When I'm 64

Segundo o Deathclock, do jeito que levo a vida eu morro no dia 2 de dezembro de 2035.

Na provecta idade de 64 anos.

Algo me diz que o site foi feito para assustar os incautos. Para mostrar que otários que fazem o que eu faço morrem cedo. Aos 64 anos.

Eu tenho uma péssima notícia para o pessoal, certamente bem-intencionado e repleto de bons sentimentos de temperança e moderação, que criou o Deathclock: infelizmente, ele não me assustou. Em vez disso, o efeito foi o contrário do desejado. Eu estou feliz e mais tranqüilo.

Porque nunca imaginei chegar aos 64 anos. Cá entre nós, 64 anos é mais ou menos a média de expectativa de vida de um brasileiro normal. E eu nunca fui um brasileiro normal.

Sempre imaginei que já tinha passado da garantia e que andava devendo uns três ou quatro anos, por baixo. Assim, se conseguir chegar aos 64 anos eu já me dou por feliz, por muito feliz.

E essa felicidade aumenta quando vejo os segundos que tenho à minha disposição.

No momento exato em que escrevo isso, ainda tenho pela frente 906.879.082 segundos de vida.

São segundos demais. Eu bem sei o que se pode fazer em um segundo. É um infinito de coisas. Coisas demais para serem sequer imaginadas. Em um segundo, a gente pode viver o que não viveu em uma vida inteira. Em um segundo duas bocas se tocam, em um segundo uma palavra é dita, em um segundo se nasce e se morre.

E eu tenho quase um bilhão desses pela frente.

Graças ao Deathclock, agora sei que posso continuar bebendo, fumando, perdendo noite, deixando meu suor cair sobre o seu rosto, fazendo raiva aos outros e comendo bobagem, porque ainda assim vou viver até me tornar um velhinho de 64 anos.

Ao Deathclock, portanto, o meu muito obrigado. Vou sair agora para o Ferreiro para beber, e fumar o meu cigarro, e comer minhas porcarias, e tudo isso será feito em sua homenagem.

16 thoughts on “When I'm 64

  1. se há uma coisa sobre a qual mudamos de opinião no decorrer da vida, é a idade de ir embora. Eu já quis ir quando nem tinha 3 décadas. Hoje, que caminho pra sexta, não quero ir nem morta! 🙂

  2. O bom é que já da pra ir ajeitando o velório .. já pensou?
    Dá pra mandar convites estilizados de seu passamento, vc pode organizar uma recepção (vc msm, pq os parentes nunca fariam, coitados .. ficariam lá chorando).
    Agora não. Com dia e hora marcados, sabemos exatamente quando vamos pra terra dos pé-juntos, e podemos fazer tudo ao nosso estilo: uma banda, os comes e bebes, ou até mesmo ir pro Himalaia e ficar por lá .. subir o Everest sozinho e sem equipamento, enfrentando o fatídico dia, afinal vc já sabe.
    Isso sim é que é o achado do século.
    O resto é balela.
    (Demais sugestões, aqui neste espaço ….).

  3. Rafa, o problema não é morrer aos 64, o problema é chegar aos 50 impotente, gordo, cheio de catarro nos pulmões, tossindo igual um louco, com uma flecha indicando “aqui jas um fígado” e outra dizendo “aqui jas um pulmão” e ter que carregar essa vequiaia até os 64! Vai achando que vc vai estar “saudável” até os 64. 64 é o fim, o problema é o que vem antes dele.

  4. O meu deu que vou morrer em 21/01/2077, isto é, com 97 anos! Sai fora! Quero viver até estar ativa, depois disso, é melhor ir, prá que viver se é prá ficar dando trabalho pros outros? Quando eu deixar de ser gostosa, sexy e não mais praticar sexo, é melhor partir mesmo!!!!!!!!!

  5. O pior é que o site não fala nada sobre sair com mulher casada. Galvão, desconta aí uns 5 anos. Mais uns 3 por conta do Jack Daniels, vá.

    Aliás mencionei este post lá no blog. 🙂

  6. O negócio parece ser completamente aleatório. Minha data da morte variou de 2029 a 2036, aí eu parei de apertar o botão pois já gostei da resposta.

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