Rafael Galvão

Flower

O fantasma e o vento

Mais uma daquelas pesquisas utilíssimas e significativas de universidades inglesas — desta vez da Universidade de Hertfordshire e do Laboratório Nacional de Física.

O pesquisador Richard Wiseman afirma que o infra-som é o grande responsável por sentimentos de “sobrenatural” que às vezes temos. Nas igrejas, por exemplo, as notas extremamente baixas de alguns órgãos facilitam o êxtase religioso. Nas casas mal-assombradas, calafrios seriam o resultado do som provocado pelo vento. “O fantasma, na verdade, é o vento”, diz glorioso em seu racionalismo o bom Wiseman.

Longe de mim querer contradizer um sujeito sábio no próprio nome, até porque estou mais próximo de um wiseguy que de um wiseman.

Mas a esse pessoal falta poesia, falta aquele respeito pelo metafísico, falta aquela sabedoria que vem da convivência com o mistério que torna a vida um pouco mais bela. Seu racionalismo cético cega e oprime, e tenta levar o mundo a uma irremediável chatice. E é por isso que ouso dizer que Wiseman está errado em suas conclusões.

O fantasma não é o vento disfarçado. O vento é que é o fantasma disfarçado.

Originalmente publicado em 10 de setembro de 2003.

7 Responses to “O fantasma e o vento”

  1. July 15th, 2005 at 9:43 am

    Elton says:

    Eu até acho que você tem razão. Só que, por outro lado, racionalismo anda tão em falta que mesmo em poesia ando preferindo Alberto Caeiro.

  2. July 15th, 2005 at 10:02 am

    tiagón says:

    pode até não ser verdade, mas assim é muito mais divertido :D

  3. July 15th, 2005 at 11:43 am

    Lucia Villa Real says:

    Fácil simplificar as coisas dessa forma…

  4. July 15th, 2005 at 1:45 pm

    Jorge A. S. says:

    Não quero tirar mérito ao Wiseman mas o que descobriu é algo que os budistas sobretudo os das variantes tibetana e zen já sabem há séculos. Uma das funções da oração colectiva e da recitação de mantras é a de “massajar” as glândulas endócrinas, tiróide e hipófise entre outras, com as vibrações das cordas vocais. A voz e o canto querem-se assim o mais graves possível para surtir o efeito pretendido.

    Quanto à falta de poesia da comunidade científica felizmente há excepções: Fritjof Capra, Hubert Reeves…

    Grande blogue, Rafael. Leitura diária.

    Abraços,

    Jorge

  5. July 15th, 2005 at 1:47 pm

    Luciana says:

    Ok, entre racionalidade e poesia, fico com o segundo. Bjs e bom final de semana.

  6. July 15th, 2005 at 3:19 pm

    Bruno says:

    Não consigo ser irracional. Fantasmas são vento. Merda de mente cética essa minha. :)

  7. July 16th, 2005 at 9:49 pm

    Bear says:

    Uai! Sempre soube que os dois existiam: fantasmas disfarçados de vento e ventos disfarçados de fantasma.

    É bom viajar de vez em quando! (ou será de quando em vez?)

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