Um bandido chamado Lampião

Lampião e seu bando chegaram à fazenda de Z. no interior de Sergipe. Pediram abrigo, dinheiro, as coisas que sempre pediam. Ou exigiam.

Z. se recusou ou não tinha o suficiente, não sei, e os cangaceiros fizeram a festa. Não gostaram de algo que C., mulher de Z., falou, ou o jeito como olhou — porque quando se estava diante dos cangaceiros todo respeito era pouco. Lampião então pegou uma palmatória e lhe deu seis “bolos” na mão.

“E agora?”, perguntou Lampião.

“É só isso?”, perguntou C., tentando controlar a raiva.

Lampião lhe deu mais seis bolos.

B., o filho mais novo do casal, acordado com a barulheira, estava perto da parede. Naquela época se dormia com camisolões. Um dos cangaceiros arremessou um punhal — espadins finos, com lâminas de cerca de 40 centímetros de comprimento — contra ele. O menino ficou pregado à parede pelo camisolão.

Lampião foi embora. Z. vendeu a fazenda por uma ninharia e se mudou dali.

***

Não há nada mais equivocado que tentar justificar o ciclo do cangaço a partir das condições sociais da época, e usá-las para evitar chamar Lampião pelo que ele era, bandido. Elas explicam, claro; mas não justificam nem amenizam o seu caráter criminal.

É como justificar o fenômeno no tráfico no Rio de Janeiro. Com uma diferença: as tais “condições sociais” são muito mais graves no morro, porque a desigualdade social é mais gritante, e o favelado é confrontado todos os dias com imagens de um consumismo desenfreado. No entanto, ninguém pensa em chamar um Elias Maluco de herói. Se em outros tempos, em que os traficantes tinham maiores ligações com a comunidade, essa lenda ainda persistiu durante um tempo, hoje ela já provou simplesmente não existir.

Aqueles que transformam Lampião em uma espécie de robin hood da caatinga provavelmente esquecem a história. Porque essa versão romântica esbarra no fato de que ele, tantas vezes, serviu apenas de jagunço para coronéis da região. É contradita pelo fato de que eles aterrorizavam pequenos sitiantes e vilas inteiras, tomando dinheiro de todos, mas poupando proprietários de terra que lhe dessem abrigo — os coiteiros.

Lampião era apenas um coronel sem terras. Seu comportamento era o mesmo, com a diferença que ele precisava ser ainda mais truculento por não ter nenhum estamento que lhe garantisse, diretamente, o poder que exigia.

Não interessa a miséria ou o que fez Lampião ou Antônio Silvino cangaceiros, porque a mesma miséria atingia um bocado de gente. O que interessa é que durante os anos em que assolaram o sertão nordestino sua atuação foi a de bandidos, de assassinos, ladrões e opressores.

Essa mitologia romântica a respeito de Lampião parece ter se consolidado a partir dos anos 70. Era época de ditadura, e aparentemente os movimentos de resistência resolveram tomar como aliados qualquer coisa que representasse combate ao Estado. Entre outros, isso desagüou no Comando Vermelho, o que deve ter posto de cabeça para baixo toda a crença pseudo-leninista na idéia de que o povo armado fará a revolução; pelo menos aqui, o povo armado sobe o morro e vende cocaína, que dá mais dinheiro.

Comparar cangaceiros a terroristas palestinos é apenas falsificação da realidade. Concorde-se ou não com seus métodos, os palestinos estão lutando por algo maior que eles. Lampião e seu bando lutavam apenas por si próprios. Para que houvesse alguma razão em não chamar Lampião de bandido seria preciso que alguém mostrasse algo de significativo que ele tenha feito para contestar o status quo social, e não usar a força para garantir o seu quinhão.

Mas com exceção de eventuais rompantes de generosidade, a generosidade do senhor feudal, eu não conheço nada parecido.

26 thoughts on “Um bandido chamado Lampião

  1. Êta ecletismo, digníssimo Rafael! Acabei de ler o pôst, os comentários, o direito de resposta, a réplica, a tréplica e tudo o mais sobre a questão da Igreja/igreja e a camisinha (ou seria Camisinha?), já passei pela morte da música e agora estou lendo sobre Lampião!

    Cara, estás caprichando! Fico pensando no tempo que não levas preparando todos estes pôusts!

    Por isso que és considerado um blogueiro de primeira grandeza! Parabéns e continue assim!

  2. Fico feliz ao ver que existem pessoas como você, Rafa, que pensam como eu. Além do que foi comentado sobre a Igreja e seus dogmas, também concordo plenamente que o Lampião foi um coronel sem terra, um bandido. Suas atitudes foram sim de ladrão, e concordo que aparentemente falta essa visão mais ‘esclarecida’ e coerente sobre o que foi essa figura de nossa história.

    Tem favelado hoje em dia tentando sair por aí exigindo o que quer e fazendo o que quer: um dos mais conhecidos se chama Fernando. Exaltamos a “luta” dele nessa opressão do capitalismo aos menos afortunados?

  3. Excelente o seu post sobre Lampião.Concordo com tudo o que disse.Quiseram fazer de Lampião um herói romântico que lutou pelos oprimidos.

  4. Os Elias Malucos da vida ninguém ousaria romantizar (ou ousaria?), mas os integrantes do MST – bandidos da pior espécie, que tb invadem propriedades e fazem famílias reféns, bem à la Lampião – são glorificados por amplos setores da sociedade brasileira.

  5. Oi seu Rafael. Já tinha ouvido falar no Lampião mas não tinha bem a noção do bicho. Pelo que vejo também no Brasil os média e os intelectuais da sinistra arranjam “estórias” politicamente corretas para servirem seus designios, né?

  6. Apenas um adendo, Rafito. Lampião, assim como Elias Maluco, e tantos outros sujeitos do mesmo naipe, podiam ter características admiráveis. Mas isso não os fazia pessoas admiráveis. Sua porção de sujeira suplantava as partes dignas de nota. Igual a tanta gente, considerada boa ou ruim.

  7. Aprendeste direitinho a repetir o discurso dos historiadores marxista sobre o banditismo. Relembrei da minha professora de história pois ela usava as mesmas palavras e idéias. Pelo menos ela era muito bonita e atraente.
    Parabéns!

  8. Sinceramente fico enojada com toda essa babação de ovo em torno do Rafael Galvão.
    Tudo bem, ele cara até escreve direitinho, mas tudo tem um limite, vejam só o que o outro, seu xará e a meu entender apaixonado comenta:
    “Cara, estás caprichando! Fico pensando no tempo que não levas preparando todos estes pôusts!“ (eu particularmente, imagino que seja a única coisa que faça na vida, pois não é possível que alguém tenha tanto tempo disponível para se dedicar a um blog, sinceramente, caçar um trabalho ou uma atividade seria bem mais produtivo.)
    “Por isso que és considerado um blogueiro de primeira grandeza!” (houve algum tipo de concurso que eu não soube para eleger os de primeira, os de segunda e os de terceira linha?
    Muitas pessoas podem estar lendo esse comentário e devem estar pensando, essa aí é mal amada, ou ainda, ela está é com inveja.
    Pois bem, nem blog tenho, não porque não tenha capacidade, mas por que não tenho tempo sobrando pra me dedicar a um.
    Rafael acho que tem todo o direito de expor suas opiniões, afinal, esse aqui é seu “cantinho”, o que não pode é tentar impor suas opiniões e fazer troça da crença alheia. (não, também não sou católica como vocês devem estar imaginando).
    Eu ia me manter calada, coisa que talvez devesse ter feito, mas percebi que está ultrapassando os limites e não é porque uma meia dúzia de admiradores/seguidores/fãns enlouquecidos aplaudem suas opiniões que você está certo.
    Seu egoísmo e egocentrismo são gritantes. Faria um papel bem mais bonito perante todos se olhasse um pouco menos pra esse seu umbigo e se lembrasse da responsabilidade que todo formador de opinião deve ter, pois, como todos sabem, toda unanimidade é burra. Se está conseguindo toda essa repercusão com seu blog, aproveite a chance e divulgue informação, amplie os horizontes dos ignorantes, abra janelas de conhecimento aos incultos, mas jamais, jamais diminua ou demonstre qualquer forma de preconceito, porque assim todo o seu crédito irá por água abaixo, pois não há demonstração maior de ignorância do que o preconceito.
    Um abraço pra você. Antes que eu me esqueça, este post ficou muito bom.

  9. Olá Ranata. Gostaria só de saber o porque dessa agressividade para com o Rafael. Leio há muito pouco tempo o blog dele, através do blog de uma amiga (www.pacamanca.com), e não concordo com você no que diz respeito ao que o Rafael diz, pensa e escreve. Suas opiniões não são de maneira alguma egoístas ou egocentricas. Se você está de referind ao post do outro Bruno, só posso dizer que o cara mereceu. E a réplica do Rafael foi nada menos que hilária.

    Tempo se faz. Não sei se já reparou, mas seus posts são normalmente ‘postados’ na madrugada. Não que ele realmente deva explicações sobre o que faz da vida. Mas é no mínimo esclarecedor, no seu ponto de vista, ver que ele expõe suas posições e o que mais exista em seus posts durante a madrugada, dando-lhe tempo de sobra pra fazer o que quer que seja durante o dia.

    Não acho que exista preconceito em suas opiniões. Acho que existe sim a indignação pela burrice e pela iNgnorância irritante de certos posts. Mais uma vez me referindo ao post “polêmico” do outro Bruno (me sinto mal tendo o mesmo nome que ele, sério), tudo o que o Rafael fez foi ironizar o que era claramente ironizável. Não foi preconceituoso, foi cômico e serviu muito bem a proposta que o Rafael tinha: de divertir as pessoas que gastam seu tempo lendo suas opiniões.

  10. Estou gostando desse Blog e achei bom esse artigo. Lampião foi utilizado pelo Padre Cícero para combater a Coluna Prestes, que lutava contra o subdesenvolvimento e pela Reforma Agrária. Qual a sua relação com grupos revolucionários como o MST? Nenhuma. Lampião era cão de guarda dos coroneís oligarcas donos de enormes latifúndios que se fingia de vítima da imensa miséria nordestina para obter popularidade…

  11. Dizer que alguem é egoísta ou egocêntrico automaticamente não nos torna um deles???
    Gastar tantas linhas dizendo num sei o que do fulano de tal( e uma crítica tào coesa de tantos posts), não nos torna automaticamente desocupados como o escrevente???
    Renata, conheço o cara pessoalmente… sei que ele tem uma porção de defeitos, assim como eu tambem( um deles, inculta, dois deles, modesta. tres deles?? intrometida !!!); mas o cara tem defeitos sim , mas um deles não é a tal covardia… pelo menos tá aí, tentando produzir, dando a cara pra bater, vivendo a vida dele com galhardia e bom humor. SE voce tivesse o prazer da convivência dele, perceberia isso com mais facilidade.De qualquer modo, falo com o coraçao de amiga e os olhos de leitora constante.Outros olhos e outro mundo. Cada um no seu cada qual né? Seu mundo tambem pode ser pouco interessante pra outras pessoas…

  12. E eu me divirto!

    Pessoas sentindo-se ENOJADAS com babação de ovo! Quá Quá!

    Porra do caralho! Se eu quiser elogiar o Rafael, o Papa (o seu Deus o guarde) ou o Roberto Jefferson, este direito é meu, não é mesmo Renata?

    Realmente fiquei com a impressão (pelo que fazes pensar, errada) de que tens um pouco de inveja do destaque que o Galvão tem em sua casa.

    Pense assim: quem vem aqui, é porquê gosta do que o cara escreve. Como alguém que vai na sua casa. Você espera que uma visita que não lhe suporta venha lhe visitar? Acredito que não. A não ser que seja o responsável pela sua condicional…

    Mas, como não tenho tanto tempo quanto você ou o Galvão, cesso por aqui! Respeito menina, respeito!

  13. Comentário off-topic.

    Rafael, eu tava escrevendo um post sobre comunicação, a importância de se pensar no “receptor”, etc, e me lembrei de um case que ouvi na faculdade. Vê se é verdadeira e se é assim mesmo:

    O professor de Planejamento de Campanhas, pra ilustrar aquele conceito de que se deve adaptar o produto ao consumidor e não o contrário, contou que há tempos a Alpargatas tinha resolvido fazer uma campanha promocional das Sandálias Havaianas, com anúncios, estratégia de preços, e por aí vai. A operação foi executada no Brasil inteiro. Quando começou a chegar o feedback, eles se surpreenderam em ver que, ao contrário do resto do país, em um único estado do Nordeste (não lembro qual) o aumento das vendas tinha sido bem pouco expressivo. Fizeram uma investigação e descobriram que isso tinha ocorrido porque, nessa região, esse negócio de usar sandália com tirinha era considerado “coisa de viado”.

    Descoberto o problema, o pessoal do marketing se reuniu e decidiu lançar uma outra peça no tal estado. Contrataram um lutador de telecatch sinistrão e famosíssimo naquela parte do Brasil e fizeram um filme dele usando as havaianas e dando um testemunho. Só que quando chegou o feedback desse anúncio, descobriram que não só as vendas ainda tavam na merda como o lutador tinha ficado com fama de viado e tava sendo zuado em todo lugar, querendo bater na galera da agência, processar, sei lá…

    E aí, o relato procede? Ouvi há bastante tempo e acho que pode não ser exatamente isso. Se for verdade, vc sabe em que estado foi?

  14. Ops! Agora que eu vi o comentário irado alguns posts acima!

    Primeiro parabéns ao Rafael, por já ter garantido um lugar no seleto grupo dos “formadores de opinião”, e já estar até sendo cobrado por mais responsabilidade no que posta!

    Também não vejo nenhum preconceito nos posts dele. O que eu vejo de vez em quando é veemência em certos assuntos e sarcasmo muito merecido a respeito de algumas joselitices, como o já citado comentário do Bruno. O sujeito tentou esculachar usando argumentos toscos e tomou uma resposta à altura…

  15. … é cada zinha q aparece …
    Luluzita, Rafael R: clap, clap, clap!!!

    GRANDE post, Rafa!!! Êta baiano bom!!!
    Beijão!!!

  16. ótimo post Rafael. serve para desmistificar o tal do Lampião e sua corja de bandidos.

    agora querer fazer uma analogia entre Lampião e o Movimento dos Sem Terra, como foi feito num dos comentários acima, acho um pouco demais.
    O MST é legítimo, apesar de alguns exageros; luta por algo jamais feito neste país: uma reforma agrária de vergonha; tem claramente uma ideologia política de esquerda(mesmo que não se concorde com ela).

  17. Eu ia comentar, mas resolvi não escreve linha alguma. O post do Rafael Galvão é a opinião dele, com a qual eu concordo.

  18. Idelfonso, apesar do MST ser sim ‘legítimo’, é regido por corruptos e bandidos. Me perdoe, mas não consigo ter repeito por uma instituição que faz o terror que eles fazem. E não consigo respeitar uma instituição com tantos casos de corrupção na bagagem.

    Espero que isso não se torne mais um thread “polêmico”. 🙂

  19. Salve, Rafael.

    Primeiro, sobre esses comentários que vez ou outra aparecem em seu blog, de seu normal bem freqüentado, fazendo uma série de acusações, não se tratam de críticas por não serem racionais, sobre você e seus posts:

    É interessante notar que estas mensagens ofensivas são geralmente repletas de adjetivos, mas sem argumentação que lhes dêem sustentação. Se afirmam que Rafael é egoísta ou egocêntrico deve-se justificar esta argumentação através de alguma demonstração factual ou lógica. O mesmo quando afirma que Rafael não “emite”, mas “impõe” suas opiniões: qual o critério utilizado para distingüir um de outro? ao menos dê um exemplo.

    Se o Rafael tentou ridicularizar o menino beato, como se ridiculariza o que por sí já é ridículo?, qual é a intenção de quem escreve “seu xará e a meu entender apaixonado comenta”?

    O pior são os argumentos baseados no próprio delírio, como “eu particularmente, imagino que seja a única coisa que faça na vida, pois não é possível que alguém tenha tanto tempo disponível para se dedicar a um blog, sinceramente, caçar um trabalho ou uma atividade seria bem mais produtivo” – não sou eu que pago o mingau do Rafael, então acredito que ele trabalhe – “devem estar pensando, essa aí é mal amada, ou ainda, ela está é com inveja” – é ela que está dizendo.

    E será que seria necessário um concurso para se decidir que “ão há demonstração maior de ignorância do que o preconceito”? Para sorte da Renata, eu acho que não.

    Eu concordo que as pessoas possam ter qualquer opinião, mesmo as ridículas. E que os demais possam expor publicamente o ridículo de tais opiniões.

    Segundo, gostaria de dizer ao Rafael que discordo em grande parte do que ele escreveu neste último post. Não que eu discorde de que Lampião seja um bandido (roubava, matava, etuprava, etc) ou um coronel sem propriedades, mas foi um coronel que se formou. O sertanejo sem perspectiva que não a miséria e que se faz temido e importante possui, sim, características de herói perante os demais sertanejos revoltados com a própria miséria e falta de perspectiva. O mesmo no caso dos traficantes.

    Estes bandidos se apresentam como aqueles que saíram da condição de vítimas da violência, e que foram promovidos à condição, mais confortável, de algozes. São aqueles que embrutecidos pelo ambiente em que se desenvolvem atropelam a sociedade, e ao mesmo tempo em que a desafiam, aproveitam-se dela.

    Não deixa de haver uma aura heróica em tudo isso, como ocorre em nosso imaginário com os piratas que cruzavam os sete mares enterrando tesouros roubados.

    No geral, sou simpático ao que diz o jurista e ex vice-governador do rio Nilo Batista (quem quiser saber ao que me refiro, terá que procurar porque estou com preguiça de escrever).

    Mas você continua escrevendo bem (ao contrário de mim, desculpem me), parabéns.

    Terceiro: Alfred E. Neumann, seus comentários na MAD são bem mais interessantes. O MST, depois que houve cooptação do setor majoritário do PT e dos grandes sindicatos, é o único movimento socialpolítico digno de nota no Brasil.

    Acaba-se o MST, quem fará o papel de contraponto?

    Abraços a todos.

  20. Concordo absolutamente com a parte em que você diz que, se derem armas ao povo, não sai revolução, sai traficante.

    Cada um quer o seu, não é mesmo? Fico pensando se o ser humano é mesmo egoísta de natureza ou se é a sociedade que ensina a gente a pensar assim.

    *****

    Quanto à Lampião, eu acho que ele pode ser as duas coisas, por que não? Herói-bandido. Não herói do povo, certamente, mas sim herói dele mesmo. Deu o grito de “basta” e mudou sua vida, juntamente com alguns outros homens. Por meios moralmente condenáveis (chantagem, tráfico de influência,assassinatos, estupros, roubos, e coisas assim ).
    Sendo assim, não estarão os políticos fazendo a mesma coisa? Deturpando a moral, dando seu grito de “basta” e conseguindo o seu quinhão? Declarando-se heróis em causa própria?
    Não sei, não sei…Herói em causa própria deve ser bandido mesmo, Rafael.

    ******
    Quanto à bajulação para o Rafael/caso menino Bruno.

    O Rafael escreve muito bem. Ponto pacífico.
    Quanto a ser formador de opinião, não sei…Mas o fato de ser formador de opinião obriga o Rafael a mascarar seu jeito de ser e falar?

    No caso do menino-casto-católico (sem ironia, eu chamo todo mundo por apelidos assim), o Rafael podia perfeitamente não ter dito nada.
    Ou dizer apenas argumentando secamente.
    Mas o fato é que ele QUIS ser irônico com o rapaz, ué. Direito e vontade dele.

    Ironia não é preconceito, é apenas uma ferramenta da Língua Portuguesa (em maiúsculas ou minúsculas? Bateu a dúvida de verdade agora). E outra: os argumentos do Rafael para ir contra a visão de comportamento sexual humano que a Igreja Católica defende são baseados em observações.

    O ser humano nunca conviveu bem com a castidade. Ela é um conceito forçado, artificial, assim como a fidelidade.

    Se eu quiser, posso sim, ser casta/fiel. Mas isso é decisão pessoal minha, e depende do valor que eu dou ao sexo, ao amor, à essas coisas.

    Decisão pessoal – não institucional. Religião é fé. Se a Igreja Católica fosse tão competente ao fazer sua doutrina ser ENTENDIDA quanto as doutrinas religiosas orientais, não precisaria obrigar ninguém a nada – cada um faria o que sua fé exigisse.

    Agora, quando o assunto é saúde pública, há que se considerar o que o povo FAZ, não o que está na teoria. A maioria dos brasileiros se declara católica; mas mesmo assim, a maioria dos brasileiros não se mantém casta, tampouco casa virgem (não tenho dados estatísticos, mas alguém acha que precisa mesmo?). Para fins de saúde, devem sim, ser distribuídas camisinhas.

    E, falando um pouco de mim, tenho uma camisinha de posto na bolsa há meses, mas não usei pois meu namorado mora em outro Estado, bem distante. E nem por isso saí correndo pela rua, gritando: eu tenho uma camisinha, alguém quer usar comigo? 🙂

    Já alonguei demais isso aqui. Espero sinceramente não criar mal-entendidos.

  21. Eu acho uma graça esse pessoal que se dá ao trabalho de acompanhar um blog pra esculachar. Lá no Nós por Nós também tivemos alguns casos parecidos. Ora, o blog é uma página pessoal onde o autor expões seus pensamentos e qualquer um pode concordar ou não. Acho até sadio quando surge um debate em relação a algum assunto. Agora, o que não dá é ficar cobrando posicionamento do blogueiro (ou, ridículo, opinar sobre o que ele deve fazer ou não no seu dia-a-dia). Lê quem quer, ninguém é obrigado. O clique do mouse é a serventia da casa.

  22. Rafa,

    relendo meu comentário no post sobre Seara Vermelha, vi que não ficou claro o que quis dizer. Quanto à comparação com os palestinos, reconheço o equívoco, você me convenceu.

    Tenho só duas observações, ainda que clichês: quando se pensa no cangaço ou no tráfico, é preciso ter em mente sim as condições sociais que os geram, não pra justificá-los ou romantizá-los, mas sim pra entender como combater efetivamente esse tipo de problema. Botar os traficantes na cadeia é uma boa, mas enquanto os jovens do morro não tiverem perspectiva, o tráfico vai ser o caminho pra muitos, como o cangaço foi alternativa pra diversos sertanejos.

    Agora sobre o mst: o barnabé Alfred e o Bruno reclamam de bandidagem, que o mst quebra o limite da legalidade. Quando a dita democracia não consegue resolver problemas básicos, acho absolutamente legítimo quebrar “as regras do jogo”.

    Por fim, seria demais pedir que no futuro escrevas um post sobre Canudos?

  23. dentro do mst há aproveitadores, sim(bem menos do que no Congresso Nacional, diga-se de passagem); mas isso não tira sua importância político-social.
    Além do mais, Bruno, não se deve tratar movimento social como caso de polícia, aí sim seria um tapa na cara da já combalida democracia.

  24. Se formos atrás de corruptos no Congresso, não sobra ninguém. 🙂

    E até entendo sua posição, e entendo também que a proposta polítco-social do MST é de extrema importância para o nosso país. Mas vendo o que é feito com um movimento que deveria transformar o país não consigo não me irritar.

    Na minha opinião, tratar como caso de polícia os que distorcem a proposta do MST é mais do que necessário. Só que a confiança que deposito nessas instituições de ‘proteção e serviço ao público’ consegue ser mais baixa que a que tenho pelo MST. Aí complica tudo.

  25. rafael qualé a suaformação? eu sou formado em historia pela ufs. Fiz minha monografia sobre lampião,ou seja sei um pouquinho sobre ele.acho q vc tem que estudar mais sobre lampião,seu modo de vida e as condições do sertão naquela época. comece estudando frederico pernambucano de mello, em seu livro guerreiros do sol vc encontrará muitos argumentos para escrever de forma coerente e convicente. também acho que lampião foi um bandido, mas não podemos dizer simplesmente que ele foi um bandido e pronto, devemos argumentar através de evidencias, e é isso que falta em vc e o torna um tremendo amador no assunto. vc deve aprender sobre o assunto para depois expor sua própria opinião. Deve aprender sobre a colonização do sertão que foi diferente da do litoral, saber que a violência no sertão foi utilizada desde colonização, que o uso da violência era um pre-requisito para a sobrevivência sobrevivência, enfim. Fico por aqui, pois não estou aqui pra te ensinar nada. É só uma crítica construtiva. Estude exaustivamente sobre o assunto, beba em vários autores de opinioes contrárias e depois forme sua própria opinião, só assim vc estará capacitado pra falar sobre um assunto tão complexo sobre”Lampião: bandido ou herói? ok.

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