mosca. Por essas e outras é que costumo repetir que a rejeição in totum do que escreve este ou aquele colunista é uma atitude intelectualmente incorreta. Por mais que o cabôco escorregue várias vezes para o caricatural, em algumas outras ele tem teses bem interessantes. Sua remissão ao Ségio Buarque de Holanda e ao Raimundo Faoro está perfeita, caríssimo Marcelo.

  30. Creio que a comparação de Mainardi com S.B. de Holanda e R. Faoro não é adequada. Só não é descabida “in totum” porque (oculta) no mérito da tese de Mainardi há uma certa semelhança: a indignação contra as injustiças de nosso país. Entretanto, a FORMA de chegar a tal conclusão é completamente diferente.
    Não defendo apenas o “politicamente correto”, mas sou contra o “Mainardismo”. Diogo Mainardi ( O Nelson Rodrigues que não deu certo) é absolutamente apelativo, os outros são elegantes/técnicos/CIENTISTAS. Mainardi, ao contrário, quer chocar, apavorar, gerar conflito. É contra esse método que me oponho. Além disso, ele próprio pode ser inserido no rol de “idiossincrasias nacionais”, ao gerar polêmica fácil para vender seu artigo na revista VEJA, vender seu novo livro e participar no Manhantan Connection (GNT). Ou melhor, o cientista não ganha dinheiro, o articulista “terrorista” ganha dinheiro.
    recomendo a leitura inteira do artigo do qual reproduzo o texto abaixo:
    http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1385
    “Sou a favor da crítica e sou contra a “crítica” bem-comportada de hoje. Mas não apóio a crítica irresponsável. Exibida. Intolerável. Doutrinária – fingindo, digamos, “criticar” as ideologias em geral, mas, no fundo, impondo (nas entrelinhas) sua própria ideologia. Crítica pode ser manipulação também, e o desejo de transmitir “juízo crítico” a quem lê pode se converter em uma maneira de, aí sim, transmitir “preconceitos”, idéias e pensamentos preconcebidos. Portanto, os critiquinhos deveriam desistir do ofício. ”

  31. A nossa discussão tem de passar p/ outra seara do conhecimento: a lingüística.
    Eu aceito o método do Mainardi, primeiro, porque tenho uma simpatia liberal em relação à não-censura da mídia. Aliás, o próprio texto indicado pelo Roberto já antecipa que vai ser acusado de atacar a liberdade de expressão…

    Além disso, aceito o uso da retórica em uma proporção que pode ser acusada de sofisma e outros adjetivos pejorativos como simplificação, generalização, preconceito e até “Polêmica fácil, sem argumentação lógica”.
    Em mídias como revista, jornal, blogs é preciso capturar o interesse do leitor. A retórica é fundamental p/ isso. Outro ponto é a heterogeneidade do público leitor: uma simplificação pode ser muito eficaz na transmissão de uma mensagem.

    Por fim, quanto à crítica impor sua ideologia, acho que a ideologia é algo muito forte no ser humano. Nossas ações e textos, sempre estarão atreladas a nossa ideologia. Acredito na completa liberdade de expressão, no que toca à ideologia. Roberto, acho q suas críticas ao Mainardi advém de uma impotência diante de seus métodos eficazes na transmissão de uma ideologia contrária à sua.

    Pela minha visão de mundo e valores, não acredito que o mundo melhor e menos desigual será atingido pela escolha que alguns(iluminados?!) façam sobre o que seria a melhor ideologia. Ou daqueles que seriam os melhores críticos. Também não acredito no critério de idade p/ qualificar um crítico.

    Vamos deixar a mídia ousar e explorar todo o potencial da retórica.
    Sem censura!

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