O fantasma e o vento
Mais uma daquelas pesquisas utilíssimas e significativas de universidades inglesas — desta vez da Universidade de Hertfordshire e do Laboratório Nacional de Física.
O pesquisador Richard Wiseman afirma que o infra-som é o grande responsável por sentimentos de “sobrenatural” que às vezes temos. Nas igrejas, por exemplo, as notas extremamente baixas de alguns órgãos facilitam o êxtase religioso. Nas casas mal-assombradas, calafrios seriam o resultado do som provocado pelo vento. “O fantasma, na verdade, é o vento”, diz glorioso em seu racionalismo o bom Wiseman.
Longe de mim querer contradizer um sujeito sábio no próprio nome, até porque estou mais próximo de um wiseguy que de um wiseman.
Mas a esse pessoal falta poesia, falta aquele respeito pelo metafísico, falta aquela sabedoria que vem da convivência com o mistério que torna a vida um pouco mais bela. Seu racionalismo cético cega e oprime, e tenta levar o mundo a uma irremediável chatice. E é por isso que ouso dizer que Wiseman está errado em suas conclusões.
O fantasma não é o vento disfarçado. O vento é que é o fantasma disfarçado.
Originalmente publicado em 10 de setembro de 2003.
This entry was posted on Friday, July 15th, 2005 at 12:00 am and is filed under A vida como ela é. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed.
July 15th, 2005 at 9:43 am
Eu até acho que você tem razão. Só que, por outro lado, racionalismo anda tão em falta que mesmo em poesia ando preferindo Alberto Caeiro.
July 15th, 2005 at 10:02 am
pode até não ser verdade, mas assim é muito mais divertido :D
July 15th, 2005 at 11:43 am
Fácil simplificar as coisas dessa forma…
July 15th, 2005 at 1:45 pm
Não quero tirar mérito ao Wiseman mas o que descobriu é algo que os budistas sobretudo os das variantes tibetana e zen já sabem há séculos. Uma das funções da oração colectiva e da recitação de mantras é a de “massajar” as glândulas endócrinas, tiróide e hipófise entre outras, com as vibrações das cordas vocais. A voz e o canto querem-se assim o mais graves possível para surtir o efeito pretendido.
Quanto à falta de poesia da comunidade científica felizmente há excepções: Fritjof Capra, Hubert Reeves…
Grande blogue, Rafael. Leitura diária.
Abraços,
Jorge
July 15th, 2005 at 1:47 pm
Ok, entre racionalidade e poesia, fico com o segundo. Bjs e bom final de semana.
July 15th, 2005 at 3:19 pm
Não consigo ser irracional. Fantasmas são vento. Merda de mente cética essa minha. :)
July 16th, 2005 at 9:49 pm
Uai! Sempre soube que os dois existiam: fantasmas disfarçados de vento e ventos disfarçados de fantasma.
É bom viajar de vez em quando! (ou será de quando em vez?)